O que é demodicose?
A demodicose é causada pela proliferação anormal de ácaros do gênero Demodex nos folículos pilosos e glândulas sebáceas. Em cães, a espécie principal é Demodex canis; existem também D. injai (folículo longo, dorso) e D. cornei (superficial). Todos os cães têm esses ácaros em pequenas quantidades — são considerados parte da fauna normal. O problema surge quando há falha na imunidade celular que controla sua população.
A doença não é contagiosa entre cães adultos. A transmissão ocorre exclusivamente da mãe para o filhote nas primeiras horas de vida, por contato direto. Portanto, não há risco para outros animais ou para humanos (espécies-específico).
Causas e tipos
Em filhotes, a demodicose localizada está associada a imaturidade imunológica transitória. Em cães adultos, a demodicose generalizada frequentemente indica imunossupressão subjacente: hiperadrenocorticismo, hipotireoidismo, neoplasia, uso de corticosteroides ou quimioterápicos. A predisposição genética também é relevante — certas linhagens de raças como Bulldog, Shar-Pei, Pit Bull e Dachshund são mais afetadas.
- Demodicose localizada: até 5 lesões, área restrita — filhotes, resolução espontânea frequente.
- Demodicose generalizada: mais de 5 lesões ou comprometimento de região corporal inteira — tratamento obrigatório.
- Demodicose pododérmica: exclusivamente nas patas — forma de tratamento mais difícil.
Sintomas
As lesões iniciais são áreas de alopecia não pruriginosa, eritema e descamação, principalmente na face (ao redor dos olhos), membros e tronco. Na forma generalizada, as lesões se disseminam com crostas, pápulas, pústulas e odor intenso pelas infecções bacterianas secundárias (piodermite profunda). Nessas formas graves, o prurido pode ser intenso e o animal apresenta dor.
- Alopecia sem coceira (forma inicial)
- Eritema e descamação ao redor dos olhos e focinho
- Pústulas e crostas (piodermite secundária)
- Odor intenso nos casos generalizados
- Linfonodomegalia (inchaço dos linfonodos)
Diagnóstico
O diagnóstico é feito pelo raspado cutâneo profundo: com bisturi ou espátula, raspa-se a pele até provocar leve sangramento capilar e o material é examinado ao microscópio em busca de ácaros adultos, larvas, ninfas e ovos em excesso. A tricoscopia (exame do pelo arrancado) pode revelar ácaros no folículo. Biopsia de pele é indicada em casos pododérmicos crônicos onde o raspado é de difícil execução.
Tratamento
A demodicose localizada em filhotes geralmente se resolve sem tratamento. A forma generalizada exige acaricidas sistêmicos: isoxazolines (afoxolaner, fluralaner, sarolaner, lotilaner) são atualmente a primeira escolha — administração oral mensal, segura e altamente eficaz. Ivermectina e milbemicina oral são alternativas. Xampus de peróxido de benzoíla auxiliam na limpeza folicular. Antibioticoterapia trata a piodermite secundária. O tratamento dura até duas raspagens negativas consecutivas.
Prevenção
Não reproduzir cães com histórico de demodicose generalizada é a principal medida preventiva, pois a predisposição genética é transmissível. Evitar uso desnecessário de corticosteroides em cães predispostos, tratar doenças sistêmicas que causam imunossupressão e investigar a causa subjacente em adultos são condutas essenciais. Em filhotes de raças de risco, revisões dermatológicas periódicas permitem diagnóstico precoce.