O que são as rickettsioses?
Rickettsioses são doenças infecciosas causadas por bactérias do gênero Rickettsia e relacionados (incluindo Ehrlichia e Anaplasma), todos transmitidos por carrapatos. São parasitas intracelulares obrigatórios que infectam principalmente células endoteliais e leucócitos, causando vasculite sistêmica grave.
No Brasil, a febre maculosa brasileira causada por Rickettsia rickettsii é a mais grave e letal entre as rickettsioses humanas no mundo. Cães são hospedeiros acidentais, como humanos, mas são sentinelas importantes: cães soropositivos indicam circulação do agente na área.
Transmissão e vetores
A transmissão ocorre pela picada de carrapatos infectados. O vetor principal da febre maculosa no Brasil é o Amblyomma cajennense (carrapato estrela), abundante em áreas rurais e periurbanas do sudeste e centro-oeste. A erliquiose é transmitida pelo Rhipicephalus sanguineus (carrapato marrom do cão).
- Febre maculosa: Rickettsia rickettsii, vetor Amblyomma cajennense
- Erliquiose canina: Ehrlichia canis, vetor Rhipicephalus sanguineus
- Anaplasmose: Anaplasma platys, vetor Rhipicephalus sanguineus
- Período de transmissão: carrapato deve estar fixado por 4 a 24 horas
Sintomas em cães
A erliquiose canina cursa com febre, letargia, inapetência, petéquias (pequenas hemorragias na pele e mucosas), epistaxe, linfoadenopatia e trombocitopenia. Na fase crônica, pode causar uveíte, glomerulonefrite e mielossupressão grave com pancitopenia.
A febre maculosa em cães apresenta febre alta, prostração, petéquias e hemorragias. Edema de membros, lesões cutâneas hemorrágicas e sinais neurológicos indicam casos graves. A progressão pode ser muito rápida.
Diagnóstico
O hemograma mostra trombocitopenia, que é o achado mais consistente. PCR para detecção do DNA do agente é o exame mais sensível na fase aguda. Sorologia (RIFI) detecta anticorpos, mas pode ser negativa nas primeiras semanas. A biópsia de lesões cutâneas com imunofluorescência é útil na febre maculosa.
O contexto epidemiológico (exposição a carrapatos, área endêmica) é fundamental para suspeita clínica e início precoce do tratamento, que não deve aguardar confirmação laboratorial nos casos graves.
Tratamento e prevenção
A doxiciclina é o antibiótico de eleição para todas as rickettsioses, com resposta rápida quando iniciada precocemente. Suporte com fluidoterapia, transfusão de plaquetas em casos graves e controle de infecções secundárias completam o tratamento. A erliquiose crônica pode exigir tratamento prolongado.
A prevenção é feita pelo controle rigoroso de carrapatos com acaricidas aprovados (coleiras, spot-on, comprimidos). Inspeção diária do pet após exposição a áreas de risco e remoção correta de carrapatos (sem esmagar) são medidas fundamentais. A proteção é também proteção para toda a família.