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A–Z

Glossário veterinário

De A a Z, descomplicado.

Termos médicos veterinários, doenças, exames e procedimentos explicados em linguagem clara — pela nossa equipe.

225 termos encontrados

A
AbscessoDoença

Abscesso é uma coleção localizada de pus formada dentro de um tecido como resultado de uma infecção bacteriana. Em cães e gatos, os abscessos são muito comuns e podem surgir após mordidas, arranhões, corpos estranhos ou infecções dentárias, sendo frequentemente encobertos pelo pelo e difíceis de detectar pelo tutor. O tratamento envolve drenagem do conteúdo purulento, limpeza rigorosa da cavidade e uso de antibióticos. Sem tratamento, o abscesso pode romper espontaneamente, evoluir para celulite difusa ou causar infecção sistêmica grave. O prognóstico é excelente quando tratado precocemente por um médico-veterinário.

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Alergia alimentar é uma reação imunológica adversa a um ou mais ingredientes presentes na dieta do animal, geralmente proteínas de origem animal ou vegetal. É uma das causas mais frequentes de dermatite crônica e problemas gastrointestinais em cães e gatos, sendo frequentemente subdiagnosticada por imitar outras condições. Os sintomas incluem coceira intensa, especialmente no rosto, patas e abdômen, além de otites recidivantes e diarreia crônica. O diagnóstico definitivo é feito por dieta de exclusão com proteína hidrolisada ou nova fonte proteica, processo que dura de 8 a 12 semanas e exige comprometimento do tutor.

AnafilaxiaEmergência

Anafilaxia é uma reação alérgica sistêmica grave e potencialmente fatal, caracterizada por início súbito e rápida progressão. Resulta de uma resposta imunológica exagerada a um alérgeno específico — como veneno de abelha, medicamentos ou determinados alimentos — com liberação maciça de mediadores inflamatórios. Os sinais incluem colapso cardiovascular, dificuldade respiratória severa, edema de face, vômitos e perda de consciência, podendo levar à morte em minutos sem tratamento de emergência. A administração imediata de epinefrina (adrenalina) é o tratamento de primeira escolha e pode salvar a vida do animal.

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AnemiaDoença

Anemia é a redução do número de glóbulos vermelhos (hemácias) ou da concentração de hemoglobina no sangue, comprometendo a capacidade de transporte de oxigênio aos tecidos. Em cães e gatos, pode ser causada por hemorragia, destruição excessiva de hemácias ou falha na produção pela medula óssea. Os sinais clínicos incluem mucosas pálidas, fraqueza, intolerância ao exercício, taquicardia e, nos casos graves, colapso. O diagnóstico é feito por hemograma e o tratamento depende da causa subjacente, podendo incluir transfusão de sangue em situações de emergência.

Anestesia geral veterinária é o estado de inconsciência controlada, analgesia, relaxamento muscular e ausência de reflexos protetores induzido por medicamentos para permitir procedimentos cirúrgicos ou diagnósticos em animais sem dor nem estresse. É um dos pilares da medicina veterinária moderna e essencial para o bem-estar dos pacientes. Envolve fases bem definidas — pré-medicação, indução, manutenção e recuperação — e requer monitoramento contínuo de parâmetros vitais. Apesar dos avanços tecnológicos, toda anestesia envolve riscos que são minimizados pela avaliação pré-anestésica criteriosa e pela experiência da equipe veterinária.

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Arritmia cardíaca é qualquer alteração no ritmo, frequência ou condução dos impulsos elétricos do coração, fazendo-o bater de forma irregular, muito rápida (taquiarritmia) ou muito lenta (bradiarritmia). Em cães e gatos, pode ser um achado isolado ou indicar doença cardíaca, sistêmica ou eletrolítica subjacente. A gravidade varia amplamente: algumas arritmias são benignas e transitórias, enquanto outras causam síncope, insuficiência cardíaca ou morte súbita. O diagnóstico é feito por eletrocardiograma e o tratamento depende do tipo, da causa e dos sinais clínicos presentes.

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ArtriteDoença

Artrite é a inflamação de uma ou mais articulações, causando dor, rigidez e redução da mobilidade. Em cães e gatos, a forma mais prevalente é a osteoartrite (artrite degenerativa), que afeta especialmente animais de meia-idade e idosos, raças grandes e animais com sobrepeso. Os sinais clínicos muitas vezes passam despercebidos no início, pois os animais adaptam seu comportamento para evitar a dor. Com o avanço da doença, surgem claudicação, dificuldade para sentar e levantar, relutância a subir escadas e mudanças de comportamento. O tratamento visa controlar a dor e preservar a qualidade de vida.

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ArtroseDoença

Artrose (osteoartrose ou osteoartrite degenerativa) é uma doença articular crônica e progressiva caracterizada pela degradação da cartilagem articular, remodelamento ósseo, inflamação da membrana sinovial e formação de osteófitos (bicos de papagaio). É a doença articular mais comum em cães e gatos, especialmente em animais idosos. Diferentemente da artrite inflamatória, a artrose resulta principalmente do desgaste mecânico ao longo do tempo, com componente inflamatório secundário. Os sinais incluem rigidez articular, claudicação e redução progressiva da mobilidade. O tratamento é paliativo e visa controlar a dor e preservar a qualidade de vida.

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Asma felina é uma doença respiratória crônica que afeta gatos, caracterizada por inflamação e estreitamento reversível das vias aéreas em resposta a alérgenos ou irritantes inalados. Estima-se que afete entre 1% e 5% da população felina, sendo uma das condições respiratórias mais comuns nessa espécie. As crises de asma se manifestam com episódios de tosse, sibilância e dificuldade respiratória que variam de leve a potencialmente fatal. O diagnóstico envolve radiografia torácica e exclusão de outras causas de tosse. O tratamento combina broncodilatadores e corticosteroides para controle da inflamação e prevenção de crises.

Atopia canina (dermatite atópica canina) é uma doença inflamatória cutânea crônica e pruriginosa com predisposição genética, mediada por resposta imunológica exagerada a alérgenos ambientais como ácaros, pólen, fungos e pelos. É uma das causas mais comuns de coceira crônica em cães. Os sintomas incluem coceira intensa, especialmente nas patas, virilha, axila e face, com otites recidivantes e infecções bacterianas secundárias. O tratamento é longo, envolve imunoterapia específica, medicamentos modernos como oclacitinibe e lokivetmab, e controle ambiental.

B
BabesioseDoença

A babesiose é uma doença parasitária causada por protozoários do gênero Babesia, transmitidos principalmente pela picada de carrapatos. O parasita invade os glóbulos vermelhos do sangue e os destrói, provocando anemia hemolítica que pode variar de leve a grave. Cães de qualquer idade podem ser afetados, mas filhotes e animais imunossuprimidos têm risco maior de desenvolver formas severas. O diagnóstico precoce e o tratamento adequado são fundamentais para evitar complicações e óbito.

BlefariteDoença

A blefarite é a inflamação das pálpebras que acomete cães e gatos, manifestando-se com vermelhidão, inchaço, crostas e coceira nas bordas palpebrais. A condição pode ser unilateral ou bilateral e resulta de causas infecciosas, alérgicas, parasitárias ou imunomediadas. Sem tratamento adequado, a blefarite crônica pode comprometer as estruturas oculares adjacentes e causar ulceração corneana, perda da função das glândulas de Meibômio e alterações permanentes nas pálpebras. O diagnóstico precoce é essencial para preservar a saúde ocular do pet.

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O blefarospasmo é o piscar involuntário, compulsivo e excessivo das pálpebras, frequentemente acompanhado de fechamento forçado dos olhos. Não é uma doença em si, mas um sintoma de dor ou desconforto ocular que pode indicar desde uma simples irritação até condições graves como úlcera de córnea ou glaucoma. O sinal deve ser investigado com urgência pelo médico veterinário, pois muitas das causas subjacentes são progressivas e podem levar a perda visual permanente se não tratadas precocemente. Cães e gatos são igualmente afetados.

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BócioDoença

O bócio é o aumento de volume da glândula tireoide, palpável ou visível na região cervical ventral, que pode ocorrer em cães e gatos com produção hormonal normal (bócio eutireoideo), reduzida (hipotireoidismo) ou aumentada (hipertireoidismo). A glândula pode crescer de forma difusa ou nodular. Em gatos adultos, o bócio nodular é muito comum e associado ao hipertireoidismo, doença endócrina mais frequente na espécie. Em cães, o bócio é menos comum e pode estar relacionado a deficiência de iodo, neoplasia ou doença imunomediada da tireoide.

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BordetellaDoença

A bordetella é uma infecção respiratória bacteriana causada principalmente por Bordetella bronchiseptica, considerada um dos principais agentes da tosse dos canis. Acomete cães, gatos e outros animais, manifestando-se com tosse seca persistente, coriza e mal-estar geral. A doença tem caráter altamente contagioso, sendo especialmente grave em filhotes, idosos e animais imunossuprimidos. Ambientes coletivos como canis, hotéis para pets e clínicas de banho e tosa são os principais locais de disseminação.

BotulismoDoença

O botulismo é uma intoxicação grave causada pela neurotoxina produzida pela bactéria Clostridium botulinum, presente em carcaças em decomposição e alimentos contaminados. A toxina bloqueia a transmissão neuromuscular, levando a paralisia flácida progressiva que pode comprometer os músculos respiratórios. Cães são mais suscetíveis que gatos. A doença tem alta mortalidade quando não tratada precocemente, e o diagnóstico exige alto índice de suspeição, pois os sinais neuromusculares podem ser confundidos com outras neuropatias.

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A bradiarritmia é qualquer distúrbio do ritmo cardíaco caracterizado por frequência cardíaca anormalmente baixa, abaixo dos limites esperados para a espécie, idade e porte do animal. Em cães, frequências abaixo de 60 batimentos por minuto em repouso geralmente são consideradas bradicárdicas clinicamente relevantes. A condição pode resultar de causas fisiológicas (atletas ou raças grandes em repouso), farmacológicas, metabólicas ou de doenças cardíacas primárias. Formas graves de bradiarritmia comprometem o débito cardíaco e causam síncope, fraqueza e risco de parada cardíaca.

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A broncopneumonia é uma inflamação simultânea dos brônquios e do parênquima pulmonar, geralmente de origem infecciosa, que compromete as trocas gasosas e pode levar a insuficiência respiratória grave. É uma das principais emergências respiratórias em cães e gatos. A doença pode resultar de infecções bacterianas, virais, fúngicas ou da aspiração de conteúdo gástrico. Filhotes, animais idosos, imunossuprimidos e aqueles com doenças de base têm risco elevado de evolução grave. O diagnóstico e tratamento precoces são determinantes para o prognóstico.

A bronquite crônica canina é uma doença inflamatória irreversível das vias aéreas inferiores, caracterizada por tosse persistente por mais de dois meses sem causa infecciosa identificável. A inflamação crônica leva ao espessamento da parede brônquica, acúmulo de muco e estreitamento do lúmen, dificultando progressivamente a passagem do ar. A condição afeta principalmente cães adultos e idosos de raças pequenas, como Poodle, Maltês e Cocker Spaniel. Embora não tenha cura, o manejo correto com medicamentos e modificações ambientais permite manter qualidade de vida satisfatória.

A brucelose canina é uma doença infecciosa bacteriana causada por Brucella canis, que acomete principalmente o sistema reprodutivo dos cães. Em fêmeas, causa abortos tardios e infertilidade; em machos, leva a epididimite, orquite e subfertilidade. A bactéria é eliminada em grande quantidade nas secreções reprodutivas. Trata-se de uma zoonose importante: humanos podem se infectar por contato com fetos abortados, placenta, secreções vaginais ou urina de animais infectados. O diagnóstico e controle rigorosos são essenciais, especialmente em canis e criadouros.

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C

Cardiomiopatia dilatada (CMD) é uma doença do músculo cardíaco caracterizada pela dilatação das câmaras cardíacas — especialmente o ventrículo esquerdo — e pela perda progressiva da capacidade de contração. O coração dilata, torna-se fraco e incapaz de bombear sangue de forma eficiente, evoluindo para insuficiência cardíaca congestiva. É a segunda doença cardíaca mais comum em cães, predominando em raças de grande porte como Doberman Pinscher, Boxer, São Bernardo, Irish Wolfhound e Dálmata. Em gatos, a forma por deficiência de taurina já foi comum mas hoje é rara com dietas balanceadas. O diagnóstico precoce pela ecocardiografia permite iniciar tratamento antes do início dos sintomas, prolongando a qualidade e a duração de vida.

CatarataDoença

Catarata é a opacificação do cristalino, a lente natural do olho, que normalmente é transparente e permite a passagem da luz até a retina. Quando o cristalino perde sua transparência, a visão fica progressivamente turva até a cegueira total. Em cães é uma das condições oculares mais comuns, podendo afetar uma ou ambas as vistas. A doença pode ter origem hereditária, diabética, traumática ou senil. Certos raças como Poodle, Cocker Spaniel e Labrador têm predisposição genética. O diagnóstico precoce é essencial, pois cataratas maduras podem evoluir para glaucoma e inflamação ocular intensa. A cirurgia de facoemulsificação é o único tratamento definitivo e apresenta alta taxa de sucesso.

CeratiteDoença

Ceratite é a inflamação da córnea, a camada transparente frontal do olho responsável pela maior parte do poder refrativo ocular. Em cães e gatos, é uma causa importante de dor ocular e pode evoluir para úlcera de córnea, perfuração e perda visual irreversível se não tratada adequadamente. As causas incluem trauma, infecções virais e bacterianas, ceratoconjuntivite seca, entrópio, triquíase e exposição excessiva (lagoftalmia em raças braquicefálicas). O olho acometido apresenta vermelhidão, lacrimejamento intenso, blefarospasmo e, nos casos mais graves, opacidade visível da córnea. A avaliação com fluoresceína é essencial para detectar úlceras associadas.

Ceratoconjuntivite seca (CCS), também conhecida pela sigla KCS (do inglês keratoconjunctivitis sicca), é uma doença ocular crônica causada pela produção insuficiente de lágrima ou pela alteração qualitativa do filme lacrimal. Sem lubrificação adequada, a superfície do olho reseca, causando inflamação progressiva da córnea e da conjuntiva, com risco de ulceração corneal, pigmentação e cegueira em casos avançados. É uma das afecções oftalmológicas mais comuns em cães, com marcada predileção por raças braquicefálicas e outras com predisposição genética, como Yorkshire Terrier, Bulldog Inglês, Shih Tzu, Cavalier King Charles Spaniel e Cocker Spaniel. Em gatos é menos frequente. O tratamento é geralmente vitalício, mas permite excelente qualidade de vida quando mantido regularmente.

A cinomose é uma doença viral altamente contagiosa causada pelo vírus do distemper canino (CDV), que afeta o sistema respiratório, gastrointestinal e nervoso de cães. É considerada uma das doenças virais mais graves dos cães e pode ser fatal sem tratamento adequado. A prevenção é feita por meio da vacinação regular, que faz parte do protocolo vacinal básico de filhotes e adultos. Cães não vacinados têm altíssimo risco de contrair a doença ao entrar em contato com secreções de animais infectados.

CistiteDoença

Cistite é a inflamação da bexiga urinária, uma das afecções do trato urinário inferior mais frequentes em cães e gatos. Em cães, a causa bacteriana é predominante, enquanto em gatos a cistite idiopática (sem causa infecciosa identificada) representa a maioria dos casos, sendo fortemente associada ao estresse e às condições de manejo. Os sinais clínicos incluem micção frequente em pequenas quantidades, esforço para urinar, presença de sangue na urina e lambedura excessiva da região genital. Nos machos, a obstrução uretral associada pode representar emergência veterinária. O diagnóstico e tratamento precoces são essenciais para evitar progressão para pielonefrite e comprometimento renal.

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CoccidioseDoença

Coccidiose é uma infecção parasitária do trato gastrointestinal causada por protozoários do gênero Cystoisospora (anteriormente Isospora) em cães e gatos, e Cryptosporidium em casos especiais. Os parasitas infectam e destroem as células epiteliais do intestino delgado, causando diarreia que pode variar de branda a hemorrágica, especialmente em filhotes. A transmissão ocorre pela ingestão de oocistos eliminados nas fezes de animais infectados, presentes em ambientes contaminados. Filhotes de 1 a 6 meses e animais imunossuprimidos são os mais vulneráveis. Em animais adultos saudáveis, a infecção frequentemente é subclínica. O tratamento precoce e a higiene do ambiente são fundamentais para o controle da doença.

ColiteDoença

Colite é a inflamação do intestino grosso (cólon), responsável por sinais gastrointestinais característicos como diarreia com muco e sangue vivo, tenesmo (esforço para defecar) e aumento da frequência das evacuações em pequenas quantidades. É uma das causas mais comuns de diarreia crônica em cães e gatos. As causas são variadas: parasitas, bactérias, fungos, alergias alimentares, estresse, corpos estranhos e, em casos idiopáticos, a colite ulcerativa histiocítica do Boxer. O diagnóstico correto é fundamental, pois o tratamento varia amplamente conforme a etiologia. Na maioria dos casos agudos o prognóstico é favorável com tratamento adequado.

Conjuntivite é a inflamação da conjuntiva, membrana mucosa fina e transparente que recobre a superfície interna das pálpebras e a parte anterior do globo ocular. Em cães e gatos, é uma das queixas oculares mais frequentes na rotina veterinária, podendo ter origem infecciosa, alérgica, irritativa ou ser secundária a outras doenças oculares. Os sinais incluem vermelhidão ocular, secreção (que pode variar de serosa a mucopurulenta), lacrimejamento, coceira e manutenção parcial ou total do olho fechado. Embora raramente cause perda visual isoladamente, a conjuntivite não tratada pode evoluir para complicações corneanas. O diagnóstico correto da causa é essencial para o tratamento eficaz.

Criptorquidismo é a falha na descida de um ou ambos os testículos para a bolsa escrotal, permanecendo retidos no abdômen ou no canal inguinal. É a anomalia reprodutiva mais comum em cães machos, com incidência estimada entre 1,2% e 10% dependendo da raça, e ocorre com menor frequência em gatos. O testículo criptorquídico, além de ser infértil, tem risco de torção testicular e desenvolvimento de neoplasias — especialmente o tumor de células de Sertoli — significativamente maior que o testículo escrotal normal. Por isso, a orquiectomia (castração) bilateral precoce é unanimemente recomendada, pois a condição é hereditária e os animais afetados não devem ser reproduzidos.

