O que é xantoma
Xantoma é uma lesão benigna caracterizada pelo acúmulo de células espumosas — macrófagos que fagocitaram grande quantidade de lipídios — nos tecidos moles. Em medicina veterinária, a condição acomete principalmente cães e gatos, podendo surgir na derme, no tecido subcutâneo, nos tendões e, em casos graves, em órgãos internos como o fígado e o baço.
As lesões se apresentam como nódulos ou placas firmes, de coloração amarelada, branco-amarelada ou cor de pele, geralmente indolores ao toque. Podem ser únicas ou múltiplas e variar de milímetros a vários centímetros de diâmetro.
Causas e tipos
A formação de xantomas está diretamente ligada ao excesso de lipídios circulantes no sangue. As principais causas incluem:
- Hiperlipidemia primária (hereditária, comum em Schnauzers miniatura)
- Hipotireoidismo — reduz o metabolismo de gorduras
- Diabetes mellitus — altera o metabolismo lipídico
- Hiperadrenocorticismo (Cushing)
- Dieta excessivamente rica em gorduras
- Colangiopatias e hepatopatias que comprometem o metabolismo lipídico
Sintomas
Os sinais clínicos variam conforme a localização e o número de lesões. Na pele, observam-se nódulos amarelados, geralmente sem prurido nem dor. Quando localizados em tendões ou articulações, podem causar claudicação ou rigidez. Xantomas nos nervos periféricos podem provocar paresia ou paralisia localizada.
Sintomas sistêmicos relacionados à doença de base — como polidipsia, poliúria, ganho de peso, letargia e alterações no pelo — costumam estar presentes e orientam o diagnóstico etiológico.
Diagnóstico
O diagnóstico definitivo é histopatológico: a biópsia da lesão revela infiltração maciça de células espumosas repletas de vacúolos lipídicos. O exame citológico por punção aspirativa por agulha fina (PAAF) pode sugerir o diagnóstico ao identificar essas células características.
Exames complementares essenciais incluem perfil bioquímico completo (colesterol total, triglicerídeos, glicemia), hemograma, dosagem de T4 total e teste de supressão com dexametasona para rastrear doenças endócrinas associadas.
Tratamento
O tratamento prioritário é o controle da doença de base. A correção da hiperlipidemia — seja por ajuste dietético, suplementação com ácidos graxos ômega-3 ou medicação hipolipemiante — frequentemente leva à regressão espontânea das lesões menores. Doenças endócrinas subjacentes devem ser tratadas conforme o protocolo específico.
Lesões grandes, ulceradas ou funcionalmente limitantes podem ser removidas cirurgicamente após estabilização metabólica. A recorrência é esperada se a causa de base não for adequadamente controlada.
Prevenção
A prevenção passa pelo manejo adequado da dieta — evitar rações com excesso de gordura saturada — e pelo monitoramento regular de animais com predisposição racial ou histórico de doenças metabólicas. Triagem laboratorial semestral em cães de raças predispostas, como Schnauzers miniatura, permite detectar hiperlipidemia antes do surgimento de lesões clínicas visíveis.