O que é dermatite atópica?
A dermatite atópica (DA) é uma inflamação crônica da pele desencadeada por hipersensibilidade a alérgenos do ambiente. Tem forte componente hereditário e afeta principalmente cães de raças como Labrador, Golden Retriever, Bulldog, Shih Tzu e West Highland White Terrier. Em gatos, a síndrome pode se manifestar como dermatite miliar ou complexo granuloma eosinofílico.
A barreira cutânea dos animais atópicos é defeituosa, permitindo que substâncias alérgenas penetrem mais facilmente e estimulem resposta inflamatória mediada por IgE. Isso gera um ciclo de prurido, coçadura, trauma e infecção secundária que agrava progressivamente as lesões.
Causas e tipos
Os principais alérgenos desencadeantes são ácaros domésticos (Dermatophagoides spp.), pólens de gramíneas e árvores, esporos de fungos, epitélio humano e de outros animais, e baratas. A predisposição genética é fundamental: filhotes de pais atópicos têm risco muito maior de desenvolver a doença.
- DA extrínseca: causada por alérgenos ambientais identificáveis em testes.
- DA intrínseca: mesma apresentação clínica sem alérgeno identificável — suspeita-se de defeito primário de barreira.
- DA alimentar: alérgenos de dieta podem mimetizar ou coexistir com DA ambiental.
Sintomas
O prurido é o sinal cardinal, geralmente afetando face, patas, axilas, virilha e pavilhão auricular. O animal se coça, lambe e morde as regiões afetadas, causando eritema, alopecia, hiperpigmentação e liquenificação crônica. Otites recorrentes são muito comuns, assim como infecções bacterianas e por leveduras (Malassezia) secundárias ao arranhado.
- Prurido intenso e recorrente
- Pele avermelhada e quente nas dobras
- Cheiro característico de levedura
- Otite externa bilateral recorrente
- Salivação excessiva manchando a pelagem de cor ferrugem
Diagnóstico
O diagnóstico é clínico, baseado nos Critérios de Favrot (≥5 critérios positivos indicam alta probabilidade). Exames complementares incluem citologia cutânea, tricograma, cultura fúngica e dieta de eliminação para excluir alergia alimentar. O teste intradérmico e o painel de IgE sérica identificam os alérgenos para imunoterapia, mas não confirmam o diagnóstico isoladamente.
Tratamento
O tratamento é multimodal e individualizado. Fármacos para controle do prurido incluem oclacitinib (Apoquel), lokivetmab (Cytopoint) e ciclosporina. Corticosteroides são usados em crises agudas pelo menor custo, mas com cautela a longo prazo. Xampus e mousse com ceramidas restauram a barreira cutânea e reduzem infecções secundárias. A imunoterapia alérgeno-específica é a única modalidade que modifica a progressão da doença.
Prevenção
A prevenção absoluta não é possível em animais geneticamente predispostos, mas medidas ambientais reduzem as crises: uso de capas laváveis nos colchões, filtros HEPA, banhos regulares com xampu hipoalergênico e controle rigoroso de pulgas. Dietas ricas em ácidos graxos ômega-3 e suplementação com ceramidas orais auxiliam na manutenção da barreira cutânea e podem espaçar os episódios de exacerbação.