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O que é Doença periodontal?

Publicado em 01 de janeiro de 2025

A doença periodontal é a afecção mais prevalente em cães e gatos, afetando mais de 80% dos animais com mais de 3 anos de idade. Trata-se de um processo inflamatório e infeccioso que progressivamente destrói as estruturas de suporte dos dentes — gengiva, ligamento periodontal, cemento e osso alveolar — levando à perda dentária e potencialmente a doenças sistêmicas. A causa primária é o acúmulo de biofilme bacteriano (placa dental) sobre os dentes. Sem higiene oral regular, a placa se mineraliza em cálculo dental e a inflamação gengival (gengivite) progride para periodontite irreversível. A prevenção por escovação é o único método comprovadamente eficaz.

O que é doença periodontal?

A doença periodontal (DP) é um conjunto de condições inflamatórias que afetam as estruturas de suporte dos dentes. Inicia-se com a gengivite — inflamação reversível da gengiva causada pela placa bacteriana — e pode progredir para periodontite, em que o processo destrói irreversivelmente o ligamento periodontal e o osso alveolar, resultando em dentes móveis e eventual perda dentária.

A bacteria oral acumula-se na interface dente-gengiva formando biofilme (placa). Sem remoção mecânica diária, a placa mineraliza em cálculo (tártaro), que serve de suporte para mais bactérias. As toxinas bacterianas e a resposta inflamatória do organismo são os agentes destrutivos do tecido periodontal.

Causas e tipos

A causa primária é o biofilme bacteriano. Fatores que agravam incluem raças braquicefálicas e de pequeno porte (dentes apinhados), maloclusões, dieta exclusivamente úmida e ausência de higiene oral. Cães pequenos (Poodle, Yorkshire, Maltês, Chihuahua) são desproporcionalmente afetados pela gravidade da doença.

  • Estágio 1 — Gengivite: gengiva avermelhada e edemaciada; sem perda óssea; reversível.
  • Estágio 2 — Periodontite leve: perda de até 25% do suporte ósseo.
  • Estágio 3 — Periodontite moderada: perda de 25 a 50% do suporte ósseo.
  • Estágio 4 — Periodontite grave: perda superior a 50%; risco de fratura mandibular.

Sintomas

A doença frequentemente é indolor nas fases iniciais — o animal continua comendo normalmente. Os tutores percebem o mau hálito (halitose) como primeiro sinal. Com a progressão surgem gengiva vermelha e sangrante, sialorreia, relutância em mastigar alimentos duros, dentes móveis e, em casos avançados, fístulas orais (trajetos fistulosos entre cavidade oral e pele do focinho).

  • Mau hálito intenso (halitose)
  • Gengiva avermelhada e sangramento ao toque
  • Cálculo dental visível (depósito amarelado/marrom)
  • Salivação excessiva
  • Dificuldade ou relutância em mastigar

Diagnóstico

O exame periodontal completo exige anestesia geral para sondagem periodontal, avaliação de mobilidade dentária e radiografias intraorais (para avaliar a perda óssea). Radiografias intraorais são imprescindíveis — estima-se que 60% das lesões periodontais estão abaixo da linha gengival e são invisíveis a olho nu. O estadiamento por dente permite planejar os procedimentos necessários.

Tratamento

A profilaxia dental veterinária (escalonamento ultrassônico, curetagem subgengival, polimento e aplicação de flúor) remove placa e cálculo, necessariamente sob anestesia geral. Dentes com periodontite moderada a grave que não podem ser salvos são extraídos. O retorno à homeostase oral depende da implementação de higiene oral doméstica após o procedimento — sem ela, a doença recidiva rapidamente.

Prevenção

A escovação dental diária com escova e pasta de dente veterinária é o padrão-ouro de prevenção. Géis enzimáticos, snacks dentais aprovados pelo VOHC, dietas secas específicas e brinquedos de borracha dura são adjuvantes. A profilaxia veterinária deve ser realizada anualmente ou com maior frequência em raças predispostas. Iniciar a escovação na fase filhote torna o processo muito mais fácil e eficaz.

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Perguntas frequentes

Com que frequência devo levar meu pet para limpeza dental?

Para a maioria dos cães e gatos, uma profilaxia anual é o mínimo recomendado. Raças pequenas, braquicefálicas e animais sem higiene oral doméstica podem precisar de limpeza a cada 6 meses. O veterinário avaliará a necessidade individual.

A limpeza dental veterinária realmente precisa de anestesia?

Sim, e é imprescindível. Sem anestesia, é impossível realizar sondagem periodontal, curetagem subgengival e radiografias intraorais com segurança e eficácia. Procedimentos sem anestesia ('anesthesia-free dentistry') são considerados antiéticos pelas principais associações veterinárias.

Posso usar pasta de dente humana no meu pet?

Não. Pastas de dente humanas contêm fluoreto e xilitol, que são tóxicos para cães e gatos. Use exclusivamente pastas de dente veterinárias, que são seguras se ingeridas e vêm em sabores palatáveis para os animais.

Meu cão não deixa escovar os dentes. O que fazer?

Comece com treino gradual: primeiro acostume o dedo na boca, depois com gaze, depois com escova. Use reforço positivo com petiscos após cada sessão. Géis enzimáticos aplicados com o dedo e aditivos de água são alternativas para animais que não toleram escovação.

A doença periodontal pode afetar órgãos internos?

Sim. Bacteremias recorrentes por bactérias orais estão associadas a doenças cardíacas (endocardite), renais e hepáticas em pets. Embora a relação causal direta seja ainda debatida, a saúde oral tem impacto sistêmico real e bem documentado.

Snacks dentais e petiscos substituem a escovação?

Não. Snacks aprovados pelo VOHC (Veterinary Oral Health Council) têm eficácia moderada como adjuvantes, mas nenhum produto substitui a escovação mecânica diária. São úteis para dias em que a escovação não é possível.

Meu gato tem mau hálito intenso. Pode ser doença periodontal?

Sim, é a causa mais comum de halitose em gatos. Outras possibilidades incluem doença renal crônica (hálito urêmico) e estomatite crônica felina. Um exame oral com o veterinário é essencial para distinguir as causas.

Qual a diferença entre placa e cálculo dental?

A placa dental é o biofilme bacteriano macio que se forma sobre os dentes após as refeições — removível pela escovação. O cálculo (tártaro) é a placa mineralizada por sais de cálcio, que adere firmemente ao dente e só pode ser removida com instrumentos ultrassônicos.

Raças pequenas têm mais problemas dentais?

Sim. Raças pequenas como Yorkshire, Poodle, Maltês, Chihuahua e Dachshund têm dentes relativamente grandes para mandíbulas pequenas, resultando em apinhamento, acúmulo de placa e progressão mais rápida da doença periodontal.

Dente extraído por doença periodontal faz falta ao pet?

Geralmente não. Dentes com periodontite grave causam dor crônica. Após a extração, os animais frequentemente comem melhor, ficam mais ativos e felizes. A boca edentada adapta-se bem, especialmente em gatos — que podem até comer ração seca sem dentes.

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