D

A demodicose, ou sarna demodécica, é uma doença de pele causada pela proliferação excessiva do ácaro Demodex canis, que normalmente habita em pequenas quantidades os folículos pilosos de cães saudáveis. Quando o sistema imunológico do animal está comprometido, o ácaro se multiplica de forma descontrolada, causando alopecia, inflamação e infecções bacterianas secundárias. A forma localizada em filhotes geralmente se resolve espontaneamente. A forma generalizada, que acomete grande parte do corpo, exige tratamento intensivo e prolongado, e pode indicar doença sistêmica subjacente em cães adultos.

A dermatite atópica é uma doença inflamatória crônica da pele, de origem alérgica e base genética, muito frequente em cães e menos comum em gatos. O sistema imunológico do animal reage de forma exagerada a alérgenos ambientais como ácaros, pólens, fungos e epitélio humano, desencadeando coceira intensa e lesões cutâneas. A condição é recorrente e raramente tem cura definitiva, mas pode ser muito bem controlada com tratamento médico adequado, manejo ambiental e, em muitos casos, imunoterapia específica. O diagnóstico precoce melhora significativamente a qualidade de vida do pet.

A dermatite por Malassezia é uma inflamação cutânea causada pela proliferação excessiva do fungo Malassezia pachydermatis, um habitante normal da pele de cães e gatos. Quando as condições cutâneas se alteram, esse fungo multiplica-se de forma descontrolada, causando coceira intensa, odor característico e alterações na pele. É frequentemente associada a alergias, otites crônicas e outras dermatopatias de base. O tratamento inclui antifúngicos tópicos e sistêmicos, além do controle da doença primária que favoreceu a infecção.

A dermatofitose, conhecida popularmente como micose ou tinha, é uma infecção fúngica superficial da pele, pelos e unhas causada principalmente por Microsporum canis em cães e gatos. É uma zoonose, ou seja, pode ser transmitida dos animais para os seres humanos, especialmente crianças e pessoas imunocomprometidas. A doença causa lesões características em forma de anel (daí o nome popular 'ringworm' no inglês), com alopecia, descamação e crosta. O diagnóstico laboratorial é fundamental para confirmação e o tratamento exige disciplina, pois os esporos ambientais são resistentes e podem causar reinfecção se o ambiente não for descontaminado.

O diabetes mellitus é uma doença metabólica crônica caracterizada pela incapacidade de o organismo produzir ou utilizar adequadamente a insulina, hormônio responsável pela entrada de glicose nas células. Em pets, a condição resulta em hiperglicemia persistente e glicosúria, afetando principalmente cães e gatos de meia-idade a idosos. Sem tratamento, o diabetes evolui para cetoacidose diabética, uma emergência com risco de vida. Com diagnóstico precoce, insulinoterapia adequada e ajuste nutricional, a maioria dos animais alcança boa qualidade de vida por muitos anos.

A dirofilariose, popularmente conhecida como verme do coração, é uma parasitose grave causada pelo nematódeo Dirofilaria immitis, transmitido pela picada de mosquitos do gênero Culex. Os parasitas adultos se instalam nas artérias pulmonares e no coração direito do cão, causando dano vascular e cardíaco progressivo. A doença pode ser silenciosa por anos e, quando diagnosticada tardiamente, apresenta alta letalidade. A prevenção com macrolídeos mensais é segura, eficaz e muito mais barata que o tratamento. Cães que vivem ou visitam regiões endêmicas (litoral, regiões quentes e úmidas) têm risco elevado.

A discopatia vertebral é a degeneração e herniação do disco intervertebral, resultando em compressão da medula espinhal ou das raízes nervosas. É uma das causas mais comuns de dor e paralisia em cães, especialmente nas raças condrodistróficas como Dachshund, Basset Hound e Beagle. O quadro clínico varia de dor axial isolada até paralisia completa dos membros. O diagnóstico e o tratamento precoces são determinantes para o prognóstico neurológico — em casos graves, cada hora conta para a recuperação da função motora.

DisfagiaSintoma

A disfagia é a dificuldade para engolir alimentos sólidos ou líquidos, podendo se manifestar em cães e gatos de todas as idades e raças. Não é uma doença em si, mas um sintoma que pode indicar desde alterações anatômicas da cavidade oral e faringe até doenças neurológicas e sistêmicas graves. O animal afetado pode apresentar engasgos repetidos, regurgitação de alimento não digerido, sialorreia, perda de peso progressiva e pneumonia por aspiração em casos mais graves. A investigação cuidadosa da causa é fundamental para definir o tratamento adequado e o prognóstico.

Displasia de quadril é uma malformação da articulação coxofemoral onde a cabeça do fêmur não se encaixa corretamente no acetábulo (cavidade da pelve). É uma das doenças ortopédicas mais comuns em cães, com forte componente hereditário, especialmente em raças de grande porte. A frouxidão articular leva ao desenvolvimento progressivo de osteoartrite, causando dor crônica, claudicação e redução da qualidade de vida. A gravidade varia enormemente: alguns animais apresentam sintomas leves, enquanto outros têm incapacidade grave. O tratamento pode ser conservador (controle de peso, fisioterapia, analgesia) ou cirúrgico, com diversas técnicas disponíveis conforme a idade e gravidade. O diagnóstico precoce melhora significativamente o prognóstico.

Displasia renal juvenil é uma malformação congênita dos rins em que o tecido renal não se desenvolve normalmente durante a vida fetal, resultando em rins pequenos, malformados e funcionalmente insuficientes. Diferente da doença renal crônica do adulto, afeta animais jovens — geralmente antes dos 2 anos — e tem base genética bem documentada em diversas raças caninas. A condição leva à insuficiência renal progressiva em animais jovens, com sinais como polidipsia, poliúria, perda de peso, vômitos e atraso no crescimento. O prognóstico é reservado a grave, pois os rins displásicos não podem ser reparados, e o tratamento visa retardar a progressão e manter a qualidade de vida.

A doença de Addison, ou hipoadrenocorticismo, é uma endocrinopatia causada pela produção insuficiente de hormônios do córtex adrenal — principalmente cortisol e aldosterona. Em cães, a doença é mais prevalente em fêmeas jovens a adultas e em algumas raças como Poodle Standard, Beagle e Nova Scotia Duck Tolling Retriever. O diagnóstico é desafiador porque os sinais são inespecíficos e episódicos — motivo pelo qual é chamada de 'o grande imitador'. Uma crise addisoniana (hipotensão e hipercalemia graves) é uma emergência que pode ser fatal sem tratamento imediato, mas o prognóstico com tratamento adequado é excelente.

A doença periodontal é a afecção mais prevalente em cães e gatos, afetando mais de 80% dos animais com mais de 3 anos de idade. Trata-se de um processo inflamatório e infeccioso que progressivamente destrói as estruturas de suporte dos dentes — gengiva, ligamento periodontal, cemento e osso alveolar — levando à perda dentária e potencialmente a doenças sistêmicas. A causa primária é o acúmulo de biofilme bacteriano (placa dental) sobre os dentes. Sem higiene oral regular, a placa se mineraliza em cálculo dental e a inflamação gengival (gengivite) progride para periodontite irreversível. A prevenção por escovação é o único método comprovadamente eficaz.

E

Êmese, popularmente conhecida como vômito, é a expulsão forçada do conteúdo gástrico e intestinal pela boca, mediada por um complexo reflexo coordenado pelo centro do vômito no tronco encefálico. É um dos sintomas mais comuns em cães e gatos e pode ser sinal de condições simples ou de doenças graves que exigem atenção imediata. O vômito em animais domésticos deve ser avaliado considerando frequência, aspecto do material vomitado, associação com outros sintomas e histórico de exposição a tóxicos ou corpos estranhos. A distinção entre vômito agudo isolado e vômito crônico ou associado a sinais sistêmicos é fundamental para a conduta clínica.

EncefaliteDoença

Encefalite é a inflamação do parênquima cerebral, frequentemente grave e potencialmente fatal. Em cães e gatos, pode ser causada por infecções virais, bacterianas, fúngicas ou parasitárias, bem como por processos autoimunes em que o sistema imunológico ataca o próprio tecido cerebral. Os sinais clínicos variam conforme a área do cérebro acometida e incluem convulsões, alterações comportamentais, déficits motores e alteração do nível de consciência. O diagnóstico e o tratamento precoces são fundamentais para reduzir sequelas neurológicas permanentes.

Endocardite é a inflamação do endocárdio — a camada interna do coração que reveste as câmaras e as válvulas cardíacas. Em cães e gatos, a forma infecciosa bacteriana é a mais comum e ocorre quando bactérias circulantes na corrente sanguínea se depositam e colonizam as válvulas cardíacas, formando vegetações que comprometem o fluxo sanguíneo. A condição é grave, frequentemente associada a bacteremia de focos distantes como dentes, boca, próstata ou pele infectada. O diagnóstico requer ecocardiografia e hemocultura, e o tratamento exige antibioticoterapia prolongada com monitoramento cardiológico rigoroso.

Enteropatia crônica é um termo amplo que engloba um grupo de doenças inflamatórias do trato gastrointestinal que persistem por mais de três semanas e não respondem a tratamentos simples como antibióticos ou antiparasitários. Em cães e gatos, é uma das causas mais comuns de vômito e diarreia crônicos. As formas mais importantes incluem a enteropatia responsiva a dieta, a enteropatia responsiva a antibióticos e a doença inflamatória intestinal (DII) propriamente dita. O diagnóstico requer investigação escalonada e frequentemente biópsia intestinal para classificação histológica.

EpilepsiaDoença

Epilepsia é um distúrbio neurológico crônico caracterizado pela ocorrência de crises convulsivas recorrentes causadas por atividade elétrica anormal no cérebro. É uma das condições neurológicas mais comuns em cães e pode ocorrer também em gatos, afetando animais de qualquer idade e raça. A epilepsia pode ser idiopática — sem causa identificável, com forte componente genético — ou secundária a doenças metabólicas, infecções, tumores ou lesões cerebrais. O diagnóstico correto é fundamental para definir o tratamento mais adequado e melhorar a qualidade de vida do animal.

Veja também:encefalitecinomose
ErliquioseDoença

Erliquiose é uma doença infecciosa causada por bactérias do gênero Ehrlichia, transmitidas pela picada de carrapatos, especialmente o Rhipicephalus sanguineus (carrapato marrom do cão). É uma das doenças transmitidas por carrapatos mais comuns e graves em cães no Brasil, podendo ser fatal se não tratada. A bactéria invade as células sanguíneas — principalmente monócitos e granulócitos — causando destruição celular, inflamação sistêmica e supressão da medula óssea. O diagnóstico precoce e o tratamento com doxiciclina são determinantes para o prognóstico do animal.

Veja também:babesiosecarrapato

Esporotricose é uma infecção fúngica causada pelo Sporothrix schenckii, um fungo presente no solo, plantas e matéria orgânica em decomposição. Em gatos, é a micose subcutânea mais importante no Brasil, com caráter epidêmico especialmente no Rio de Janeiro. A doença é considerada uma zoonose de relevância crescente. O fungo penetra na pele por arranhões e mordidas, causando lesões nodulares progressivas que podem se disseminar para linfonodos e órgãos internos. O tratamento com itraconazol é eficaz, mas exige administração prolongada. O controle da esporotricose felina é uma questão de saúde pública.

Veja também:micosedermatofitose

Esteatite felina, também conhecida como paniculite nutricional ou "doença do óleo de peixe", é uma inflamação dolorosa do tecido adiposo subcutâneo causada pela deficiência de vitamina E, geralmente decorrente de dieta desequilibrada com excesso de ácidos graxos poli-insaturados oxidados. Afeta principalmente gatos alimentados exclusivamente com atum ou sardinha em lata. A deficiência de vitamina E permite a peroxidação lipídica no tecido adiposo, gerando inflamação intensa e dolorosa. Os gatos afetados apresentam hipersensibilidade ao toque em todo o corpo. O tratamento envolve correção da dieta e suplementação de vitamina E.

Estenose subaórtica é uma malformação cardíaca congênita caracterizada pela presença de tecido fibroso anormal abaixo da válvula aórtica que obstrui parcialmente a saída de sangue do ventrículo esquerdo para a aorta. É uma das cardiopatias congênitas mais comuns em cães, com forte predisposição genética em raças grandes. A obstrução força o coração a trabalhar com maior esforço para bombear sangue adequadamente, levando à hipertrofia do ventrículo esquerdo. Casos graves estão associados a síncope, intolerância ao exercício e morte súbita em animais jovens, frequentemente sem sinais prévios.

Estereotipia comportamental, também chamada de comportamento estereotipado ou jogo compulsivo, é a repetição persistente, rígida e sem função aparente de sequências comportamentais. Em cães e gatos, manifesta-se como girar em círculos, perseguir a própria cauda, morder flancos, lamber patas excessivamente, caminhar em padrões fixos, caçar sombras ou luzes de forma incessante. Representa um distúrbio do bem-estar animal resultante de frustrações crônicas, conflitos não resolvidos ou estimulação insuficiente. Embora não seja uma doença orgânica primária, tem impacto significativo na qualidade de vida do animal e pode levar a lesões físicas. O tratamento combina enriquecimento ambiental, modificação comportamental e, quando necessário, medicação psicotrópica.

EstomatiteDoença

Estomatite é a inflamação generalizada da mucosa oral, afetando gengivas, língua, bochechas e palato. Em gatos, a estomatite crônica felina é uma das condições mais dolorosas e debilitantes da espécie, frequentemente associada a resposta imunológica exacerbada contra a placa bacteriana dentária. Em cães, a estomatite pode ser consequência de doença periodontal avançada, infecções virais, doenças autoimunes ou uremia. O tratamento varia conforme a causa e pode incluir desde higiene oral intensiva até extrações dentárias extensas nos casos felinos graves.

F

Falência renal aguda, também chamada de injúria renal aguda (IRA), é a perda súbita e rápida da função renal, resultando em incapacidade dos rins de filtrar resíduos metabólicos, controlar o equilíbrio hidroeletrolítico e manter o pH sanguíneo. É uma emergência médica grave em cães e gatos. As causas são diversas, incluindo intoxicações, desidratação severa, infecções e doenças sistêmicas. Com tratamento intensivo precoce, a recuperação da função renal é possível, mas os casos graves podem evoluir para doença renal crônica ou óbito.

FaringiteDoença

Faringite é a inflamação da faringe, região da garganta localizada entre a cavidade oral e o esôfago/laringe. Em cães e gatos, pode ser causada por infecções virais ou bacterianas, irritantes físicos ou químicos, corpo estranho e doenças sistêmicas que afetam as vias aéreas superiores. Os sinais clínicos incluem dificuldade para engolir, tosse, salivação excessiva e desconforto ao abrir a boca. Na maioria dos casos, a faringite responde bem ao tratamento com antibióticos e anti-inflamatórios, mas é fundamental afastar causas subjacentes mais graves.

FebreSintoma

Febre é o aumento da temperatura corporal acima dos valores normais, funcionando como resposta do organismo a infecções, inflamações ou outras condições patológicas. Em cães, a temperatura normal varia entre 38 °C e 39,2 °C; em gatos, entre 38 °C e 39,5 °C. Embora seja um mecanismo de defesa natural, a febre persistente ou muito elevada pode causar danos aos órgãos e exige atenção veterinária imediata. O diagnóstico da causa subjacente é fundamental para o tratamento correto.

A Leucemia Felina (FeLV) é uma doença viral grave causada pelo Vírus da Leucemia Felina, um gammaretrovírus que afeta exclusivamente gatos. O vírus compromete o sistema imunológico, causa anemia, imunossupressão severa e pode induzir o desenvolvimento de linfomas e leucemias. Ao contrário do FIV, o FeLV é altamente contagioso e pode ser transmitido por contato próximo entre gatos. É uma das principais causas de morte em felinos domésticos e seu controle depende de vacinação, testes regulares e separação de animais positivos.

Feocromocitoma é um tumor neuroendócrino raro que se origina nas células cromafins da medula adrenal (parte interna da glândula suprarrenal). O tumor produz e libera catecolaminas em excesso — principalmente adrenalina e noradrenalina — causando crises de hipertensão arterial grave, taquicardia e sinais cardiovasculares agudos. Afeta principalmente cães de meia-idade a idosos. O diagnóstico é desafiador pois os sinais podem ser episódicos e inespecíficos. O tratamento de eleição é a remoção cirúrgica do tumor (adrenalectomia), procedimento de alto risco que exige preparo intensivo.

Filariose cardiopulmonar, também conhecida como dirofilariose ou 'verme do coração', é uma doença parasitária causada pelo nematoide Dirofilaria immitis. Os vermes adultos habitam o coração direito e as artérias pulmonares dos cães, podendo causar insuficiência cardíaca e morte. A transmissão ocorre pela picada de mosquitos infectados. O Brasil possui zonas endêmicas, especialmente em regiões de clima tropical e subtropical. Em gatos, a doença é menos frequente, porém mais grave. A prevenção com antiparasitários mensais é altamente eficaz e deve ser iniciada desde filhote.

Fístula perianal é uma doença inflamatória crônica caracterizada pela formação de tratos ulcerados e comunicantes na pele ao redor do ânus. Afeta principalmente cães da raça Pastor Alemão, embora possa ocorrer em outras raças e ocasionalmente em gatos. A condição é debilitante, causa dor intensa, dificuldade para defecar e comprometimento grave da qualidade de vida. Acredita-se que a doença tenha base imunomediada, com influência da conformação anatômica da região caudal do cão.

Veja também:febreflatulencia

A Imunodeficiência Felina (FIV) é uma doença viral crônica que afeta exclusivamente gatos, causada por um lentivírus da família Retroviridae. O vírus ataca e destrói progressivamente os linfócitos T CD4+, comprometendo o sistema imunológico do animal de forma semelhante ao HIV em humanos. Gatos com FIV podem viver anos sem sintomas evidentes, mas ao longo do tempo ficam vulneráveis a infecções oportunistas, doenças neurológicas e neoplasias. O FIV não é transmissível a humanos nem a outras espécies animais.

