O que é diabetes mellitus?
O diabetes mellitus (DM) é uma síndrome de hiperglicemia crônica causada por deficiência de secreção de insulina, resistência à sua ação ou ambas. A insulina produzida pelo pâncreas é necessária para que a glicose entre nas células e seja utilizada como energia. Sem ela, a glicose se acumula no sangue e é eliminada na urina, enquanto as células "morrem de fome".
Em cães, o DM é semelhante ao tipo 1 humano (dependência de insulina); em gatos, assemelha-se ao tipo 2 (resistência periférica, com possibilidade de remissão). A obesidade é o principal fator de risco em felinos.
Causas e tipos
Em cães, o DM resulta geralmente da destruição das células beta pancreáticas por pancreatite crônica, doença autoimune ou resistência hormonal (diestro, progesterona exógena, hiperadrenocorticismo). Em gatos, a obesidade e dietas ricas em carboidratos criam resistência à insulina progressiva. Outras causas incluem uso crônico de corticosteroides e acromegalia felina.
- DM tipo 1 (canino): dependência permanente de insulina.
- DM tipo 2 (felino): resistência insulínica; remissão possível com controle de peso e dieta low-carb.
- DM secundário: causado por outras doenças (hiperadrenocorticismo, acromegalia).
Sintomas
Os quatro sinais clássicos formam o quadro inicial: poliúria (muita urina), polidipsia (muita sede), polifagia (muita fome) e perda de peso apesar do apetite aumentado. Em estágios avançados surgem letargia, vômitos, cetoacidose (hálito de acetona), catarata (cães) e neuropatia periférica com fraqueza dos membros posteriores (gatos).
- Sede e urina excessivas
- Perda de peso progressiva
- Apetite aumentado
- Catarata bilateral rápida (cães)
- Andar cambaleante nos membros traseiros (gatos)
Diagnóstico
O diagnóstico é confirmado pela combinação de hiperglicemia persistente (>200 mg/dL em cães; >300 mg/dL em gatos) e glicosúria. Hemograma completo, bioquímica sérica, urinálise com cultura e dosagem de frutosamina compõem a investigação inicial. A frutosamina reflete o controle glicêmico das últimas 2 a 3 semanas, diferentemente da glicemia pontual — importante em gatos que apresentam hiperglicemia por estresse.
Tratamento
A insulinoterapia é obrigatória em cães e na maioria dos gatos. As insulinas mais utilizadas são a insulina glargina (gatos) e a insulina NPH ou lente (cães), aplicadas por via subcutânea 1 a 2 vezes ao dia. A dieta deve ser padronizada: refeições nos mesmos horários, com baixo teor de carboidratos simples para gatos e alta fibra para cães. Monitoramento da glicemia em casa com glicosímetro reduz idas ao veterinário e permite ajustes mais rápidos.
Prevenção
Manter o peso ideal do pet é a principal medida preventiva, sobretudo em gatos. Evitar o uso prolongado de corticosteroides sem necessidade, tratar precocemente pancreatites e realizar exames anuais de sangue e urina em animais com mais de 7 anos são estratégias que permitem detectar a resistência insulínica antes de o diabetes se instalar. Castração de cadelas elimina o risco associado ao diestro.