O que é xeroderma
Xeroderma é o termo médico para a pele excessivamente seca e descamativa. Na pele saudável, a camada córnea retém umidade graças a lipídios intercelulares e ao fator natural de hidratação (NMF). Quando esses componentes estão deficientes, a barreira se torna permeável, a água evapora com facilidade e a pele perde elasticidade, tornando-se áspera e quebradiça.
Em cães e gatos, o xeroderma pode ser primário (predisposição racial, como no Cocker Spaniel) ou secundário a diversas doenças sistêmicas. A condição causa desconforto, prurido e favorece infecções cutâneas que agravam o quadro clínico.
Causas e tipos
As causas de xeroderma em pequenos animais são variadas:
- Deficiências nutricionais de ácidos graxos essenciais, zinco ou vitamina A
- Hipotireoidismo — pele espessa, seca e com pelo opaco
- Hiperadrenocorticismo — alterações no metabolismo da pele
- Dermatite atópica e alergias alimentares
- Banhos excessivos ou uso de shampoos inadequados
- Ambiente com umidade relativa muito baixa
- Ictiose — genodermatose com descamação severa em algumas raças
Sintomas
Os sinais clínicos incluem pele visivelmente seca e descamativa (caspa), pelo opaco, quebradiço e sem brilho, prurido variável e espessamento progressivo da pele em casos crônicos. Fissuras e rachaduras, especialmente nos coxins e ao redor dos lábios, são comuns em formas graves.
Infecções secundárias por Staphylococcus spp. e Malassezia pachydermatis podem sobrepor-se ao quadro, gerando piodermatite e dermatite seborreica que intensificam o prurido e a descamação.
Diagnóstico
O diagnóstico clínico baseia-se no exame físico minucioso da pele e do pelo. Raspados cutâneos, citologia e cultura bacteriana/fúngica auxiliam na identificação de infecções secundárias. Biópsias podem revelar ictiose ou outras genodermatoses.
A investigação da causa de base inclui hemograma, bioquímica sérica, dosagem de T4 e cortisol, além de testes de alergia. A história dietética detalhada é fundamental para identificar deficiências nutricionais.
Tratamento
O tratamento é direcionado à causa de base. Deficiências nutricionais respondem à suplementação de ácidos graxos ômega-3 e ômega-6, zinco quelado e vitamina E. Distúrbios endócrinos exigem terapia hormonal específica. Banhos com shampoos umectantes à base de coleia de aveia ou ceramidas e condicionadores hidratantes complementam o tratamento tópico.
Infecções secundárias requerem antibioticoterapia ou antifúngicos conforme o agente identificado. Em animais com ictiose, o manejo é paliativo e contínuo ao longo da vida.
Prevenção
Oferecer uma dieta balanceada e de qualidade, rica em ácidos graxos essenciais, é a principal medida preventiva. Evitar banhos excessivos — no máximo mensais para a maioria dos cães — e usar sempre produtos formulados para pets preservam a barreira lipídica da pele. Umidificadores ambientais ajudam em climas muito secos.