Flatulência é a produção e eliminação excessiva de gases pelo trato gastrointestinal, manifestada pelos conhecidos 'peidos' e, em alguns casos, distensão abdominal. Embora seja considerada normal em pequenas quantidades, a flatulência excessiva pode indicar desequilíbrio na microbiota intestinal, intolerância alimentar ou doença gastrointestinal subjacente. Afeta cães e gatos de todas as idades, sendo mais comum em raças braquicefálicas (que ingerem mais ar ao comer) e animais com dieta inadequada. Na maioria dos casos, é benigna e responde bem a ajustes alimentares.

Fratura óssea é a ruptura parcial ou total da continuidade de um osso, resultante de trauma, sobrecarga mecânica ou doenças que enfraquecem a estrutura óssea. Em cães e gatos, as fraturas são ocorrências comuns, especialmente em filhotes ativos e animais que sofrem acidentes automobilísticos. O tratamento varia conforme o tipo, a localização e a gravidade da fratura, podendo incluir desde imobilização com tala até cirurgia ortopédica com placas e pinos. A intervenção precoce é fundamental para garantir a recuperação funcional do membro.

G

Galactorreia é a produção e secreção de leite ou secreção leitosa pelas glândulas mamárias fora do contexto de gestação ou amamentação normais. Em cadelas e gatas, pode ocorrer em situações como pseudogestação, uso de medicamentos que elevam a prolactina, ou neoplasias hipofisárias produtoras do hormônio. O sinal pode ser acompanhado de comportamento maternal, letargia, anorexia e, nas fêmeas com pseudogestação, adoção de objetos como filhotes. Embora frequentemente benigna, a galactorreia deve ser investigada para excluir causas que exijam tratamento específico.

GastriteDoença

Gastrite é a inflamação da mucosa do estômago e uma das queixas digestivas mais comuns em cães e gatos. Pode se manifestar de forma aguda, com vômitos súbitos após ingestão de alimentos inadequados, ou crônica, com episódios recorrentes que indicam um problema subjacente persistente. As causas variam de simples indiscrição alimentar a infecções bacterianas, parasitárias e autoimunes. O tratamento depende da origem e da gravidade, indo de dieta branda e hidratação oral até internação e medicação específica nos casos mais intensos.

Gastroenterite é a inflamação simultânea do estômago e do intestino, manifestando-se tipicamente por vômitos, diarreia e dor abdominal. É uma das condições mais frequentes na clínica de pequenos animais e pode ter origem infecciosa, parasitária, alimentar ou tóxica. A gravidade varia amplamente: casos leves resolvem com alguns dias de dieta branda, enquanto formas hemorrágicas — como a síndrome de gastroenterite hemorrágica — constituem emergências com risco de vida, especialmente pela desidratação rápida e queda do hematócrito.

GastropexiaCirurgia

Gastropexia é um procedimento cirúrgico que fixa permanentemente o estômago à parede abdominal direita, prevenindo a torção gástrica (Síndrome Dilatação-Vólvulo Gástrica — GDV). É amplamente indicada como medida preventiva em raças grandes e gigantes com peito profundo e estreito, que têm alto risco de desenvolver essa condição fatal. A cirurgia pode ser realizada de forma isolada como prevenção — frequentemente junto à castração — ou como parte do tratamento de emergência após um episódio de GDV. A gastropexia profilática reduz o risco de torção gástrica em mais de 95%, sendo considerada o padrão de cuidado em raças predispostas.

GiardíaseDoença

Giardíase é uma infecção intestinal causada pelo protozoário <em>Giardia duodenalis</em>, que coloniza o intestino delgado de cães, gatos e humanos. A transmissão ocorre pela ingestão de água ou alimentos contaminados com cistos do parasita, sendo muito comum em ambientes com alta densidade animal. A doença se manifesta principalmente por diarreia pastosa ou aquosa, muitas vezes intermitente e com odor fétido característico. Embora muitos animais sejam portadores assintomáticos, filhotes e indivíduos imunodeprimidos podem desenvolver quadros graves com comprometimento do estado nutricional.

Gibosidade é a curvatura exagerada da coluna vertebral no plano dorsal (cifose), formando o aspecto de "corcunda" característico. Em cães e gatos, pode ser de origem congênita, postural em resposta à dor abdominal ou espinhal, ou secundária a doenças que afetam as vértebras ou a musculatura paravertebral. A postura cifótica — costas arqueadas e abdômen recolhido — é frequentemente um sinal de dor, especialmente em gatos com doença abdominal ou artrite. Identificar e tratar a causa subjacente é fundamental, pois a gibosidade em si raramente é o problema principal, sendo quase sempre uma manifestação de outra condição.

GingiviteDoença

Gingivite é a inflamação da gengiva causada principalmente pelo acúmulo de placa bacteriana e tártaro nas superfícies dentárias. É o estágio inicial e reversível da doença periodontal, afetando a maioria dos cães e gatos com mais de três anos de idade quando não recebem higiene oral adequada. A gengiva inflamada apresenta-se vermelha, edemaciada e sangrante ao toque. Embora reversível com limpeza profissional e cuidados em casa, a gingivite não tratada progride para periodontite — estágio irreversível com destruição do osso alveolar e perda de dentes.

GlaucomaDoença

Glaucoma é o aumento da pressão intraocular acima dos valores normais, causando dano progressivo ao nervo óptico e, se não tratado, cegueira irreversível. Em cães, é uma das principais causas de perda visual e pode se manifestar de forma aguda, com dor ocular intensa, ou crônica, com perda gradual da visão. Em gatos, o glaucoma é menos frequente que em cães, mas igualmente grave. O diagnóstico precoce e o tratamento imediato são fundamentais para preservar a visão e o conforto do animal, pois a pressão elevada causa danos irreversíveis ao nervo óptico em horas a dias.

Glomerulonefrite é a inflamação dos glomérulos — as estruturas filtrantes dos rins — geralmente causada pelo depósito de complexos imunes na parede dos vasos glomerulares. É uma causa importante de doença renal crônica em cães e, em menor frequência, em gatos. A condição compromete a capacidade de filtração renal, permitindo que proteínas, especialmente a albumina, extravasem para a urina (proteinúria). A proteinúria maciça leva à síndrome nefrótica, com edema, hipoalbuminemia e hipercolesterolemia. O diagnóstico requer biópsia renal para confirmação e o prognóstico depende da causa subjacente e do estágio renal no momento do diagnóstico.

Granuloma de lambedura, também conhecido como dermatite acral por lambedura, é uma lesão cutânea crônica causada pela lambedura compulsiva e repetitiva de uma região específica do corpo, geralmente os membros. A lambedura constante provoca espessamento da pele, alopecia e formação de placa ulcerada ou fibrótica que resiste à cicatrização. A condição tem componentes físicos (prurido, dor, infecção) e comportamentais (ansiedade, tédio, compulsão). O tratamento eficaz exige abordar ambas as dimensões simultaneamente, tornando o manejo uma das situações mais desafiadoras da dermatologia e comportamento veterinário.

H

Hematoma auricular é o acúmulo de sangue entre a cartilagem e a pele da orelha (pavilhão auricular), formando uma bolsa flutuante e dolorosa. Ocorre quando vasos sanguíneos da orelha se rompem por traumatismo, geralmente causado pelo próprio animal ao sacudir a cabeça ou coçar a orelha repetidamente. A causa subjacente mais frequente é a otite (inflamação do canal auditivo) que gera o desconforto que leva o animal a coçar. O tratamento requer drenagem do hematoma e, fundamentalmente, a resolução da causa de base para evitar recidivas.

HematúriaSintoma

Hematúria é a presença de sangue na urina, tornando-a avermelhada, rosada ou cor de "chá forte". Pode ser visível a olho nu (hematúria macroscópica) ou detectada apenas em exame laboratorial (hematúria microscópica). Em cães e gatos, é sempre um sinal de alerta que exige investigação veterinária. As causas vão desde infecções urinárias simples e calculose vesical até doenças graves como neoplasias renais e distúrbios de coagulação. A localização da hematúria no trato urinário — rim, bexiga, uretra ou próstata — e outros sinais associados orientam o diagnóstico.

HemofiliaDoença

Hemofilia é uma doença hemorrágica hereditária causada pela deficiência ou ausência de fatores de coagulação sanguínea, principalmente os fatores VIII (Hemofilia A) e IX (Hemofilia B). Em cães e gatos, a doença tem caráter recessivo ligado ao cromossomo X, afetando principalmente machos. Animais com hemofilia apresentam sangramentos prolongados após traumas, cirurgias ou mesmo espontaneamente. A gravidade depende do nível residual do fator deficiente. O diagnóstico precoce é fundamental para evitar hemorragias potencialmente fatais em procedimentos rotineiros como castração ou extração dentária.

Hepatite infecciosa canina é uma doença viral causada pelo Adenovírus Canino tipo 1 (CAV-1), que provoca inflamação grave do fígado em cães. A transmissão ocorre por contato com urina, fezes ou secreções de animais infectados, sendo altamente contagiosa entre cães não vacinados. O quadro clínico varia de formas leves e subclínicas até apresentações fulminantes com falência hepática e morte em menos de 24 horas. A vacinação é a forma mais eficaz de prevenção, estando incorporada às vacinas polivalentes utilizadas na rotina veterinária.

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Hérnia umbilical é a protrusão de gordura abdominal ou de alças intestinais através de uma abertura (defeito) no anel umbilical, formando um nódulo macio e palpável na região do umbigo. É uma das anomalias congênitas mais comuns em cães e gatos, com componente hereditário reconhecido em algumas raças. A maioria das hérnias umbilicais pequenas é assintomática e contém apenas gordura, podendo ser corrigida eleitoralmente durante a castração. Hérnias maiores ou encarceradas — com conteúdo intestinal preso e sem retorno — representam emergência cirúrgica.

Hipertensão arterial é a elevação persistente da pressão sanguínea nos vasos, podendo causar danos graves a órgãos-alvo como rins, olhos, coração e cérebro. Em cães e gatos, raramente é primária (idiopática); na maioria das vezes é secundária a outra doença de base. Os animais hipertensos frequentemente não apresentam sinais clínicos evidentes até que a lesão orgânica esteja avançada, razão pela qual a doença é chamada de "assassina silenciosa". O diagnóstico precoce por meio de aferição regular da pressão arterial é fundamental para prevenir sequelas irreversíveis.

Hipertiroidismo é a endocrinopatia mais comum em gatos idosos, causada pela produção excessiva de hormônios pela glândula tireoide, geralmente por hiperplasia nodular benigna ou adenoma. O excesso hormonal acelera o metabolismo, causando perda de peso apesar do apetite aumentado, agitação, taquicardia e hipertensão arterial. A condição afeta tipicamente gatos acima de 10 anos e, se não tratada, leva a cardiomiopatia hipertrófica e insuficiência renal progressiva. O diagnóstico é simples e o tratamento oferece excelente qualidade de vida quando iniciado precocemente.

Hipoadrenocorticismo, ou doença de Addison, é a deficiência na produção de hormônios pelo córtex adrenal — principalmente glicocorticoides (cortisol) e mineralocorticoides (aldosterona). Em cães, é uma doença autoimune na maioria dos casos, afetando especialmente fêmeas jovens de raças como Caniche e Beagle. A doença pode se manifestar de forma crônica e insidiosa ou como crise addisoniana aguda, uma emergência com risco de vida. A grande variedade de sintomas inespecíficos dificulta o diagnóstico, levando ao apelido de "o grande imitador" na medicina veterinária.

Hipoglicemia é a queda da concentração de glicose no sangue abaixo dos níveis necessários para o funcionamento normal do organismo. O cérebro é altamente dependente de glicose e os sinais neurológicos surgem rapidamente, podendo evoluir para convulsões, coma e morte sem intervenção imediata. Em cães e gatos, as causas são variadas — desde jejum prolongado em filhotes até insulinoma, excesso de insulina em diabéticos ou doenças hepáticas graves. Reconhecer os sinais precocemente e saber o que fazer nos primeiros minutos pode salvar a vida do animal.

Hipotireoidismo é a deficiência de hormônios tireoidianos (T3 e T4) causada principalmente pela destruição autoimune ou idiopática da glândula tireóide. É a endocrinopatia mais comum em cães, com predisposição em raças como Golden Retriever, Labrador, Dobermann, Cocker Spaniel e Boxer. Os hormônios tireoidianos regulam o metabolismo de praticamente todos os sistemas orgânicos. Sua deficiência causa metabolismo lento com manifestações variadas: letargia, ganho de peso sem aumento de apetite, intolerância ao frio, bradicardia, alopecia bilateral simétrica e alterações dermatológicas características. O tratamento com levotiroxina (T4 sintético) oral é altamente eficaz, seguro e necessita ser mantido por toda a vida do animal. A maioria dos cães apresenta melhora dramática em semanas após o início do tratamento.

Hipotiroidismo é a deficiência na produção de hormônios pela glândula tireoide em cães, resultando em metabolismo lento e comprometimento de múltiplos sistemas orgânicos. É a endocrinopatia mais comum em cães adultos, com maior prevalência em raças de médio e grande porte. A causa mais frequente é a destruição autoimune da tireoide (tireoidite linfocítica) ou atrofia idiopática do órgão. Os sinais clínicos são variados e de instalação insidiosa, muitas vezes confundidos com envelhecimento natural, o que pode atrasar o diagnóstico por meses ou anos.

I
IcteríciaSintoma

Icterícia é o amarelamento das mucosas, da pele e da esclera (branco dos olhos) causado pelo acúmulo de bilirrubina no sangue e nos tecidos. Não é uma doença em si, mas um sinal clínico importante que indica alteração no metabolismo da bilirrubina — substância produzida pela destruição normal das hemácias e processada pelo fígado. Em cães e gatos, a icterícia pode ter origem pré-hepática (destruição excessiva de hemácias), hepática (disfunção do fígado) ou pós-hepática (obstrução do fluxo biliar). O diagnóstico da causa subjacente é urgente, pois algumas etiologias são rapidamente fatais sem tratamento imediato.

O íleo paralítico, também chamado de íleo adinâmico, é a cessação do peristaltismo intestinal sem obstrução mecânica, levando ao acúmulo de gás e líquido no interior do trato digestivo. Em cães e gatos, ocorre frequentemente como complicação de cirurgias abdominais, peritonite, pancreatite grave, distúrbios eletrolíticos ou uso de certos medicamentos. A paralisia intestinal provoca distensão abdominal progressiva, dor, vômitos e desidratação. Se não tratada, pode evoluir para isquemia intestinal e ruptura, com risco de vida imediato. O diagnóstico precoce por exame radiográfico e o tratamento com suporte intensivo e estímulo da motilidade intestinal são determinantes para o prognóstico.

Infecção do trato urinário (ITU) é a proliferação de microrganismos — principalmente bactérias — na bexiga, uretra ou rins de cães e gatos. É uma das afecções mais comuns na rotina veterinária, especialmente em cadelas adultas e em gatos com doença renal subjacente. Os sinais clássicos incluem aumento da frequência urinária, esforço para urinar, urina com odor forte ou sangue visível e, nos casos mais graves, febre e dor abdominal. O diagnóstico precoce evita que a infecção se dissipe para os rins e cause pielonefrite, uma complicação grave que compromete a função renal.

A candidíase é uma infecção fúngica causada por leveduras do gênero Candida, sendo a Candida albicans a espécie mais comum. Em cães e gatos, a candidíase sistêmica é rara, mas a forma localizada — afetando pele, mucosas orais, genitais ou ouvidos — ocorre principalmente em animais imunocomprometidos ou em tratamento prolongado com antibióticos ou corticoides. O fungo Candida faz parte da microbiota normal de animais saudáveis, tornando-se patogênico apenas quando os mecanismos de defesa são comprometidos. O diagnóstico exige exame citológico ou cultura fúngica, e o tratamento com antifúngicos costuma ser eficaz quando a causa predisponente é corrigida.

Klebsiella pneumoniae é uma bactéria gram-negativa da família Enterobacteriaceae, normalmente presente em baixas concentrações na microbiota intestinal e do trato respiratório de animais e humanos. Em condições de imunossupressão, uso prolongado de antibióticos, internação hospitalar ou procedimentos invasivos, essa bactéria pode proliferar de forma oportunista e causar infecções graves em cães e gatos. As infecções por Klebsiella em pequenos animais acometem principalmente o trato urinário, o trato respiratório inferior (pneumonia) e feridas cirúrgicas ou traumáticas. Preocupa especialmente a capacidade da bactéria de adquirir genes de resistência antimicrobiana, incluindo betalactamases de espectro estendido (ESBL) e carbapenemases, tornando algumas cepas extremamente difíceis de tratar e com potencial zoonótico.

A infestação por carrapatos é a presença de ácaros hematófagos do gênero Rhipicephalus, Amblyomma, Ixodes ou outros sobre a pele e pelos de cães e gatos. Além do desconforto local, os carrapatos são vetores de doenças graves como erliquiose, babesiose, anaplasmose e a febre maculosa, que afetam tanto os animais quanto seus tutores. No Brasil, o carrapato marrom do cão (Rhipicephalus sanguineus) é o mais prevalente em ambiente urbano. A prevenção com antiparasitários adequados é fundamental, pois uma infestação não controlada pode evoluir para anemia grave e transmissão de hemoparasitas em questão de dias.

A insuficiência cardíaca congestiva (ICC) é a incapacidade do coração de bombear sangue em volume suficiente para atender às necessidades metabólicas do organismo, resultando em acúmulo de fluido nos pulmões, abdômen ou cavidades torácicas. É a principal causa de morte cardíaca em cães e a segunda em gatos. A doença evolui de forma progressiva, com períodos de estabilidade intercalados por episódios de descompensação. O reconhecimento precoce dos sinais — como tosse crônica, intolerância ao exercício e dificuldade respiratória — e o tratamento correto com medicamentos cardíacos são determinantes para a qualidade e duração de vida do paciente.

A insuficiência renal crônica (IRC) é a perda progressiva e irreversível da função dos rins ao longo de semanas, meses ou anos. É uma das doenças mais prevalentes em gatos idosos e também frequente em cães com idade avançada, representando uma das principais causas de morte nessas espécies. Os rins perdem a capacidade de filtrar toxinas, regular eletrólitos e produzir eritropoetina, levando ao acúmulo de ureia e creatinina no sangue, anemia e desequilíbrio hidroeletrolítico. O diagnóstico precoce e o manejo nutricional adequado prolongam significativamente a qualidade e o tempo de vida do paciente.

