O que é osteomielite?
Osteomielite é a inflamação infecciosa do osso que compromete o periósteo, o córtex ósseo, o canal medular e os tecidos moles adjacentes. A infecção provoca isquemia local, necrose óssea com formação de sequestros (fragmentos ósseos desvitalizados) e, cronicamente, destruição progressiva da estrutura óssea com formação de trajetórias fistulosas.
A forma hematogênica, por disseminação bacteriana pela corrente sanguínea, é mais comum em filhotes com infecções ativas em outros sítios. A forma pós-traumática ou pós-cirúrgica predomina em adultos após fraturas expostas ou implantes ortopédicos.
Causas e tipos
Staphylococcus pseudintermedius e Staphylococcus aureus são os agentes mais frequentes. Pseudomonas aeruginosa, Escherichia coli e anaeróbios são comuns em infecções polimicrobianas. Em pacientes imunossuprimidos, fungos como Aspergillus e Blastomyces podem causar osteomielite fúngica.
- Pós-traumática: fraturas expostas, feridas por mordedura profunda
- Pós-cirúrgica: implantes ortopédicos contaminados, placas e pinos
- Hematogênica: disseminação bacteriana a partir de infecção à distância
- Por extensão: infecção de tecidos moles adjacentes invadindo o osso
- Fúngica: aspergilus, blastomicose (menos comum)
Sintomas
Na forma aguda: febre, dor intensa localizada, edema, calor e eritema sobre o osso afetado, claudicação grave e recusa em apoiar o membro. O animal frequentemente fica apático e anorético. Em casos hematogênicos em filhotes, os sintomas sistêmicos predominam com febre alta e sepse.
Na forma crônica: trajetórias fistulosas que drenam secreção purulenta pela pele, dor persistente, claudicação intermitente e deterioração progressiva. O animal pode estar em estado geral aparentemente preservado mas com destruição óssea avançada evidenciada ao raio-X.
Diagnóstico
A radiografia do osso afetado mostra lise óssea focal, reação periosteal e eventual sequestro ósseo. A tomografia computadorizada detalha melhor a extensão da lesão, especialmente útil no planejamento cirúrgico. A cultura da secreção ou do osso desbridado é fundamental para identificar o agente e guiar a antibioticoterapia com base no antibiograma.
Hemograma e proteínas de fase aguda (PCR) monitoram a resposta inflamatória sistêmica e a evolução do tratamento.
Tratamento
O tratamento combina cirurgia e antibioticoterapia prolongada. O desbridamento cirúrgico remove tecido necrótico, sequestros ósseos e biofilme. Implantes infectados devem ser removidos quando a consolidação óssea permitir. Sistemas de liberação local de antibióticos (esferas de PMMA com gentamicina) são recursos complementares que garantem concentrações elevadas no sítio infectado.
A antibioticoterapia sistêmica, guiada pelo antibiograma, dura de 6 a 12 semanas. Fluoroquinolonas, clindamicina e amoxicilina-clavulanato têm boa penetração óssea. O prognóstico é melhor quanto mais precoce o tratamento — osteomielites crônicas com envolvimento extenso podem resultar em amputação do membro.
Prevenção
Tratar imediatamente fraturas expostas e feridas profundas por mordedura, realizar cirurgias ortopédicas com técnica asséptica rigorosa, usar antibióticos perioperatórios adequados e monitorar pós-operatórios de ortopedia com atenção a sinais de infecção são as principais medidas preventivas. Animais com implantes devem ter acompanhamento radiográfico periódico para detectar precocemente sinais de infecção.