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O que é Osteomielite?

Publicado em 01 de janeiro de 2025

Osteomielite é a infecção do osso e da medula óssea, geralmente de origem bacteriana, podendo ser aguda ou crônica. Em cães e gatos, ocorre principalmente após fraturas expostas, cirurgias ortopédicas, feridas punctiformes profundas por mordidas e, menos frequentemente, pela disseminação hematogênica de infecções a distância. A condição é grave e de difícil tratamento, especialmente na forma crônica, quando o biofilme bacteriano sobre o osso ou implantes metálicos reduz drasticamente a eficácia dos antibióticos. O tratamento exige antibioticoterapia prolongada, desbridamento cirúrgico e, muitas vezes, remoção de implantes infectados.

O que é osteomielite?

Osteomielite é a inflamação infecciosa do osso que compromete o periósteo, o córtex ósseo, o canal medular e os tecidos moles adjacentes. A infecção provoca isquemia local, necrose óssea com formação de sequestros (fragmentos ósseos desvitalizados) e, cronicamente, destruição progressiva da estrutura óssea com formação de trajetórias fistulosas.

A forma hematogênica, por disseminação bacteriana pela corrente sanguínea, é mais comum em filhotes com infecções ativas em outros sítios. A forma pós-traumática ou pós-cirúrgica predomina em adultos após fraturas expostas ou implantes ortopédicos.

Causas e tipos

Staphylococcus pseudintermedius e Staphylococcus aureus são os agentes mais frequentes. Pseudomonas aeruginosa, Escherichia coli e anaeróbios são comuns em infecções polimicrobianas. Em pacientes imunossuprimidos, fungos como Aspergillus e Blastomyces podem causar osteomielite fúngica.

  • Pós-traumática: fraturas expostas, feridas por mordedura profunda
  • Pós-cirúrgica: implantes ortopédicos contaminados, placas e pinos
  • Hematogênica: disseminação bacteriana a partir de infecção à distância
  • Por extensão: infecção de tecidos moles adjacentes invadindo o osso
  • Fúngica: aspergilus, blastomicose (menos comum)

Sintomas

Na forma aguda: febre, dor intensa localizada, edema, calor e eritema sobre o osso afetado, claudicação grave e recusa em apoiar o membro. O animal frequentemente fica apático e anorético. Em casos hematogênicos em filhotes, os sintomas sistêmicos predominam com febre alta e sepse.

Na forma crônica: trajetórias fistulosas que drenam secreção purulenta pela pele, dor persistente, claudicação intermitente e deterioração progressiva. O animal pode estar em estado geral aparentemente preservado mas com destruição óssea avançada evidenciada ao raio-X.

Diagnóstico

A radiografia do osso afetado mostra lise óssea focal, reação periosteal e eventual sequestro ósseo. A tomografia computadorizada detalha melhor a extensão da lesão, especialmente útil no planejamento cirúrgico. A cultura da secreção ou do osso desbridado é fundamental para identificar o agente e guiar a antibioticoterapia com base no antibiograma.

Hemograma e proteínas de fase aguda (PCR) monitoram a resposta inflamatória sistêmica e a evolução do tratamento.

Tratamento

O tratamento combina cirurgia e antibioticoterapia prolongada. O desbridamento cirúrgico remove tecido necrótico, sequestros ósseos e biofilme. Implantes infectados devem ser removidos quando a consolidação óssea permitir. Sistemas de liberação local de antibióticos (esferas de PMMA com gentamicina) são recursos complementares que garantem concentrações elevadas no sítio infectado.

A antibioticoterapia sistêmica, guiada pelo antibiograma, dura de 6 a 12 semanas. Fluoroquinolonas, clindamicina e amoxicilina-clavulanato têm boa penetração óssea. O prognóstico é melhor quanto mais precoce o tratamento — osteomielites crônicas com envolvimento extenso podem resultar em amputação do membro.

Prevenção

Tratar imediatamente fraturas expostas e feridas profundas por mordedura, realizar cirurgias ortopédicas com técnica asséptica rigorosa, usar antibióticos perioperatórios adequados e monitorar pós-operatórios de ortopedia com atenção a sinais de infecção são as principais medidas preventivas. Animais com implantes devem ter acompanhamento radiográfico periódico para detectar precocemente sinais de infecção.

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Perguntas frequentes

O que causa osteomielite após cirurgia ortopédica?

A contaminação bacteriana durante ou após a cirurgia, especialmente quando há implantes metálicos, é a causa mais comum. Bactérias formam biofilme sobre o implante, tornando a infecção resistente a antibióticos. Técnica cirúrgica asséptica e antibióticos perioperatórios reduzem o risco.

Meu cão teve uma fratura exposta. Qual o risco de osteomielite?

Alto. Fraturas expostas estão diretamente contaminadas pelo ambiente externo. O tratamento imediato com irrigação abundante, desbridamento e antibioticoterapia reduz o risco, mas não o elimina completamente. Acompanhamento rigoroso no pós-operatório é essencial.

Como saber se o osso está infectado?

Dor persistente, febre, secreção purulenta em trajetória fistulosa próxima ao osso ou implante, calor e edema local são sinais suspeitos. A radiografia e a cultura da secreção confirmam o diagnóstico. Não espere — osteomielite crônica é muito mais difícil de tratar.

Preciso tirar a placa ou o pino do meu cão para tratar a osteomielite?

Depende se o osso já consolidou. Se o implante ainda é necessário para estabilidade, mantém-se enquanto se faz o desbridamento e a antibioticoterapia. Após consolidação, o implante infectado é removido para eliminar o biofilme. O veterinário ortopedista decidirá o momento ideal.

Quanto tempo dura o tratamento de osteomielite?

A antibioticoterapia sistêmica dura de 6 a 12 semanas, guiada pelo antibiograma. Reavaliações radiográficas e laboratoriais monitoram a resposta. Osteomielites crônicas podem exigir tratamento ainda mais prolongado e múltiplos desbridamentos cirúrgicos.

Osteomielite pode levar à amputação?

Sim, em casos graves de osteomielite crônica com destruição óssea extensa, isquemia do membro ou sepse refratária ao tratamento. A amputação é uma decisão difícil, mas pode ser a única opção para salvar a vida do animal e eliminar a dor crônica.

Filhotes têm risco maior de osteomielite hematogênica?

Sim. Filhotes com infecções ativas (onfalite, pneumonia, infecção de feridas) podem disseminar bactérias pela corrente sanguínea até os ossos, onde o fluxo sanguíneo é abundante nas metáfises. Tratar infecções primárias imediatamente em filhotes é fundamental para prevenir essa complicação.

O que é sequestro ósseo?

É um fragmento de osso necrótico que se separa do osso vivo durante a osteomielite. Funciona como corpo estranho e abrigo para bactérias, perpetuando a infecção. O sequestro precisa ser removido cirurgicamente para permitir a cura da osteomielite.

Esferas de antibiótico no osso realmente funcionam?

Sim. Esferas de polimetilmetacrilato (PMMA) impregnadas com antibiótico (geralmente gentamicina ou tobramicina) liberam concentrações elevadas do medicamento diretamente no sítio de infecção por semanas, superando a barreira que impede a penetração óssea de antibióticos sistêmicos.

Osteomielite fúngica existe em pets?

Sim, mas é incomum. Fungos como Aspergillus, Blastomyces e Coccidioides podem causar osteomielite fúngica, geralmente associada a imunossupressão ou infecção disseminada. O tratamento antifúngico é prolongado (meses) e o prognóstico é mais reservado.

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