A intoxicação por paracetamol (acetaminofeno) é uma emergência toxicológica potencialmente fatal, especialmente em gatos, que carecem da enzima hepática necessária para metabolizar esse composto. Mesmo uma única dose pequena — como metade de um comprimido de 500 mg — pode causar dano hepático grave e destruição das hemácias em felinos. Cães também são sensíveis, mas toleram doses levemente maiores antes de manifestar toxicidade hepática e metemoglobinemia. A causa mais comum é o uso inadvertido do medicamento humano pelo tutor, sem orientação veterinária. O tratamento é urgente: quanto mais rápido iniciado, maiores as chances de sobrevivência.

A intoxicação por plantas é uma das emergências toxicológicas mais frequentes na rotina veterinária, pois muitas espécies ornamentais comuns em residências e jardins brasileiros contêm compostos tóxicos para cães e gatos. Desde irritantes de mucosas até hepatotoxinas e cardiotóxicos, o espectro de toxicidade é amplo. Plantas como comigo-ninguém-pode, lírio, antúrio, espirradeira, babosa (em excesso), azaleia e cebola representam riscos reais para pets curiosos. O reconhecimento rápido da planta ingerida, a estimativa da quantidade consumida e o atendimento veterinário imediato são fundamentais para o sucesso do tratamento e a sobrevivência do animal.

A intoxicação por warfarina e outros rodenticidas anticoagulantes é uma das emergências toxicológicas mais frequentes em medicina veterinária de pequenos animais. Esses venenos de rato inibem a vitamina K, essencial para a produção dos fatores de coagulação sanguínea, levando a hemorragias graves e potencialmente fatais 2 a 5 dias após a ingestão — quando as reservas de fatores de coagulação do organismo se esgotam. Cães são os mais afetados, geralmente por ingestão direta do veneno ou por intoxicação de relay (consumo de um roedor envenenado). A apresentação clínica inclui sangramento em diferentes locais — hematomas subcutâneos, hematúria, melena, epistaxe e hemotórax — sendo emergência que exige diagnóstico e tratamento imediatos com vitamina K1.

A irite, também chamada de uveíte anterior, é a inflamação da íris e do corpo ciliar — as estruturas anteriores da úvea, camada vascular média do olho. Manifesta-se por vermelhidão ocular, fotofobia, dor, lacrimejamento excessivo e, quando grave, pode levar a complicações como glaucoma, catarata e cegueira permanente. Em cães e gatos, a uveíte anterior pode ser de origem infecciosa (leptospirose, toxoplasmose, FIV, FeLV), imunomediada, traumática ou idiopática. O tratamento rápido e adequado é fundamental para preservar a visão, pois a inflamação intraocular mal controlada pode destruir as estruturas oculares em poucos dias.

J

Jejum pré-operatório é o período obrigatório sem ingestão de alimentos sólidos e, em alguns protocolos, de água, antes de um procedimento anestésico. Em cães e gatos, o jejum reduz o risco de regurgitação e aspiração do conteúdo gástrico para os pulmões durante a anestesia, prevenindo a pneumonia por aspiração, que pode ser fatal. O tempo recomendado varia conforme a espécie, a idade e o tipo de procedimento. De forma geral, cães e gatos adultos ficam de 8 a 12 horas sem comida. Filhotes e animais debilitados têm protocolos diferenciados com jejuns mais curtos para evitar hipoglicemia. O veterinário orienta individualmente antes de cada cirurgia.

JejuniteDoença

Jejunite é a inflamação do jejuno, a porção média do intestino delgado responsável pela maior parte da absorção de nutrientes, vitaminas e minerais. Em cães e gatos, pode ocorrer de forma isolada ou como parte de uma enteropatia difusa acometendo todo o intestino delgado. As causas incluem infecções virais e bacterianas, parasitoses, intolerâncias alimentares, doenças inflamatórias intestinais e efeitos adversos de medicamentos. Os sinais clínicos principais são diarreia com sangue ou muco, vômitos, dor abdominal, perda de peso e má absorção nutricional. O diagnóstico baseia-se em exames de fezes, ultrassonografia e, nos casos crônicos, biópsia intestinal. O tratamento varia conforme a causa identificada e pode incluir dieta restrita, antibióticos, antiparasitários e imunossupressores.

K
KetaminaMedicamento

Ketamina é um anestésico dissociativo amplamente utilizado em medicina veterinária para indução e manutenção de anestesia em cães, gatos e outros animais. Age bloqueando receptores NMDA no sistema nervoso central, produzindo um estado de inconsciência e analgesia sem depressão respiratória significativa, o que a torna segura em muitos cenários clínicos e de emergência. Em pequenos animais, a ketamina é frequentemente combinada com sedativos como medetomidina ou benzodiazepínicos para suavizar seus efeitos dissociativos — como rigidez muscular e movimentos oculares involuntários. Também é empregada em doses subanestésicas para controle da dor crônica e como parte de protocolos de anestesia total intravenosa, sendo um dos fármacos mais versáteis do arsenal anestésico veterinário.

L

Lambedura compulsiva é um comportamento repetitivo e excessivo em que o animal lambe insistentemente uma ou mais regiões do próprio corpo, causando lesões cutâneas progressivas conhecidas como granuloma de lambedura ou dermatite acral por lambedura. É mais comum em cães de grande porte, mas pode ocorrer em qualquer raça e também em gatos. O comportamento pode ter origem multifatorial: causas dermatológicas primárias (alergia, infecção, dor ortopédica), neurológicas ou comportamentais (ansiedade, compulsão, tédio). A investigação da causa subjacente é essencial para o tratamento eficaz, que frequentemente combina abordagem dermatológica, comportamental e medicamentosa.

Leishmaniose cutânea é uma forma de leishmaniose em que o parasita do gênero Leishmania se concentra principalmente na pele, causando lesões ulcerativas, nodulares ou crostosas sem o comprometimento visceral grave característico da forma visceral. No Brasil, é causada principalmente por espécies como Leishmania braziliensis e Leishmania major. Em cães, a manifestação cutânea frequentemente coexiste com a forma visceral, sendo uma das expressões da leishmaniose canina. As lesões de pele aparecem em focinho, orelhas, ao redor dos olhos e nas extremidades dos membros, e o diagnóstico diferencial com outras dermatopatias é fundamental para o manejo correto.

Leishmaniose visceral é uma doença parasitária crônica causada pelo protozoário Leishmania infantum, transmitida principalmente pela picada do flebotomíneo Lutzomyia longipalpis, popularmente chamado de mosquito-palha ou birigui. Cães são os principais reservatórios domésticos do parasita, sendo fundamental o controle da doença no ambiente canino para reduzir o risco à saúde pública. A infecção compromete órgãos como fígado, baço, medula óssea, rins e linfonodos. Os sinais clínicos variam de animais assintomáticos a quadros graves com emagrecimento progressivo, lesões de pele, insuficiência renal e morte. O diagnóstico precoce e o manejo correto são essenciais para o bem-estar do animal e para o controle da zoonose.

Leptospirose é uma doença infecciosa causada por bactérias do gênero Leptospira, transmitida principalmente pelo contato com urina de animais infectados, especialmente roedores. Afeta cães, humanos e diversos mamíferos, sendo uma importante zoonose de notificação obrigatória no Brasil. A bactéria penetra no organismo por mucosas ou pele com feridas, disseminando-se pela corrente sanguínea e atingindo principalmente rins e fígado. Os quadros variam de infecção assintomática a insuficiência renal aguda grave, hemorragias e óbito. A vacinação anual é o principal meio de prevenção em cães.

A leucemia felina é uma doença causada pelo vírus da leucemia felina (FeLV), um retrovírus que compromete o sistema imunológico de gatos, predispondo-os a infecções oportunistas, anemia e neoplasias hematopoiéticas. É transmitida pelo contato próximo entre gatos, principalmente por saliva, leite materno e sangue. O FeLV é uma das causas mais comuns de morte em gatos domésticos. Gatos infectados podem viver anos assintomáticos, mas permanecem fontes de infecção para outros felinos. A vacinação e o teste periódico são as principais ferramentas de controle da doença.

Linfadenomegalia é o aumento de volume dos linfonodos (gânglios linfáticos) além do tamanho considerado normal para a espécie, raça e região anatômica. Pode ser localizada — afetando apenas um grupo de linfonodos próximo a um foco de inflamação ou infecção — ou generalizada, quando múltiplos grupos são acometidos simultaneamente. O aumento de linfonodos é um sinal clínico, não um diagnóstico. Suas causas são variadas, desde infecções bacterianas e virais a reações vacinais, doenças autoimunes e neoplasias. A investigação da causa subjacente é fundamental para orientar o tratamento correto.

LinfomaDoença

Linfoma é uma neoplasia maligna do sistema linfático, originada na proliferação descontrolada de linfócitos ou seus precursores. É um dos cânceres mais comuns em cães e também frequente em gatos, podendo afetar linfonodos, baço, fígado, trato gastrointestinal e outros órgãos. Em cães, o linfoma multicêntrico — com aumento generalizado de linfonodos — é a forma mais prevalente. Em gatos, a forma gastrointestinal predomina. O diagnóstico precoce e a quimioterapia são fundamentais para aumentar a sobrevida e a qualidade de vida dos pacientes oncológicos.

Lipidose hepática felina é uma grave doença do fígado causada pelo acúmulo anormal de gordura nas células hepáticas (hepatócitos), levando à disfunção progressiva do órgão. É a hepatopatia mais comum em gatos e desenvolve-se tipicamente quando o animal passa por período de anorexia prolongada, mobilizando grandes quantidades de gordura corporal para o fígado. A condição pode ser primária (sem causa identificada) ou secundária a doenças subjacentes como diabetes mellitus, pancreatite, doença inflamatória intestinal ou estresse intenso. O diagnóstico e o tratamento precoce com suporte nutricional agressivo são fundamentais para a sobrevivência do animal.

LipomaDoença

Lipoma é um tumor benigno formado por células adiposas (gordurosas) que se acumulam sob a pele, formando um nódulo mole, bem delimitado e geralmente indolor. É uma das massas cutâneas mais comuns em cães de meia-idade e idosos, sendo rara em gatos. Apesar de benigno na maioria dos casos, o lipoma merece atenção veterinária para diferenciá-lo de tumores malignos com aparência semelhante, como o lipossarcoma. O crescimento progressivo, a localização em região de movimento ou compressão de estruturas, pode justificar a remoção cirúrgica mesmo em tumores benignos.

Luxação de patela é o deslocamento da "rótula" do joelho do cão ou gato para fora do sulco troclear onde ela normalmente desliza. É uma das alterações ortopédicas mais comuns em pequenos animais, especialmente em cães de raças pequenas como Yorkshire Terrier, Poodle, Lulu da Pomerânia e Maltês, embora também ocorra em raças grandes. A condição pode ser congênita (presente desde o nascimento) ou traumática. É classificada em quatro graus de gravidade, desde a luxação ocasional sem dor (grau I) até a luxação permanente com deformidade óssea grave (grau IV). Casos moderados a graves necessitam de correção cirúrgica para preservar a função do membro e evitar artrite precoce.

Luxação de patela é o deslocamento da patela (rótula) para fora do sulco troclear do fêmur, comprometendo o mecanismo extensor do joelho. É uma das afecções ortopédicas mais comuns em cães, especialmente em raças de pequeno porte como Poodle, Yorkshire, Maltês, Lulu da Pomerânia e Chihuahua. A condição pode ser congênita ou adquirida por trauma, sendo classificada em graus de I a IV conforme a gravidade do deslocamento. Casos leves podem ser monitorados, enquanto graus III e IV geralmente exigem correção cirúrgica para restaurar a função normal do membro e prevenir artrose progressiva.

M
MastiteDoença

Mastite é a inflamação das glândulas mamárias, mais comum em cadelas e gatas que estão amamentando ou em pseudociese (gravidez psicológica). A doença pode ser aguda, com sinais sistêmicos graves, ou crônica, com evolução mais lenta e discreta. A causa principal é a infecção bacteriana, geralmente por Staphylococcus, Streptococcus ou Escherichia coli, que penetram pelo ducto mamário ou por feridas na mama. O tratamento precoce com antibióticos é fundamental para evitar abscesso, septicemia e comprometimento permanente das glândulas.

Mastocitoma é o tumor de mastócitos, um dos tipos de células do sistema imune presentes na pele e tecidos conjuntivos. É o tumor cutâneo maligno mais comum em cães, respondendo por 16 a 21% de todos os tumores de pele nessa espécie. Em gatos, é o segundo tumor cutâneo mais frequente. A apresentação é variada: pode parecer um cisto inocente, um nódulo firme ou uma massa ulcerada. A liberação de histamina pelos mastócitos tumorais causa sinais sistêmicos como urticária, ulceração gastrointestinal e hipotensão. O grau histológico do tumor é o principal determinante do prognóstico e do tratamento.

Megaesôfago é a dilatação anormal e persistente do esôfago acompanhada de hipomotilidade (redução ou ausência dos movimentos peristálticos), o que impede o transporte eficiente do alimento para o estômago. A consequência mais imediata é a regurgitação passiva de alimento não digerido, que pode ser confundida com vômito. Afeta principalmente cães, podendo ser congênito (presente desde o nascimento) ou adquirido (secundário a outras doenças). O risco mais grave é a pneumonia por aspiração, decorrente de alimento regurgitado que entra nas vias aéreas. O manejo dietético e postural é fundamental, pois não há cura definitiva na maioria dos casos.

MelanomaDoença

Melanoma é um tumor maligno originado dos melanócitos, células produtoras de pigmento. Em cães, é um dos tumores orais mais comuns e tem comportamento altamente agressivo, com grande potencial de metástase para linfonodos e pulmões. Em gatos, é menos frequente, mas igualmente grave. A localização determina muito o prognóstico: melanomas cutâneos podem ter comportamento mais benigno, enquanto os orais e digitais (na base das unhas) são quase sempre malignos. O diagnóstico precoce e a cirurgia ampla são os pilares do tratamento, e a vacinação antimelanoma já está disponível para cães.

MeningiteDoença

Meningite é a inflamação das meninges, as membranas que revestem o encéfalo e a medula espinhal. Em cães e gatos, pode ser causada por agentes infecciosos (bactérias, vírus, fungos, protozoários) ou ter origem imunomediada, como na Meningite-Arterite Responsiva a Esteróides (MARE), mais comum em cães jovens de raças específicas. Os sinais clínicos incluem dor cervical intensa, hiperestesia (sensibilidade exacerbada ao toque), febre, rigidez de nuca e alterações neurológicas variáveis. A meningite é uma emergência neurológica que exige diagnóstico rápido por análise do líquido cefalorraquidiano e tratamento imediato para evitar danos neurológicos permanentes.

Miastenia gravis é uma doença da junção neuromuscular em que anticorpos destroem os receptores de acetilcolina, impedindo que os impulsos nervosos gerem contração muscular eficiente. Em cães e gatos, manifesta-se principalmente como fraqueza muscular progressiva que piora com o exercício e melhora com o repouso — fenômeno chamado de fadiga muscular patológica. A forma adquirida é autoimune e a mais comum em animais adultos; a forma congênita ocorre em filhotes jovens. Um sinal muito característico em cães é o megaesôfago (esôfago dilatado por fraqueza muscular), que causa regurgitação frequente e risco de pneumonia aspirativa. O diagnóstico e tratamento precoces são fundamentais para o prognóstico.

Miastenia gravis é uma doença neuromuscular autoimune na qual anticorpos bloqueiam os receptores de acetilcolina na junção neuromuscular, comprometendo a transmissão do impulso nervoso para os músculos. O resultado é fraqueza muscular que piora com o exercício e melhora com o repouso. Em cães, a forma adquirida é mais comum e pode ser focal (afetando apenas o esôfago, causando megaesôfago) ou generalizada (causando fraqueza de membros, disfagia e colapso em exercício). Em gatos é rara. O diagnóstico é confirmado por testes específicos e o tratamento com anticolinesterásicos geralmente proporciona boa resposta clínica.

Veja também:megaesofagotimoma

Micoplasmose felina é uma doença infecciosa causada por bactérias do gênero Mycoplasma, principalmente Mycoplasma haemofelis (anteriormente Haemobartonella felis), que parasitam os glóbulos vermelhos de gatos. A infecção provoca anemia hemolítica, cuja gravidade varia conforme a carga parasitária e o estado imunológico do animal. A transmissão ocorre principalmente por pulgas e carrapatos, além de arranhões entre gatos e via transplacentária. Gatos imunossuprimidos, como os infectados pelo vírus da imunodeficiência felina (FIV) ou leucemia felina (FeLV), são os mais gravemente afetados. O tratamento com antibióticos específicos geralmente é eficaz, mas o parasita pode permanecer latente no organismo.

Miíase, popularmente conhecida como bicheira, é a infestação de tecidos vivos por larvas de moscas, principalmente da espécie Cochliomyia hominivorax. Ocorre quando moscas depositam ovos em feridas, mucosas ou áreas úmidas do corpo do animal, e as larvas eclodem e se alimentam dos tecidos vivos. A condição é mais comum em animais com feridas abertas, pele úmida cronicamente ou higiene deficiente, especialmente em períodos quentes e úmidos. Sem tratamento, as larvas aprofundam-se nos tecidos causando destruição extensa, infecção secundária grave e risco de óbito.

MiositeDoença

Miosite é a inflamação do tecido muscular esquelético, que pode ser de origem infecciosa, imunomediada, parasitária ou traumática. Em cães, as formas mais relevantes clinicamente são a miosite dos músculos mastigatórios (MMM) e a polimiosite imunomediada, ambas de origem autoimune e que causam dor, fraqueza e atrofia muscular. Os sinais clínicos variam conforme os músculos afetados e a causa: dificuldade para abrir ou fechar a boca na MMM, fraqueza de membros e disfagia na polimiosite, e sinais sistêmicos quando há causa infecciosa subjacente. O diagnóstico exige biópsia muscular e testes específicos para identificar a causa, e o tratamento com imunossupressores geralmente é eficaz nas formas autoimunes.

