O que é osteossarcoma?
Osteossarcoma é um tumor maligno que se origina nas células ósseas, especialmente os osteoblastos. É o câncer ósseo primário mais comum em cães e é caracterizado por crescimento rápido, destruição do osso afetado e altíssima taxa de metástase, principalmente para os pulmões. Em gatos é raro e tem comportamento ligeiramente menos agressivo.
O tumor localiza-se predominantemente nas metáfises dos ossos longos — os extremos dos ossos dos membros, especialmente rádio distal, tíbia proximal e fêmur distal. A dor é intensa e progressiva, e a fratura patológica do osso comprometido pode ser a primeira manifestação clínica.
Causas e fatores de risco
A causa exata é desconhecida, mas a predisposição de raças gigantes sugere forte influência genética e mecânica — ossos submetidos a maior tensão ao longo da vida desenvolvem o tumor com maior frequência. Traumatismos ósseos prévios, osteomielite crônica e implantes metálicos em fraturas antigas são fatores de risco documentados.
- Raças predispostas: Rottweiler, São Bernardo, Dogue Alemão, Irish Wolfhound
- Idade: geralmente entre 7 e 10 anos
- Porte: cães acima de 30 kg têm risco muito maior
- Localização: rádio distal é o sítio mais frequente
- Machos são ligeiramente mais afetados que fêmeas
Sintomas
O sinal mais precoce é a claudicação progressiva de um membro, frequentemente confundida com artrite ou trauma. A dor piora com o tempo e não responde satisfatoriamente a anti-inflamatórios convencionais. À palpação, há uma massa dura e dolorosa sobre o osso afetado, com aumento de volume local.
Com a progressão, o animal passa a poupar completamente o membro, perde peso, fica letárgico e pode apresentar fratura espontânea do osso destruído pelo tumor. Sintomas respiratórios como tosse e dispneia indicam metástases pulmonares.
Diagnóstico
A radiografia do membro afetado revela padrão característico de destruição óssea com reação periosteal agressiva ("triângulo de Codman" e aspecto "em raios de sol"). A biópsia óssea confirma o diagnóstico histopatológico. Radiografia torácica e tomografia computadorizada do tórax são essenciais para estadiar as metástases pulmonares.
Exames laboratoriais (hemograma, bioquímica, fosfatase alcalina) auxiliam no estadiamento e no planejamento cirúrgico. Níveis elevados de fosfatase alcalina estão associados a pior prognóstico.
Tratamento
O tratamento padrão é a amputação do membro afetado seguida de quimioterapia com carboplatina ou cisplatina (4 a 6 sessões). A combinação prolonga a sobrevida mediana de 4 meses (só com amputação) para 10 a 14 meses. Em casos selecionados, a cirurgia poupadora de membro (limb-sparing) com implante e quimioterapia é uma alternativa.
O controle da dor é prioritário em toda a evolução do tratamento, utilizando opioides, gabapentina e bifosfonatos. Cuidados paliativos incluem radioterapia paliativa para analgesia quando a cirurgia não é possível.
Prevenção
Não há prevenção específica conhecida para o osteossarcoma. O diagnóstico precoce por meio de consultas regulares com proprietários atentos à claudicação, especialmente em raças de grande porte acima dos 6 anos, é a melhor estratégia para aumentar as chances de tratamento eficaz e prolongar a qualidade de vida do animal.