MixedemaDoença

Mixedema é o acúmulo de mucopolissacarídeos no tecido subcutâneo, resultando em inchaço firme e não depressível, geralmente associado ao hipotireoidismo grave ou crônico. Em cães, o mixedema é uma manifestação dermatológica do hipotireoidismo, caracterizado pelo espessamento da pele no dorso do nariz, face e pescoço com aparência facial "trágica" ou "sonolenta". A forma mais grave, o coma mixedematoso, é uma emergência endocrinológica rara que pode ocorrer em cães com hipotireoidismo não diagnosticado ou insuficientemente tratado, manifestando-se com hipotermia grave, bradicardia, estupor e depressão do nível de consciência. O tratamento com hormônio tireoidiano é a base da conduta.

N

Nanismo hipofisário é uma condição endócrina rara causada pela deficiência de hormônio do crescimento (GH) produzido pela hipófise, resultando em crescimento corporal acentuadamente reduzido. Em cães, afeta principalmente o Pastor Alemão e o Spitz Alemão, com transmissão hereditária autossômica recessiva. Os filhotes afetados nascem com tamanho normal, mas param de crescer adequadamente nas primeiras semanas de vida. Além do crescimento retardado, a deficiência de GH causa atraso na troca do pelo, desenvolvimento retardado de dentes permanentes, proporções corporais infantis mantidas na vida adulta e deficiências hormonais associadas que impactam a qualidade de vida e a sobrevida do animal.

A necrose avascular da cabeça femoral, também conhecida como doença de Legg-Calvé-Perthes ou osteonecrose da cabeça femoral, é uma condição ortopédica que acomete principalmente cães de raças pequenas e miniaturas. Ocorre pela interrupção do suprimento sanguíneo para a cabeça do fêmur, resultando em necrose óssea, colapso estrutural e artrite degenerativa dolorosa do quadril afetado. A etiologia exata não é completamente compreendida, mas fatores genéticos, vasculares e hormonais estão implicados. Acomete tipicamente animais jovens entre 4 e 12 meses de idade, com predomínio em raças como Poodle, Yorkshire Terrier, Cairn Terrier e West Highland White Terrier. O tratamento cirúrgico é frequentemente necessário para restaurar a função e eliminar a dor.

NefriteDoença

Nefrite é a inflamação dos rins, podendo afetar os glomérulos (glomerulonefrite), os túbulos (nefrite tubulointersticial) ou o tecido intersticial renal. Em cães e gatos, é uma causa importante de insuficiência renal aguda ou crônica, com consequências potencialmente graves para o metabolismo e a filtração do sangue. As causas incluem infecções bacterianas, virais ou fúngicas, doenças imunomediadas, exposição a toxinas e uso prolongado de medicamentos nefrotóxicos. O diagnóstico precoce e o tratamento adequado são essenciais para preservar a função renal e a qualidade de vida do animal.

Nefropatia crônica, também denominada doença renal crônica (DRC), é a perda progressiva e irreversível da função renal que ocorre ao longo de meses a anos. É uma das doenças mais prevalentes em gatos idosos e também frequente em cães, sendo considerada a principal causa de morte em felinos acima de 10 anos. A doença se desenvolve silenciosamente, com os rins perdendo capacidade funcional antes de os sinais clínicos se tornarem evidentes. Quando os sintomas aparecem, geralmente mais de 75% da função renal já foi comprometida. O diagnóstico precoce por meio de exames regulares é a melhor estratégia para retardar a progressão e preservar a qualidade de vida.

Neoplasia é o crescimento anormal e descontrolado de células que formam uma massa chamada tumor. Em medicina veterinária, é uma das principais causas de morte em cães e gatos adultos e idosos, podendo afetar praticamente qualquer órgão ou tecido do corpo. Os tumores são classificados como benignos, quando crescem localmente sem invadir outros tecidos, ou malignos (cânceres), quando têm capacidade de invadir estruturas vizinhas e se disseminar pelo organismo. O diagnóstico precoce é fundamental para o sucesso do tratamento. Tutores que observam nódulos, perdas de peso inexplicadas ou alterações no comportamento do animal devem procurar avaliação veterinária sem demora.

NeuriteDoença

Neurite é a inflamação de um nervo periférico que resulta em dor, alteração de sensibilidade, fraqueza muscular ou paralisia na região inervada. Em cães e gatos, pode afetar nervos individuais (mononeurite) ou múltiplos nervos simultaneamente (polineurite), sendo causada por infecções, doenças autoimunes, traumas, deficiências nutricionais ou compressão mecânica. O quadro clínico varia conforme o nervo afetado e a gravidade da lesão. A identificação da causa subjacente é fundamental para o tratamento específico, já que sem o controle da inflamação o dano ao nervo pode ser permanente, resultando em atrofia muscular e perda funcional definitiva.

NistagmoSintoma

Nistagmo é o movimento involuntário, rítmico e repetitivo dos globos oculares, caracterizado por uma fase lenta em uma direção seguida de uma fase rápida em direção oposta. Em cães e gatos, é um sinal neurológico importante que indica disfunção do sistema vestibular, do cerebelo ou do tronco encefálico, requerendo avaliação veterinária urgente. Pode ser classificado conforme a direção do movimento (horizontal, vertical ou rotatório) e pela fase que denomina a direção do nistagmo (fase rápida). A presença de nistagmo, especialmente vertical ou variável, combinada com inclinação de cabeça, perda de equilíbrio e vômito, constitui uma síndrome vestibular que pode ter causas periféricas (ouvido interno) ou centrais (tronco encefálico e cerebelo).

NocardioseDoença

Nocardiose é uma infecção bacteriana causada por microrganismos do gênero Nocardia, bactérias filamentosas gram-positivas presentes no solo e na matéria orgânica em decomposição. Em cães e gatos, a infecção ocorre principalmente por inoculação direta através de feridas cutâneas contaminadas ou por inalação, podendo se disseminar para pulmões, sistema nervoso central e outros órgãos em animais imunocomprometidos. É considerada uma doença oportunista, afetando com maior frequência animais com deficiência imunológica causada por infecções virais como FIV felino, uso de imunossupressores ou outras doenças debilitantes. O diagnóstico é desafiador e o tratamento prolongado, geralmente por vários meses.

NoctúriaSintoma

Noctúria é o sintoma caracterizado pela necessidade de urinar durante a noite, levando o animal a acordar e interromper o sono para se aliviar ou, em casos mais graves, a urinar na cama ou em locais inadequados dentro de casa. Em cães e gatos, é considerada anormal e sempre indica alguma alteração fisiológica ou patológica subjacente que merece investigação veterinária. As causas variam desde condições simples como excesso de ingestão de água à noite até doenças sistêmicas sérias como diabetes mellitus, insuficiência renal, infecção urinária, síndrome de Cushing e comprometimento neurológico. O diagnóstico diferencial é amplo e requer avaliação clínica completa.

Nódulo cutâneo é uma elevação sólida, circunscrita e palpável na pele ou no tecido subcutâneo de cães e gatos, com diâmetro geralmente superior a 0,5 cm. Pode ser único ou múltiplo, de crescimento lento ou rápido, e sua origem é diversificada, abrangendo desde processos inflamatórios benignos até neoplasias malignas que exigem tratamento imediato. A avaliação veterinária de qualquer nódulo novo ou em crescimento é essencial para determinar sua natureza. Nunca se deve assumir que um caroço é inofensivo apenas por sua aparência, já que mastocitomas, lipomas e cistos sebáceos podem ter apresentação semelhante ao exame visual.

O
ObesidadeDoença

Obesidade é o acúmulo excessivo de gordura corporal que compromete a saúde e a qualidade de vida do animal. Em cães e gatos, considera-se obeso o pet com peso corporal superior a 20% do ideal, sendo hoje um dos problemas nutricionais mais frequentes nas clínicas veterinárias. A condição predispõe a diversas doenças secundárias, como diabetes mellitus, osteoartrite, doenças cardíacas, hipertensão e problemas respiratórios. O tratamento envolve dieta controlada, exercícios adaptados e acompanhamento veterinário regular para evitar recaídas.

Obstrução intestinal é o bloqueio total ou parcial do trânsito do conteúdo gastrointestinal, impedindo a passagem normal de alimentos, líquidos e gases pelo intestino. Em cães e gatos, a causa mais comum é a ingestão de corpo estranho, como brinquedos, ossos, meias e plásticos. A condição é uma emergência cirúrgica, pois a compressão vascular progressiva leva à necrose intestinal em poucas horas. Sinais como vômitos repetitivos, abdome distendido e dor abdominal intensa exigem avaliação veterinária imediata, pois o risco de morte aumenta rapidamente sem intervenção.

Obstrução uretral é o bloqueio completo ou parcial da uretra que impede a saída de urina da bexiga. Em gatos machos, a uretra é estreita e longa, tornando-os muito mais suscetíveis à obstrução do que fêmeas. É uma das emergências veterinárias mais frequentes na espécie felina e pode ser fatal em 24 a 48 horas se não tratada. A causa mais comum é o acúmulo de cristais, tampões uretrais (mucoproteína com cristais) ou espasmos musculares associados à doença do trato urinário inferior felino (DTUIF). A resolução exige cateterismo uretral de urgência, fluidoterapia intensiva e tratamento da causa subjacente para prevenir recidivas.

Orquiepididimite é a inflamação do testículo (orquite) e do epidídimo (epididimite), estruturas do aparelho reprodutor masculino. Em cães, pode ser causada por infecções bacterianas ascendentes da urina ou por doenças como brucelose canina (Brucella canis), traumatismos e neoplasias. A brucelose é a causa infecciosa mais importante, pois além de causar orquiepididimite grave com atrofia testicular e infertilidade, é uma zoonose transmissível ao ser humano. O diagnóstico precoce e o tratamento adequado são essenciais para preservar a fertilidade e proteger a saúde pública.

Osteoartrite (OA), também chamada de doença articular degenerativa, é a degeneração progressiva da cartilagem articular acompanhada de alterações no osso subcondral, formação de osteófitos e inflamação crônica da articulação. É a doença musculoesquelética mais comum em cães e gatos idosos. A condição causa dor crônica, rigidez articular e redução progressiva da mobilidade, impactando diretamente a qualidade de vida do animal. Embora não tenha cura, o manejo multimodal — que combina analgesia, fisioterapia, controle de peso e suplementação — pode retardar a progressão e manter o conforto por anos.

Osteomielite é a infecção do osso e da medula óssea, geralmente de origem bacteriana, podendo ser aguda ou crônica. Em cães e gatos, ocorre principalmente após fraturas expostas, cirurgias ortopédicas, feridas punctiformes profundas por mordidas e, menos frequentemente, pela disseminação hematogênica de infecções a distância. A condição é grave e de difícil tratamento, especialmente na forma crônica, quando o biofilme bacteriano sobre o osso ou implantes metálicos reduz drasticamente a eficácia dos antibióticos. O tratamento exige antibioticoterapia prolongada, desbridamento cirúrgico e, muitas vezes, remoção de implantes infectados.

Osteossarcoma é o tumor ósseo maligno primário mais frequente em cães, correspondendo a cerca de 85% de todas as neoplasias ósseas da espécie. Afeta predominantemente raças de grande e gigante porte, como Rottweiler, São Bernardo, Dogue Alemão e Golden Retriever, geralmente em animais de meia-idade a idosos. O tumor origina-se nas células formadoras de osso (osteoblastos) e tem comportamento altamente agressivo, com metástases pulmonares precoces presentes em 90% dos casos ao diagnóstico. O tratamento combina amputação do membro afetado e quimioterapia para controlar as micrometástases e prolongar a sobrevida.

Otite externa é a inflamação do canal auditivo externo, que se estende do pavilhão auricular até a membrana timpânica. É uma das condições mais frequentes na clínica veterinária de pequenos animais, sendo responsável por uma parcela significativa das consultas dermatológicas em cães e gatos. As causas são multifatoriais: fatores primários como alergias e parasitas iniciam o processo, enquanto fatores secundários (bactérias e fungos) mantêm e agravam a inflamação. O tratamento eficaz exige identificar e controlar a causa primária, além de tratar a infecção ativa com produtos tópicos e/ou sistêmicos adequados.

A otite interna é a inflamação do ouvido interno (labirinto), estrutura responsável pelo equilíbrio e audição nos animais. Em cães e gatos, é frequentemente secundária a otite média não tratada, sendo caracterizada por síndrome vestibular com inclinação da cabeça, perda de equilíbrio e queda para um lado. O diagnóstico exige exames de imagem como tomografia computadorizada ou ressonância magnética, pois o ouvido interno não é acessível ao otoscópio. O tratamento baseia-se em antibióticos sistêmicos de longa duração e, em casos graves, intervenção cirúrgica.

Ovariohisterectomia (OVH) é a cirurgia de castração feminina que consiste na remoção cirúrgica dos ovários e do útero. É o procedimento eletivo mais realizado em clínicas veterinárias de pequenos animais e é recomendado para cadelas e gatas como medida preventiva contra doenças reprodutivas e controle populacional. Além de eliminar os ciclos de cio, a OVH previne piometra (infecção uterina grave), tumores mamários (quando realizada precocemente), prenhez indesejada e pseudociese. O procedimento é seguro quando realizado por veterinário qualificado e o animal está em boas condições de saúde.

P

Pancreatite é a inflamação do pâncreas, órgão responsável pela produção de enzimas digestivas e hormônios reguladores da glicose, como a insulina. Em cães e gatos, a doença pode se manifestar de forma aguda — com início súbito e sintomas intensos — ou crônica, com episódios recorrentes que causam dano progressivo ao tecido pancreático. A condição é considerada uma das emergências abdominais mais frequentes na clínica de pequenos animais. O tratamento precoce reduz o risco de complicações graves como necrose pancreática, diabetes secundária e insuficiência pancreática exócrina. Dieta equilibrada e evitar alimentos gordurosos são pilares da prevenção.

Panleucopenia felina, também chamada de cinomose dos gatos ou parvovirose felina, é uma doença viral grave causada pelo Parvovírus felino (FPV). Afeta principalmente gatos jovens não vacinados, destruindo células de divisão rápida no intestino delgado e na medula óssea, resultando em gastroenterite severa e queda drástica de glóbulos brancos (panleucopenia). A doença tem alta contagiosidade e mortalidade, podendo atingir 90% em filhotes sem tratamento. O vírus é altamente resistente no ambiente e pode ser transmitido por objetos contaminados. A vacinação com a vacina V4 (quádrupla felina) é eficaz e amplamente recomendada como medida preventiva fundamental.

Parvovirose canina é uma doença viral altamente contagiosa causada pelo Parvovírus canino tipo 2 (CPV-2), que ataca principalmente o trato gastrointestinal de cães jovens não vacinados. O vírus destrói células de divisão rápida, especialmente as do intestino delgado e da medula óssea, causando gastroenterite hemorrágica grave e imunossupressão severa. A mortalidade sem tratamento pode ultrapassar 90% em filhotes. Com tratamento hospitalar intensivo iniciado precocemente, a sobrevivência melhora para 70 a 95%. A vacinação é eficaz, segura e a única forma confiável de prevenção — sendo considerada uma das vacinas essenciais para cães.

Peritonite infecciosa felina (PIF) é uma doença viral grave e progressiva causada por mutação do Coronavírus felino entérico (FCoV) em uma forma altamente patogênica. Afeta principalmente gatos jovens (entre 6 meses e 3 anos) e idosos, especialmente em ambientes com múltiplos felinos como gatils e abrigos. Historicamente considerada fatal em quase 100% dos casos, a PIF ganhou nova perspectiva com o desenvolvimento de antivirais como o GS-441524, que promovem remissão sustentada em grande parte dos pacientes tratados. O diagnóstico precoce e o acesso ao tratamento antiviral são hoje os principais determinantes do prognóstico.

PiometraDoença

Piometra é o acúmulo de pus no interior do útero, causado por infecção bacteriana que ocorre geralmente após o cio em fêmeas inteiras. A condição resulta da ação da progesterona no endométrio uterino, criando um ambiente propício para proliferação bacteriana, especialmente por Escherichia coli. É uma emergência cirúrgica que, sem tratamento, pode evoluir para septicemia e morte. A doença afeta principalmente cadelas de meia-idade a idosas, entre 4 e 8 semanas após o término do cio. Gatas também são afetadas, embora com menor frequência. A castração eletiva (ovário-histerectomia) é a forma mais eficaz de prevenção e também o tratamento de escolha nos casos agudos.

PneumoniaDoença

Pneumonia é a inflamação do parênquima pulmonar — os alvéolos e os tecidos de suporte dos pulmões — causando comprometimento da troca gasosa e dificuldade respiratória. Em cães e gatos, pode ser infecciosa (bacteriana, viral, fúngica ou parasitária) ou não infecciosa (aspiração, inalação de substâncias irritantes ou hipersensibilidade). A pneumonia bacteriana por aspiração é uma das formas mais graves e frequentes em pequenos animais, podendo surgir como complicação de vômito, disfagia ou procedimentos anestésicos. O diagnóstico e o tratamento precoces são essenciais para evitar evolução para insuficiência respiratória, septicemia e morte.

Policitemia é o aumento anormal da massa de glóbulos vermelhos (eritrócitos) no sangue, resultando em hematócrito elevado acima dos valores de referência para a espécie. Em cães, hematócritos superiores a 65% e, em gatos, acima de 55% são geralmente considerados policitemia. Pode ser relativa — causada por desidratação, que concentra as células sanguíneas sem aumentar sua produção — ou absoluta, com aumento real na produção de eritrócitos. A policitemia absoluta pode ser primária (neoplásica, chamada policitemia vera) ou secundária a causas como hipoxemia crônica, doenças renais produtoras de eritropoetina e neoplasias. O espessamento do sangue dificulta a circulação e pode causar trombose, convulsões e comprometimento de múltiplos órgãos.

PolidipsiaSintoma

Polidipsia é o aumento anormal da ingestão de água, geralmente acompanhado de poliúria (aumento do volume urinário). Em cães e gatos, é considerada polidipsia quando o consumo de água ultrapassa 100 ml/kg/dia em cães e 45 ml/kg/dia em gatos. Representa um sinal clínico importante que pode indicar diversas doenças sistêmicas graves. As causas mais comuns incluem diabetes mellitus, insuficiência renal crônica, síndrome de Cushing (hiperadrenocorticismo), piómetra, hepatopatias e hipertireoidismo felino. O diagnóstico da causa primária é fundamental, pois a polidipsia é um sintoma e não uma doença em si — o tratamento adequado depende da identificação correta da condição subjacente.

Prolapso retal é a eversão e exteriorização da mucosa ou de todas as camadas da parede do reto através do ânus, formando uma massa avermelhada visível externamente. Ocorre principalmente em filhotes e animais jovens como consequência de esforço excessivo para defecar ou urinar, frequentemente associado a parasitoses intestinais, diarreia persistente ou doenças do trato urinário inferior. O diagnóstico é clínico e imediato pela inspeção visual. O tratamento deve ser realizado com urgência para evitar necrose do tecido exteriorizado. Casos recentes e com tecido viável podem ser resolvidos com redução manual; casos graves ou recidivantes necessitam de cirurgia.

Pulgas são ectoparasitas hematófagos (sugadores de sangue) do gênero Ctenocephalides que infestam cães e gatos, causando desde simples incômodo e coceira intensa até doenças graves como dermatite alérgica à picada de pulga (DAPP), anemia em filhotes e transmissão de tênias e bartonella. A espécie mais comum é a Ctenocephalides felis, a pulga do gato, que também infesta cães e outros mamíferos. O controle eficaz exige tratamento simultâneo do animal e do ambiente, pois apenas 5% das pulgas vivem no hospedeiro — os demais 95% (ovos, larvas e pupas) estão espalhados pela casa. Produtos modernos como isoxazolinas oferecem proteção segura e de longa duração, sendo parte fundamental de um programa preventivo integrado.

Q

Alopecia é a perda de pelo em áreas que normalmente são cobertas, podendo ser localizada ou generalizada. Em cães e gatos, é um dos motivos mais frequentes de consulta dermatológica e pode indicar desde alergias até doenças hormonais graves. As causas são numerosas: parasitas, infecções fúngicas e bacterianas, alergias alimentares ou ambientais, distúrbios hormonais como hipotireoidismo e hiperadrenocorticismo, além de causas comportamentais como lambedura compulsiva. O diagnóstico correto é fundamental para o tratamento adequado. O prognóstico depende diretamente da causa subjacente. Muitas formas de alopecia são completamente reversíveis com o tratamento correto, enquanto outras, como a alopecia cicatricial, podem ser permanentes.

QueimaduraEmergência

Queimadura é uma lesão tecidual causada por exposição ao calor, frio extremo, substâncias químicas, eletricidade ou radiação. Em cães e gatos, podem ocorrer ao pisar em superfícies quentes, contato com líquidos ferventes ou produtos domésticos cáusticos. A gravidade é classificada em primeiro, segundo e terceiro grau conforme a profundidade do tecido afetado. Queimaduras extensas representam emergência veterinária e exigem atendimento imediato para prevenir infecção, desidratação e choque. O prognóstico depende da área corporal atingida, da profundidade da lesão e da velocidade do atendimento. Animais queimados em mais de 50% da superfície corporal têm prognóstico grave mesmo com tratamento intensivo.

Queimadura química é uma lesão tecidual causada pelo contato de substâncias ácidas, básicas ou outros agentes cáusticos com a pele, mucosas ou olhos. Em pets, ocorre por contato com produtos de limpeza domésticos, desinfetantes, tintas, baterias e fertilizantes. Diferentemente das queimaduras térmicas, as químicas continuam causando dano enquanto o agente permanece em contato com o tecido. A lavagem imediata com água abundante é o passo mais importante do primeiro socorro. O prognóstico depende da substância envolvida (ácidos fortes e bases causam lesões mais profundas), da concentração, do tempo de contato e da área afetada. Olhos expostos a cáusticos requerem atenção especial pela irreversibilidade dos danos oculares.

Queratoconjuntivite seca (QCS), popularmente chamada de "olho seco", é uma doença ocular inflamatória causada pela produção insuficiente de lágrima. Acomete principalmente cães, com predisposição em raças braquicefálicas como Bulldog, Pug e Shih Tzu, além de West Highland White Terrier e Cocker Spaniel. Sem a lubrificação adequada, a córnea e a conjuntiva se inflamam progressivamente, podendo evoluir para ulcerações, pigmentação corneal e até cegueira. É uma condição crônica que requer tratamento ao longo de toda a vida do animal. O tratamento com ciclosporina ou tacrolimus tópico estimula a produção lacrimal em grande parte dos casos, melhorando significativamente a qualidade de vida dos animais afetados.

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Quilomicronemia é o acúmulo excessivo de quilomícrons — lipoproteínas que transportam triglicerídeos absorvidos no intestino — no plasma sanguíneo. Causa hiperlipidemia grave com aspecto leitoso ou cremoso do soro. Em cães e gatos, pode ser primária (genética) ou secundária a hipotireoidismo, diabetes mellitus, hiperadrenocorticismo e pancreatite. A quilomicronemia causa o plasma a ficar visivelmente branco após centrifugação dos tubos de sangue. A hiperlipidemia grave pode provocar pancreatite aguda, lipemia retinal (vasos da retina com aspecto leitoso), xantomas (depósitos de lipídeos na pele e nervos) e neuropatia periférica. O tratamento direciona-se à causa subjacente. Em casos idiopáticos, dieta com ultra-baixo teor de gordura é a principal intervenção, podendo ser necessária suplementação com vitaminas lipossolúveis para compensar a má absorção associada.

Quilotórax é o acúmulo de quilo (linfa rica em gordura proveniente do intestino) no espaço pleural, entre os pulmões e a parede torácica. É uma condição grave que compromete a respiração e pode ser idiopática, traumática ou secundária a neoplasias e cardiopatias. O líquido quiloso é branco-leitoso e comprime os pulmões, levando à dificuldade respiratória progressiva. Em gatos, é relativamente mais comum que em cães e com maior frequência idiopático, sem causa identificável. O tratamento pode ser clínico (toracocentese repetida, dieta com baixo teor de gordura) ou cirúrgico (ligadura do ducto torácico), sendo a cirurgia reservada para casos refratários ao manejo conservador.

Quimioterapia veterinária é o uso de fármacos antineoplásicos para tratar cânceres em animais. É parte fundamental da oncologia veterinária moderna e está disponível para cães, gatos e outros animais de estimação em centros especializados e clínicas oncológicas. Diferentemente do que muitos tutores temem, cães e gatos tolerem a quimioterapia significativamente melhor que humanos, com efeitos colaterais geralmente menores e manejáveis. O objetivo principal é proporcionar boa qualidade de vida ao animal pelo maior tempo possível. Os protocolos variam conforme o tipo de câncer, estadiamento e condição geral do paciente. Linfoma, leucemia, tumores de mama e mastocitoma são as indicações mais frequentes em pets.

Veja também:timoma

Quisto ovariano é uma estrutura cística que se forma no ovário, contendo líquido seroso, hemorrágico ou material folicular. Em cadelas e gatas não castradas, pode causar distúrbios hormonais, irregularidades no ciclo reprodutivo e sinais sistêmicos variados. Os cistos foliculares são os mais comuns e resultam de folículos que não completam a ovulação. Produzem estrogênio em excesso, podendo causar ninfomanismo, alopecia hormonal, hiperplasia endometrial cística e piometra. Em gatas, distúrbios do ciclo estral são a manifestação mais frequente. O tratamento definitivo é a ovariosalpingohisterectomia (castração). Protocolos hormonais podem ser tentados em casos selecionados, mas a cirurgia oferece resolução definitiva e elimina o risco de neoplasias ovarianas futuras.

Quisto sebáceo é uma formação cística benigna na pele, originada do acúmulo de secreção sebácea em um folículo piloso obstruído. Em cães é muito comum, especialmente em raças como Cocker Spaniel, Schnauzer e Boxer. Nos gatos é menos frequente. Clinicamente se apresenta como um nódulo redondo, firme ou flutuante, bem delimitado, de crescimento lento, com conteúdo pastoso branco-amarelado. Raramente causam problemas, mas podem infeccionar ou romper, exigindo tratamento. O tratamento definitivo é a excisão cirúrgica completa. Tentativas de "espremer" o quisto em casa aumentam o risco de infecção e inflamação, além de não resolverem a causa.

Veja também:alopecia
R

Rabdomiossarcoma é um tumor maligno de origem nas células do músculo esquelético (estriado), sendo um dos sarcomas de partes moles mais agressivos em animais jovens. Em cães e gatos, é relativamente raro mas tem comportamento altamente invasivo localmente e com elevado potencial de metástase. Pode ocorrer em qualquer local onde haja músculo esquelético, mas tem predileção por cabeça e pescoço, extremidades e tronco. A variante embrionária acomete predominantemente animais jovens. O botrioides (forma polipoide) pode se desenvolver na bexiga e vagina. O tratamento requer abordagem multimodal com cirurgia ampla, quimioterapia e eventualmente radioterapia. Mesmo com tratamento agressivo, o prognóstico é reservado pela alta taxa de recidiva e metástase.

RaivaDoença

Raiva é uma encefalite viral fatal causada pelo vírus Rabies lyssavirus, transmitida principalmente pela saliva de animais infectados por mordedura. É uma zoonose de notificação obrigatória e, uma vez com sintomas clínicos, é invariavelmente fatal para humanos e animais. No Brasil, cães e gatos domésticos são as principais fontes de exposição humana, embora morcegos sejam o principal reservatório silvestre atual. A vacinação antirrábica anual é obrigatória por lei para cães e gatos e é a medida mais eficaz de controle. Qualquer animal que morda um humano deve ser observado por 10 dias. Animais suspeitos com sinais neurológicos devem ser isolados e notificados às autoridades sanitárias. A prevenção por meio da vacinação é a única estratégia eficaz, pois não há tratamento após o início dos sintomas.

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RaquitismoDoença

Raquitismo é uma doença metabólica óssea causada por deficiência de vitamina D, cálcio ou fósforo, que resulta em mineralização inadequada do tecido ósteoide em animais em crescimento. Acomete principalmente filhotes alimentados com dietas inadequadas ou com absorção intestinal comprometida. Os ossos afetados tornam-se moles, deformáveis e frágeis, levando a deformidades dos membros, dificuldade de locomoção e fraturas patológicas. Em animais adultos, a forma equivalente é a osteomalácia. Com o advento de rações completas e balanceadas, o raquitismo nutricional tornou-se raro em países com acesso a alimentação adequada. Entretanto, ainda ocorre em animais alimentados exclusivamente com carne crua sem suplementação ou com dietas caseiras desbalanceadas.

Refluxo gastroesofágico é o retorno involuntário do conteúdo ácido do estômago para o esôfago, causando irritação e inflamação da mucosa esofágica (esofagite). Em cães e gatos, ocorre com maior frequência associado à anestesia geral, mas também pode ser crônico em animais com hiato esofágico, obesidade ou distúrbios de motilidade gastrointestinal. A esofagite por refluxo causa dor ao engolir, regurgitação, salivação excessiva e, nos casos mais graves, ulceração e estreitamento do esôfago (estenose esofágica). O diagnóstico precoce e o tratamento adequado são fundamentais para evitar complicações permanentes que comprometam a deglutição do animal.

Respiração ofegante (dispneia) é um sinal clínico de dificuldade respiratória que pode indicar emergência veterinária. Em cães e gatos, as causas são amplas: cardiopatias, pneumonia, efusão pleural, obstrução de vias aéreas, anemia grave, dor intensa e hipertermia. Em gatos, a respiração pela boca aberta é sempre anormal e indica comprometimento respiratório grave. Em cães, o ofego pode ser normal após exercício ou em dias quentes, mas torna-se patológico quando ocorre em repouso, à noite ou associado a outros sinais como palidez das gengivas. Todo animal com dificuldade respiratória grave deve ser levado ao veterinário de emergência imediatamente, pois a janela terapêutica pode ser estreita.

ReticuloseDoença

Reticulose é um termo histopatológico que descreve a proliferação anormal de células inflamatórias no sistema nervoso central de cães, correspondendo a formas de encefalite inflamatória de origem imunomediada (GME, encefalite necrosante). Raças toy como Pug, Maltês, Yorkshire Terrier e Chihuahua têm marcada predisposição genética. A doença causa déficits neurológicos progressivos, convulsões, cegueira e alterações comportamentais pela infiltração de macrófagos e linfócitos no parênquima encefálico. Nos Pugs, a encefalite necrosante é uma das causas mais frequentes de convulsões refratárias em animais jovens. O diagnóstico presuntivo é feito por ressonância magnética e análise do liquor. O tratamento imunossupressor pode proporcionar controle dos sintomas por meses a anos em casos favoráveis, mas a progressão da doença é regra.

RetiniteDoença

Retinite é a inflamação da retina, estrutura sensível à luz responsável pela visão. Em cães e gatos, pode ser causada por infecções sistêmicas (toxoplasmose, cinomose, FIV, FeLV, fungos), doenças autoimunes, hipertensão arterial e neoplasias. A progressão sem tratamento leva ao descolamento de retina e cegueira permanente. Os sinais são frequentemente sutis no início: o tutor pode notar que o pet tropeça em objetos no escuro, tem dificuldade de navegar em ambientes pouco iluminados ou que os olhos refletem de forma diferente. Dilatação das pupilas sem resposta à luz (midríase) indica comprometimento grave. O diagnóstico oftalmológico com mapeamento de retina e identificação da causa subjacente são fundamentais para o tratamento dirigido e preservação da visão.

RickettsiaDoença

Rickettsia é uma bactéria intracelular obrigatória transmitida por carrapatos, causadora de doenças como a febre maculosa brasileira (Rickettsia rickettsii) e a erliquiose. São zoonoses de notificação compulsória e podem ser fatais tanto em animais quanto em humanos sem tratamento precoce. Em cães, as rickettsioses mais importantes são a febre maculosa e a erliquiose. Cães são importantes sentinelas epidemiológicas: alta soroprevalência em cães indica risco aumentado para humanos na mesma região. O carrapato Amblyomma cajennense é o principal vetor da febre maculosa no Brasil. O diagnóstico precoce é fundamental. O tratamento com doxiciclina é altamente eficaz quando iniciado rapidamente, mas o atraso diagnóstico aumenta significativamente a mortalidade.

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RiniteDoença

Rinite é a inflamação da mucosa nasal que causa secreção, espirros e dificuldade respiratória em cães e gatos. Pode ser aguda ou crônica, uni ou bilateral, e suas causas incluem infecções virais e bacterianas, alergias, corpos estranhos, pólipos e neoplasias. Em gatos, o herpesvírus felino e o calicivírus são as principais causas de rinite infecciosa aguda. Em cães, o Aspergillus fumigatus é o principal agente de rinite crônica fúngica. A rinite crônica bilaterial em gatos é frequentemente consequência de infecção viral anterior que danificou a mucosa permanentemente. O diagnóstico preciso é fundamental, pois o tratamento varia completamente conforme a etiologia. Rinites crônicas representam desafio diagnóstico e terapêutico, podendo exigir rinoscopia e biópsia.

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RinorreiaSintoma

Rinorreia é o fluxo ou descarga anormal de secreção pelas narinas, popularmente conhecido como "coriza" ou "nariz escorrendo". Em cães e gatos, é um sinal clínico frequente que pode indicar desde infecções respiratórias simples até doenças graves como cinomose, calicivirose, rinotraqueíte felina, pólipos nasais, corpos estranhos ou neoplasias nasais. A caracterização da secreção — unilateral ou bilateral, serosa, mucosa, mucopurulenta ou hemorrágica — é fundamental para orientar o diagnóstico diferencial. O tratamento depende da causa subjacente e pode variar de cuidados de suporte a cirurgia ou quimioterapia nos casos mais graves.

Rinosseptumite é a inflamação do septo nasal associada às estruturas adjacentes das cavidades nasais. Em medicina veterinária, o termo é frequentemente usado para descrever a rinite severa com comprometimento das estruturas nasais internas. Em gatos, o herpesvírus felino (FHV-1) é o principal agente causador de lesões nasais crônicas que comprometem o septo. As lesões no septo nasal comprometem o fluxo de ar, o olfato e podem evoluir para deformidades estruturais permanentes. A qualidade de vida do animal é afetada significativamente em casos crônicos com obstrução nasal persistente. O manejo da rinosseptumite crônica viral em gatos envolve principalmente terapia de suporte: nebulizações, antibióticos para controle de infecções bacterianas secundárias e, em alguns casos, antivirais como o famciclovir.

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A ruptura do ligamento cruzado cranial (LCCr) é a lesão ortopédica mais comum em cães, correspondendo ao equivalente do ligamento cruzado anterior humano. Causa instabilidade do joelho, dor aguda e claudicação, podendo evoluir para artrose grave sem tratamento cirúrgico. Diferentemente dos humanos, em cães a ruptura raramente ocorre por trauma agudo único. É geralmente resultado de degeneração progressiva do ligamento, relacionada a fatores genéticos, conformação corporal e sobrepeso. Raças como Labrador, Rottweiler e Bulldog têm maior predisposição. O tratamento cirúrgico é amplamente recomendado, com diversas técnicas disponíveis. A TPLO (osteotomia niveladora do platô tibial) é a técnica com maior taxa de sucesso documentada e é considerada padrão-ouro em cães de médio e grande porte.

A ruptura do ligamento cruzado cranial (LCC) é a lesão ortopédica mais comum do joelho em cães, equivalente à ruptura do ligamento cruzado anterior em humanos. O LCC é uma estrutura essencial para a estabilidade do joelho, impedindo o deslizamento da tíbia em relação ao fêmur. Quando rompido, o joelho torna-se instável e extremamente doloroso. Diferente dos humanos, em cães a ruptura raramente é traumática pura — na maioria dos casos resulta de degeneração progressiva do ligamento ao longo do tempo, predisposta por fatores genéticos, anatômicos e inflamatórios. O tratamento é predominantemente cirúrgico e o prognóstico é favorável com a abordagem correta.

S

Cinomose (popularmente chamada de "sarampo canino") é uma doença viral multissistêmica altamente contagiosa causada pelo vírus Canine morbillivirus, da família Paramyxoviridae, relacionado ao vírus do sarampo humano. É uma das doenças infecciosas mais importantes de cães no mundo, com alta morbidade e mortalidade. Afeta o sistema respiratório, gastrointestinal, neurológico e cutâneo. Filhotes e cães não vacinados são os mais suscetíveis. Além de cães, afeta outros carnívoros como furões, lobos, raposas e focas. A vacinação com vacina polivalente (V8 ou V10) é altamente eficaz na prevenção. Não existe tratamento antiviral específico — o manejo é de suporte intensivo, e as sequelas neurológicas podem ser permanentes em animais que sobrevivem à fase aguda.

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Sarna demodécica (ou demodicose) é uma dermatopatia causada pela proliferação excessiva do ácaro Demodex canis nos folículos pilosos de cães. Diferentemente da sarna sarcóptica, não é zoonótica e raramente causa coceira intensa. O Demodex é um habitante normal da pele canina, tornando-se patológico quando há imunossupressão ou predisposição genética. A forma localizada em filhotes é geralmente autolimitada. A forma generalizada em filhotes e adultos indica imunodeficiência e requer investigação e tratamento mais agressivos. A forma podal (entre os dedos) é especialmente difícil de tratar. O tratamento com isoxazolinas orais revolucionou o manejo da demodicose, proporcionando taxas de cura superiores às terapias anteriores com ivermectina e amitraz.

Sarna sarcóptica é uma dermatite parasitária altamente pruriginosa causada pelo ácaro Sarcoptes scabiei var. canis em cães. É uma das causas de coceira mais intensa conhecidas na medicina veterinária e é zoonótica — pode causar lesões temporárias em humanos que têm contato com cães infectados. O ácaro faz túneis na epiderme para se reproduzir, desencadeando intensa reação de hipersensibilidade. O diagnóstico pode ser difícil pois o raspado de pele tem baixa sensibilidade (muitos casos verdadeiros resultam em exame negativo). O tratamento com isoxazolinas (fluralaner, sarolaner, lotilaner) orais ou spot-on é altamente eficaz e resolutivo. Todos os animais em contato devem ser tratados simultaneamente.

SepticemiaEmergência

Septicemia (ou sepse) é uma resposta inflamatória sistêmica grave a uma infecção, caracterizada pela presença e multiplicação de bactérias na corrente sanguínea. É uma das emergências mais graves da medicina veterinária, com alta taxa de mortalidade mesmo com tratamento intensivo. Em cães e gatos, ocorre como complicação de infecções localizadas não tratadas ou mal controladas: piometra, peritonite, pneumonia bacteriana, pielonefrite, osteomielite e feridas infectadas são as fontes mais comuns. Imunocomprometidos e animais com doenças crônicas têm maior risco. O tratamento requer hospitalização, antibioticoterapia de amplo espectro intravenosa, fluidoterapia intensiva, suporte de órgãos e controle do foco infeccioso. A mortalidade mesmo com tratamento adequado pode chegar a 40 a 70% nos casos mais graves.

Shunt portossistêmico (SPS) é uma comunicação vascular anormal entre a circulação portal (que drena o intestino) e a circulação sistêmica, desviando o sangue do fígado. O fígado não recebe sangue suficiente para crescer e funcionar adequadamente, e substâncias tóxicas — especialmente amônia — que deveriam ser filtradas chegam à circulação geral, causando encefalopatia hepática. Pode ser congênito (anomalia vascular presente ao nascimento) ou adquirido (consequência de hipertensão portal crônica). A forma congênita extrahepática é mais comum em raças pequenas (Yorkshire Terrier, Maltês, Poodle), enquanto a intrahepática é mais frequente em raças grandes. O tratamento cirúrgico (atenuação gradual do shunt com ameróide constrictor ou banda de celofane) é o de eleição e proporciona excelentes resultados quando realizado precocemente.

SialorreiaSintoma

Sialorreia é a produção excessiva de saliva ou a incapacidade de degluti-la adequadamente, resultando em salivação excessiva visível. Em cães e gatos, pode ser fisiológica (antecipação de alimento, odores) ou patológica, indicando desde náusea e dor oral até intoxicação grave e doenças neurológicas. A distinção entre hipersalivação verdadeira (aumento da produção) e ptialismo (incapacidade de deglutição com salivação aparente) orienta o diagnóstico. Causas orais (corpo estranho, úlceras, tumor, gengivite), gástricas (náusea, corpo estranho), neurológicas (raiva, epilepsia) e tóxicas (intoxicação por plantas, pesticidas) são as principais categorias. A sialorreia aguda e intensa, especialmente acompanhada de outros sinais, deve ser considerada emergência até prova em contrário.

SíncopeSintoma

Síncope é a perda súbita e transitória da consciência seguida de recuperação espontânea, causada por hipoperfusão cerebral aguda. Em cães e gatos, é frequentemente confundida com crise convulsiva e requer diferenciação cuidadosa, pois as causas e tratamentos são completamente distintos. As causas são principalmente cardíacas (arritmias, doença valvar grave, miocardiopatia, estenose pulmonar) e vasculares (hipotensão, resposta vasovagal). O episódio geralmente dura segundos a 1-2 minutos, com recuperação rápida sem período pós-ictal confuso característico das convulsões. O diagnóstico exige avaliação cardiológica completa com eletrocardiograma e ecocardiograma. O tratamento é dirigido à causa identificada e pode ser medicamentoso, cirúrgico ou incluir implante de marcapasso.

A Síndrome de Cushing, ou hiperadrenocorticismo, é uma das endocrinopatias mais comuns em cães, caracterizada pelo excesso crônico de cortisol no organismo. Pode ter origem na hipófise (forma dependente de ACTH, mais frequente), nas glândulas adrenais (tumor adrenal) ou ser induzida por uso prolongado de corticoides exógenos. Gatos podem ser afetados, mas com frequência bem menor. Os sinais clínicos são insidiosos e frequentemente confundidos com envelhecimento normal: aumento do abdômen, polifagia, polidipsia, poliúria, alopecia simétrica e intolerância ao exercício. O diagnóstico e o tratamento corretos melhoram significativamente a qualidade de vida e a sobrevida dos animais afetados.

Síndrome do megacólon é a dilatação irreversível do cólon com perda de motilidade, resultando em constipação grave e obstipação crônica. Em gatos, é uma das causas mais frequentes de obstipação grave, com predileção por machos castrados de meia-idade. O Manx (gato sem rabo) tem predisposição genética congênita. O cólon dilatado perde a capacidade de propulsionar as fezes, que se tornam ressecadas, compactadas e impossíveis de expulsar voluntariamente. O acúmulo progressivo causa distensão abdominal, vômito, inapetência e deterioração do estado geral. O tratamento pode ser clínico (enemas, laxativos, pró-cinéticos) nos estágios iniciais, mas casos avançados com megacólon estabelecido geralmente requerem colectomia subtotal (remoção cirúrgica da maior parte do cólon) como única opção terapêutica definitiva.

Síndrome vestibular é um distúrbio do sistema vestibular — responsável pelo equilíbrio e orientação espacial — que causa inclinação da cabeça (head tilt), perda de equilíbrio, nistagmo (movimentos involuntários dos olhos) e rolamentos. Pode ser de origem central (lesão no tronco encefálico ou cerebelo) ou periférica (ouvido interno ou nervo vestibulococlear). Em cães idosos, a forma mais comum é a síndrome vestibular idiopática do cão velho, com início súbito e assustador mas com prognóstico excelente e recuperação espontânea em dias a semanas. Em gatos, a forma idiopática também ocorre, frequentemente em agosto/setembro (síndrome vestibular estacional). A distinção entre causa central e periférica é fundamental, pois as causas centrais (encefalite, neoplasia, AVC) têm prognóstico muito mais grave e requerem investigação urgente.

SinusiteDoença

Sinusite é a inflamação dos seios paranasais — cavidades aéreas que comunicam com as fossas nasais. Em cães e gatos, frequentemente ocorre como extensão de rinite crônica (rinossinusite), infecção dental com progressão para o seio maxilar, ou secundária a corpo estranho e neoplasias nasais. Os seios frontal e maxilar são os mais afetados. A inflamação crônica com acúmulo de secreção mucopurulenta compromete a drenagem normal e perpetua a infecção bacteriana secundária. O diagnóstico definitivo exige tomografia computadorizada das cavidades craniofaciais. O tratamento inclui antibióticos prolongados, lavagem nasal, e em casos refratários, cirurgia para desbridamento e melhora da drenagem dos seios (sinusotomia).

T
TétanoDoença

Tétano é uma doença neurológica causada pela toxina tetanospasmina produzida pela bactéria Clostridium tetani, anaeróbio que se desenvolve em feridas profundas com tecido necrótico. A toxina bloqueia a liberação de neurotransmissores inibitórios, causando espasmos musculares generalizados e rígidos. Cães são relativamente resistentes ao tétano em comparação a equinos e humanos, mas casos ocorrem, especialmente após feridas perfurantes profundas, mordeduras e pós-operatório de castrações ou cirurgias abdominais. Gatos são ainda mais resistentes. O tratamento inclui antitoxina tetânica, antibióticos, sedação/relaxamento muscular e cuidados intensivos de suporte. A recuperação pode ser longa (semanas a meses) mas o prognóstico é favorável quando o tratamento é iniciado precocemente.

TimomaDoença

Timoma é um tumor originado das células epiteliais do timo, glândula localizada no mediastino cranial (região anterior do tórax). Em cães e gatos, é relativamente raro mas clinicamente importante por suas associações paraneoplásicas — especialmente miastenia gravis e megaesôfago. O timo está envolvido na maturação de linfócitos T. Tumores tímicos podem secretar substâncias que interferem na transmissão neuromuscular, causando fraqueza muscular generalizada (miastenia gravis), e na motilidade esofágica (megaesôfago), levando a regurgitação e aspiração. O tratamento cirúrgico é o padrão-ouro quando o tumor é ressecável. As síndromes paraneoplásicas frequentemente melhoram ou resolvem após a remoção do tumor.

TonsiliteDoença

Tonsilite é a inflamação das tonsilas palatinas (amígdalas), estruturas linfoepiteliais localizadas na parede lateral da orofaringe, responsáveis pela defesa imunológica local. Em cães, é relativamente comum e pode ser primária (infecção bacteriana) ou secundária (associada a outras condições como vômito crônico, doença periodontal ou nasofaríngea). Os sinais incluem disfagia (dificuldade de engolir), regurgitação, engasgos, hiporexia e tonsilas visivelmente avermelhadas e edemaciadas ao exame da orofaringe. Em casos graves, pode haver febre, letargia e linfadenopatia submandibular. O tratamento com antibióticos é eficaz na maioria dos casos. Tonsilite recorrente pode requerer tonsilectomia, especialmente quando há neoplasia associada — carcinoma de células escamosas e linfoma são os tumores mais frequentes nas tonsilas.

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Torção gástrica com dilatação (GDV — Gastric Dilatation and Volvulus) é uma emergência cirúrgica com risco de morte imediata, em que o estômago se dilata com gás e gira sobre seu próprio eixo, aprisionando o conteúdo e interrompendo o fluxo sanguíneo. É mais comum em raças de grande porte e peito profundo. A torção interrompe a circulação venosa de retorno, causando choque cardiovascular rapidamente progressivo. Sem cirurgia de emergência, o animal morre em horas. Com cirurgia e suporte intensivo precoces, a sobrevivência é de 70 a 90%. A profilaxia por gastropexia preventiva (fixação cirúrgica do estômago à parede abdominal) é recomendada para raças de alto risco, especialmente durante a castração.

Toxoplasmose é uma zoonose causada pelo protozoário Toxoplasma gondii, cujo hospedeiro definitivo é o gato. Os felinos são os únicos animais que eliminam os oocistos infectantes nas fezes, sendo a principal fonte de contaminação ambiental para humanos e outros animais. Em cães e gatos imunocompetentes, a infecção geralmente é assintomática ou leve. Em animais imunossuprimidos (por FIV, FeLV, cinomose, corticoterapia), a doença pode ser grave, com sinais pulmonares, neurológicos, oculares e musculares. O risco para humanos é real, especialmente gestantes e imunossuprimidos. Medidas de higiene simples — lavar as mãos após manusear areia do banheiro do gato, limpar a caixinha diariamente — reduzem drasticamente o risco de transmissão.

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Trichomonas (tricomonose) é uma infecção causada por protozoários do gênero Tritrichomonas foetus em gatos e Trichomonas gallinae em aves. Em gatos, Tritrichomonas foetus causa diarreia crônica, de grande intestino, especialmente em filhotes jovens e animais de catil ou abrigo com alta densidade populacional. A diarreia por Tritrichomonas é caracteristicamente mucosa ou com sangue, com urgência defecatória e irritação perianal. Diferentemente de outras diarreias, os animais mantêm boa condição geral apesar da cronicidade dos sintomas. A doença pode ser autolimitada, mas costuma persistir por meses sem tratamento. O diagnóstico requer técnicas específicas (PCR fecal ou cultura anaeróbica), pois a coprologia simples raramente identifica os trofozoítos. O ronidazol é o único tratamento eficaz comprovado, mas tem janela terapêutica estreita e potencial neurotoxicidade.

Tricobezoar (bola de pelo) é um acúmulo de pelo no trato gastrointestinal, formado pela ingestão de pelo durante a automação (grooming). Em gatos é um problema muito frequente devido ao comportamento de higiene intenso e à língua áspera com papilas que retêm e direcionam o pelo para o esôfago. A maioria dos tricobezoares é eliminada naturalmente pelo vômito ou pelas fezes. Quando se acumulam excessivamente, especialmente no estômago ou intestino delgado, podem causar obstrução mecânica grave que exige intervenção veterinária urgente. A prevenção inclui escovação frequente do pelo, especialmente em gatos de pelo longo, e o uso periódico de pastas ou géis lubrificantes específicos para eliminação de pelos.

TromboseDoença

Trombose é a formação de coágulos (trombos) dentro de vasos sanguíneos, podendo obstruir parcial ou totalmente o fluxo. Em gatos, a tromboembolismo aórtico (TEA) — obstrução da artéria aorta caudal por êmbolo — é uma das emergências mais dramáticas, causando paralisia aguda dos membros posteriores, dor intensa e hipotermia das extremidades. Em cães, a tromboembolismo pulmonar é mais comum, associado a hiperadrenocorticismo, nefropatia perdedora de proteína, septicemia e neoplasias. A CIVD (coagulação intravascular disseminada) é forma grave de distúrbio da coagulação com trombose microvascular disseminada. O tratamento da trombose felina inclui analgesia intensa, anticoagulantes e manejo da doença cardíaca subjacente. O prognóstico é reservado, com alta mortalidade aguda e recidivas frequentes.

O tumor de células de Sertoli é uma neoplasia do testículo que se origina das células de suporte dos túbulos seminíferos. É um dos três tumores testiculares mais comuns em cães (juntamente com o seminoma e o tumor de células intersticiais) e tem como característica marcante a produção de estrogênio em excesso. O hiperestrogenismo resultante causa uma síndrome feminizante: ginecomastia, atrofia do prepúcio e pênis, alopecia bilateral simétrica, atratividade para outros machos e, nos casos mais graves, aplasia da medula óssea com pancitopenia potencialmente fatal. O testículo criptorquídeo (retido no abdômen ou na virilha) tem risco 13 vezes maior de desenvolver tumor de células de Sertoli. O tratamento é a orquiectomia bilateral, com resolução da síndrome feminizante na maioria dos casos.

U

Úlcera cutânea é uma lesão aberta e profunda na pele que compromete a epiderme, a derme e, em casos graves, o tecido subcutâneo e estruturas mais profundas. Diferentemente de feridas superficiais, as úlceras cutâneas têm dificuldade de cicatrização espontânea e tendem à cronificação. Em cães e gatos, surgem como consequência de pressão prolongada, distúrbios vasculares, infecções crônicas, doenças autoimunes ou neoplasias. O tratamento é um desafio clínico-cirúrgico que exige identificação e controle da causa subjacente, além de manejo especializado da ferida. Úlceras cutâneas negligenciadas evoluem com infecção profunda, osteomielite (infecção óssea) e sepse, representando sério risco à saúde do animal.

Úlcera de córnea é a perda de substância do epitélio e, em casos mais graves, do estroma da córnea, criando uma ferida aberta na superfície transparente do olho. Em cães e gatos, é uma das emergências oftálmicas mais comuns e pode evoluir rapidamente para perfuração ocular se não tratada com prontidão. A córnea não possui vasos sanguíneos, o que dificulta sua cicatrização e a torna suscetível a infecções graves. As causas mais frequentes incluem trauma mecânico (arranhão de gato, espinho), corpo estranho ocular, ressecamento grave da córnea (ceratoconjuntivite seca) e infecções. Em braquicéfalos como Bulldogs, Pug e Shih Tzu, a proeminência dos globos oculares predispõe a úlceras recorrentes e de difícil cicatrização.

Úlcera gástrica é uma lesão erosiva na mucosa do estômago que pode atingir camadas mais profundas da parede gástrica. Em cães e gatos, ocorre quando os mecanismos de proteção da mucosa são superados pela ação do ácido clorídrico e da pepsina, gerando feridas dolorosas que sangram e prejudicam a digestão. As causas mais comuns incluem uso prolongado de anti-inflamatórios não esteroidais (AINEs), estresse intenso, doenças sistêmicas como insuficiência renal ou hepática, e tumores gastrinomas. O diagnóstico precoce e o tratamento adequado são essenciais para evitar complicações graves como perfuração gástrica e peritonite.

UremiaDoença

Uremia é a síndrome clínica causada pelo acúmulo de toxinas urêmicas no sangue, resultante da falha dos rins em filtrar adequadamente os produtos do metabolismo. Em cães e gatos, ocorre como consequência de insuficiência renal aguda ou crônica avançada e representa um estágio grave de comprometimento da função renal. As toxinas urêmicas afetam praticamente todos os sistemas orgânicos, causando sinais neurológicos, gastrointestinais, cardiovasculares e hematológicos. A uremia é uma emergência veterinária e, sem tratamento intensivo, o animal pode evoluir para coma e óbito em horas a dias.

UretriteDoença

Uretrite é a inflamação da uretra, o canal que conduz a urina da bexiga para o exterior do organismo. Em cães e gatos, pode ser causada por infecções bacterianas ascendentes, traumatismos, presença de cálculos uretrais, neoplasias ou, em cães machos, pela síndrome de uretrite hemorrágica idiopática. A inflamação uretral compromete o fluxo urinário e causa dor intensa durante a micção. O diagnóstico diferencial com obstrução uretral por cálculos é fundamental, pois ambas apresentam sintomas semelhantes mas têm tratamentos distintos. Em gatos machos, qualquer sinal de dificuldade urinária deve ser considerado emergência até prova em contrário, dado o risco de obstrução completa com consequências fatais.

Urofistilose é a formação de um trajeto fistuloso anormal que conecta o trato urinário — bexiga ou uretra — a outras estruturas como a pele, o reto ou a vagina. Em cães e gatos, ocorre como complicação de traumas graves, cirurgias do trato urinário, neoplasias, infecções recorrentes ou como sequela de obstrução uretral prolongada que leva à ruptura da bexiga. A condição permite o extravasamento de urina para tecidos adjacentes, causando inflamação química grave, infecção secundária e, em casos de fístula vesicorretal, contaminação fecal da bexiga. O tratamento é predominantemente cirúrgico e o prognóstico depende da extensão das lesões e da causa subjacente.

Urolitíase é a formação de cálculos (pedras) no trato urinário — rins, ureter, bexiga ou uretra — de cães e gatos. Os cálculos são compostos por minerais precipitados na urina em função de desequilíbrios metabólicos, alimentares ou infecciosos, e podem causar obstrução, infecção e danos renais. Os tipos mais comuns em cães são os cálculos de estruvita e oxalato de cálcio, enquanto em gatos predominam os de oxalato de cálcio (em animais mais velhos) e estruvita (em jovens). O tratamento varia conforme a composição do cálculo, e a dieta tem papel central tanto no tratamento quanto na prevenção de recorrências.

Urolitíase felina é a formação de cálculos minerais no trato urinário de gatos, sendo uma das doenças mais prevalentes nessa espécie. A doença faz parte do espectro da Doença do Trato Urinário Inferior dos Felinos (DTUIF/FLUTD) e tem particularidades importantes em relação à urolitíase canina, incluindo maior prevalência de oxalato de cálcio em gatos mais velhos e estreita relação com obstrução uretral nos machos. A combinação de urina altamente concentrada, sedentarismo, dieta seca e predisposição à formação de tampões uretrais mucosos torna os gatos — especialmente os machos — extremamente vulneráveis à obstrução uretral, que pode ser fatal em menos de 48 horas. Dieta adequada, hidratação e monitoramento regular são pilares do manejo.

UrticáriaDoença

Urticária é uma reação alérgica aguda da pele caracterizada pelo aparecimento súbito de placas edematosas, pruriginosas e eritematosas (urticas ou vergões), causadas pela liberação de histamina e outros mediadores inflamatórios pelos mastócitos dérmicos. Em cães e gatos, pode ser desencadeada por picadas de insetos, alimentos, medicamentos, vacinas ou contato com substâncias irritantes. A urticária é geralmente autolimitada e responde bem ao tratamento anti-histamínico, mas pode progredir para angioedema — inchaço profundo de face, pescoço e vias aéreas — ou anafilaxia sistêmica, situação que representa emergência com risco de vida. Identificar e evitar o agente desencadeante é fundamental para prevenir recorrências.

UveíteDoença

Uveíte é a inflamação da úvea, estrutura vascular interna do olho composta pela íris, corpo ciliar e coroide. Em cães e gatos, é uma das emergências oftálmicas mais comuns e pode levar à cegueira permanente se não tratada com rapidez. A inflamação compromete a produção e circulação do humor aquoso, alterando a pressão intraocular e podendo causar glaucoma secundário ou descolamento de retina. As causas são diversas: infecções sistêmicas (leptospirose, cinomose, FIV, FeLV), doenças imunomediadas, trauma ocular, neoplasias e úlceras de córnea. Em muitos casos, nenhuma causa é identificada (uveíte idiopática). O diagnóstico e tratamento precoces são fundamentais para preservar a visão.

V

A vacinação de filhotes é o protocolo de imunização iniciado nas primeiras semanas de vida que protege cães e gatos jovens contra as principais doenças infecciosas potencialmente fatais. O sistema imunológico do filhote é imaturo e a proteção temporária transferida pela mãe (imunidade materna) declina progressivamente, criando uma "janela de vulnerabilidade" que as vacinas visam cobrir. O protocolo vacinal começa entre 6 e 8 semanas de vida com doses repetidas a cada 3 a 4 semanas até os 16 semanas, quando a imunidade materna já não interfere na resposta vacinal. Após a série inicial, reforços anuais ou trianuais mantêm a proteção ao longo da vida adulta.

A vacinação é o principal recurso preventivo disponível na medicina veterinária para proteger cães, gatos e outros animais contra doenças infecciosas graves. Por meio da administração de antígenos atenuados ou inativados, o sistema imunológico do animal é estimulado a produzir anticorpos específicos, conferindo imunidade antes do contato com o agente patogênico. O protocolo vacinal é individualizado conforme a espécie, a idade, o estilo de vida e os riscos regionais a que cada animal está exposto. O veterinário define o calendário ideal e os reforços necessários para manter a proteção ao longo da vida do pet.

VasculiteDoença

Vasculite é a inflamação das paredes dos vasos sanguíneos — artérias, veias ou capilares — que pode comprometer o fluxo sanguíneo e causar dano isquêmico aos tecidos irrigados. Em cães e gatos, a vasculite pode ser primária (idiopática) ou secundária a infecções, reações a medicamentos, doenças imunomediadas ou neoplasias. As manifestações clínicas são variadas e dependem da localização e do calibre dos vasos afetados. A pele é frequentemente envolvida, com úlceras, necrose das extremidades e edema, mas órgãos internos como rins, pulmões e sistema nervoso também podem ser acometidos em formas sistêmicas graves.

Verminose é o termo popular para infestações por parasitas intestinais — helmintos e protozoários — que habitam o trato digestivo de cães, gatos e outros animais. Os parasitas mais comuns incluem Toxocara spp., Ancylostoma spp., Trichuris vulpis, Dipylidium caninum e Giardia duodenalis. A transmissão ocorre por ingestão de ovos no ambiente, contato com fezes contaminadas, ingestão de hospedeiros intermediários ou, no caso de ancilostomídeos, penetração cutânea de larvas. Além de prejudicar a saúde do animal, muitos desses parasitas têm potencial zoonótico, podendo infectar humanos, especialmente crianças. Por isso, a desparasitação regular é medida de saúde pública e não apenas veterinária.

A colecistite é a inflamação da vesícula biliar, órgão responsável pelo armazenamento e liberação da bile produzida pelo fígado. Em cães e gatos, a colecistite pode ser aguda ou crônica, e frequentemente está associada a colelitiase (presença de cálculos biliares), mucocele biliar, infecções bacterianas ascendentes ou doenças inflamatórias intestinais. A condição varia de quadros leves e tratáveis clinicamente até emergências cirúrgicas quando ocorre ruptura da vesícula biliar com peritonite biliar resultante. O diagnóstico precoce por ultrassonografia abdominal é fundamental para definir a gravidade e o plano terapêutico mais adequado.

A raiva é uma zoonose viral fatal causada pelo Lyssavirus (vírus da raiva), que acomete o sistema nervoso central de todos os mamíferos, incluindo cães, gatos, morcegos, raposas e humanos. Após a infecção, o vírus viaja pelo sistema nervoso periférico até o cérebro, onde causa encefalite progressiva invariavelmente letal na ausência de tratamento pós-exposição imediato. A raiva é uma das doenças mais antigas conhecidas pela humanidade e permanece um grave problema de saúde pública global. No Brasil, a vacinação antirrábica de cães e gatos é obrigatória por lei e é a principal ferramenta de controle da transmissão para humanos. Um pet vacinado raramente contraí a doença e protege toda a família.

A intoxicação por vitamina D (hipervitaminose D) ocorre quando cães ou gatos ingerem quantidades excessivas dessa vitamina, seja por suplementação incorreta, consumo de raticidas à base de colecalciferol ou ingestão de plantas contendo análogos da vitamina D. O excesso leva à hipercalcemia — elevação do cálcio sanguíneo — e ao depósito de cálcio em tecidos moles, especialmente rins, pulmões, estômago e vasos sanguíneos. O quadro pode evoluir rapidamente para insuficiência renal aguda grave. A intoxicação por raticidas colecalciferol é particularmente perigosa porque os sinais clínicos frequentemente aparecem 12 a 48 horas após a ingestão, dificultando o reconhecimento precoce.

VitiligoDoença

O vitiligo é uma dermatose despigmentante adquirida, de origem imunomediada, caracterizada pela perda progressiva dos melanócitos — células produtoras de pigmento — da pele, dos pelos e das mucosas. Em cães e gatos, manifesta-se como manchas brancas ou cinza-claras nas regiões nasais, labiais, palpebrais e ao redor dos olhos, que podem se expandir ao longo dos meses. Embora seja esteticamente notável, o vitiligo é uma condição benigna que não causa dor, prurido ou comprometimento sistêmico significativo. O principal impacto é cosmético e, em áreas sem pigmentação, o risco aumentado de queimaduras solares em regiões de pele exposta.

O vólvulo gástrico, popularmente conhecido como torção do estômago, é uma emergência cirúrgica de risco de vida em que o estômago se dilata excessivamente com gás e se torce sobre seu próprio eixo. A rotação compromete o suprimento sanguíneo do estômago, do baço e de outros órgãos abdominais, levando a choque, necrose e morte em poucas horas se não tratado. Afeta principalmente cães de raças grandes e gigantes de tórax profundo, como Gran Dane, Dobermann, Rottweiler e Pastor Alemão. A condição é conhecida pela sigla GDV (Gastric Dilatation-Volvulus) e exige cirurgia de emergência imediata após estabilização clínica.

O vômito crônico em cães e gatos é definido como episódios recorrentes de regurgitação ou expulsão ativa do conteúdo gástrico por um período superior a três semanas. Ao contrário do vômito agudo e isolado, a persistência do sintoma indica que uma causa subjacente deve ser investigada com exames complementares. As causas são amplas e incluem doenças gastrointestinais primárias, doenças metabólicas e sistêmicas, intolerâncias alimentares, parasitas, corpos estranhos e neoplasias. O diagnóstico correto é essencial para estabelecer o tratamento adequado e evitar complicações como desnutrição e desidratação.

A vulvovaginite é a inflamação da vulva e da vagina em cadelas e gatas, caracterizada por corrimento vaginal, lambedura excessiva da região perineal e, em alguns casos, sinais sistêmicos de infecção. Em filhotes de cadela, a forma juvenil ou pré-púbere é muito comum e frequentemente se resolve com o primeiro cio ou com a castração. Em animais adultos, a vulvovaginite pode ser primária — causada por infecções bacterianas, víricas ou por herpesvírus — ou secundária a anomalias anatômicas, corpo estranho vaginal, doenças urinárias ou complicações pós-parto. O diagnóstico diferencial com piometra é essencial, pois esta última é uma emergência potencialmente fatal.

W
WolbachiaDoença

Wolbachia é um gênero de bactérias intracelulares obrigatórias que vivem dentro das células de artrópodes (principalmente insetos e ácaros) e alguns nematódeos parasitas, incluindo os causadores da dirofilariose (verme do coração) em cães e gatos. Não é um patógeno clássico que infecta pets diretamente, mas tem papel fundamental na biologia e no tratamento da dirofilariose. Dirofilaria immitis, o verme do coração, carrega Wolbachia em seus tecidos como endossimbionte obrigatório — a bactéria é essencial para a sobrevivência e reprodução do parasita. Essa relação tem implicações clínicas importantes: a morte dos vermes libera Wolbachia na circulação do cão, contribuindo para inflamação pulmonar grave. Tratamentos com doxiciclina, um antibiótico, visam eliminar a Wolbachia antes do tratamento adultecida, reduzindo significativamente as complicações inflamatórias.

X
XantomaDoença

Xantoma é uma lesão cutânea ou subcutânea formada pelo acúmulo anormal de macrófagos repletos de lipídios (células espumosas) nos tecidos. Em cães e gatos, essas lesões costumam aparecer como nódulos ou placas amareladas ou esbranquiçadas na pele, nas mucosas ou em outros órgãos. A condição está frequentemente associada a distúrbios metabólicos subjacentes, como hiperlipidemia, hipotireoidismo ou diabetes mellitus. O tratamento visa controlar a doença de base e, quando necessário, remover cirurgicamente as lesões maiores que causam desconforto ou comprometimento funcional.

Xeroderma, ou pele seca patológica, é a condição em que a barreira cutânea perde sua capacidade de reter umidade adequadamente, resultando em pele áspera, descamativa, opaca e com tendência a fissuras. Em cães e gatos, esse problema vai além da simples ressecura ambiental e frequentemente sinaliza deficiências nutricionais, distúrbios endócrinos, alergias ou parasitoses subjacentes. A pele seca compromete a função de barreira do tegumento, aumentando a suscetibilidade a infecções secundárias por bactérias e leveduras. O tratamento envolve a identificação e correção da causa de base, aliada a medidas de suporte que restaurem a hidratação e a integridade da camada córnea.

Xeroftalmia, conhecida clinicamente como ceratoconjuntivite seca (KCS) ou síndrome do olho seco, é a condição em que a produção lacrimal aquosa é insuficiente para manter a córnea e a conjuntiva adequadamente lubrificadas e nutridas. Em cães, é uma das afecções oftálmicas mais comuns; em gatos, ocorre com menor frequência mas com potencial igual de gravidade. A falta de filme lacrimal provoca inflamação crônica, ulcerações de córnea e, em casos avançados, pigmentação corneal irreversível com comprometimento da visão. O diagnóstico precoce e o tratamento contínuo são essenciais para preservar a função visual do animal.

Xerostomia é a condição caracterizada pela redução patológica da produção de saliva, resultando em mucosa oral ressecada, língua pegajosa e dificuldade para mastigar, engolir e vocalizar normalmente. A saliva desempenha papel fundamental na lubrificação, na proteção antimicrobiana e na digestão inicial dos alimentos, por isso sua deficiência tem consequências sistêmicas além do desconforto oral. Em cães e gatos, a xerostomia pode ser causada por desidratação grave, uso de certos medicamentos, radioterapia na região de cabeça e pescoço, doenças das glândulas salivares ou condições autoimunes. O reconhecimento precoce é importante para evitar complicações como estomatite, gengivite e dificuldades nutricionais.

Y
YersinioseDoença

Yersiniose é uma infecção bacteriana causada principalmente por Yersinia enterocolitica e Yersinia pseudotuberculosis, patógenos entéricos gram-negativos que podem acometer cães, gatos, roedores, aves e humanos. Nos animais de companhia, manifesta-se principalmente como gastroenterite aguda, com diarreia, vômitos e febre, especialmente em animais jovens ou imunossuprimidos. A yersiniose tem relevância em saúde pública por ser uma zoonose — pode ser transmitida de animais para humanos por contato com fezes, alimentos contaminados ou água. Em cães, a infecção por Y. pseudotuberculosis pode causar quadros sistêmicos mais graves, com linfadenite mesentérica e formação de abscessos, lembrando clinicamente outras doenças como salmonelose ou tuberculose intestinal.

YohimbinaMedicamento

Yohimbina é um antagonista seletivo dos receptores alfa-2 adrenérgicos utilizado em medicina veterinária como agente reversor (antídoto) da sedação e anestesia produzidas por agonistas alfa-2, como a xilazina, a medetomidina e a dexmedetomidina. Ao bloquear competitivamente esses receptores, a yohimbina reverte rapidamente os efeitos sedativos, analgésicos e miorrelaxantes dessas drogas, permitindo uma recuperação anestésica muito mais rápida que a espera pelo metabolismo natural. É especialmente útil em situações de emergência anestésica, em pacientes com complicações durante a recuperação, e como ferramenta de controle para procedimentos curtos em que o retorno rápido da consciência é desejável. Em medicina veterinária, seu uso mais frequente é em cães e animais exóticos, sendo a atipamezol a alternativa mais potente e específica para reversão de medetomidina e dexmedetomidina.

Z

A zearalenona é uma micotoxina estrogênica produzida principalmente por fungos do gênero Fusarium que contaminam cereais — milho, trigo, cevada e soja — armazenados em condições inadequadas de umidade e temperatura. Em cães, a intoxicação causa distúrbios do sistema reprodutivo e hormonal por mimetizar o estrogênio endógeno, resultando em sinais que variam de alterações vulvares e mamárias a pseudogestação e, em machos, atrofia testicular. O diagnóstico é desafiador pois os sinais são inespecíficos e a exposição ocorre principalmente por meio de rações contaminadas. A remoção da fonte e o suporte clínico levam à resolução gradual dos sintomas na maioria dos casos.

ZigomicoseDoença

Zigomicose é uma infecção fúngica grave causada por fungos da classe Zygomycetes, principalmente dos gêneros Rhizopus, Mucor, Rhizomucor e Basidiobolus. Em cães e gatos, a doença pode afetar o trato gastrointestinal, as vias aéreas superiores, a pele, os tecidos subcutâneos e, em formas disseminadas, órgãos internos como o fígado, o baço e o sistema nervoso central. Trata-se de uma micose oportunista que acomete predominantemente animais imunossuprimidos, diabéticos ou que receberam corticoterapia prolongada. O prognóstico é reservado a grave, exigindo diagnóstico precoce, desbridamento cirúrgico agressivo e antifúngicos sistêmicos.

A intoxicação por zinco ocorre quando cães ou gatos ingerem objetos ou substâncias com alto teor desse metal, como moedas (especialmente as cunhadas após 1983), parafusos de gaiolas, protetor solar ou xampus contendo óxido de zinco, brinquedos e bolas de golf. O zinco em excesso é absorvido pelo trato gastrointestinal e causa hemólise intravascular grave, insuficiência renal e hepática. Trata-se de uma emergência veterinária que exige remoção rápida da fonte metálica — geralmente por endoscopia ou cirurgia — e suporte intensivo. O prognóstico depende da quantidade ingerida, do tempo até o diagnóstico e da velocidade de intervenção.

ZoonosePrevenção

Zoonose é qualquer doença infecciosa ou parasitária que pode ser transmitida naturalmente entre animais vertebrados e seres humanos. O termo abrange infecções bacterianas, virais, fúngicas, parasitárias e priônicas que circulam entre diferentes espécies hospedeiras, incluindo nossos animais de estimação. Conhecer as principais zoonoses, seus mecanismos de transmissão e as medidas preventivas é fundamental para proteger tanto os tutores quanto os animais. O conceito de Saúde Única (One Health) reconhece que a saúde humana, animal e ambiental são interdependentes e que a prevenção de zoonoses beneficia toda a comunidade.

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