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O que é Diabetes mellitus?

Publicado em 01 de janeiro de 2025

O diabetes mellitus é uma doença metabólica crônica caracterizada pela incapacidade de o organismo produzir ou utilizar adequadamente a insulina, hormônio responsável pela entrada de glicose nas células. Em pets, a condição resulta em hiperglicemia persistente e glicosúria, afetando principalmente cães e gatos de meia-idade a idosos. Sem tratamento, o diabetes evolui para cetoacidose diabética, uma emergência com risco de vida. Com diagnóstico precoce, insulinoterapia adequada e ajuste nutricional, a maioria dos animais alcança boa qualidade de vida por muitos anos.

O que é diabetes mellitus?

O diabetes mellitus (DM) é uma síndrome de hiperglicemia crônica causada por deficiência de secreção de insulina, resistência à sua ação ou ambas. A insulina produzida pelo pâncreas é necessária para que a glicose entre nas células e seja utilizada como energia. Sem ela, a glicose se acumula no sangue e é eliminada na urina, enquanto as células "morrem de fome".

Em cães, o DM é semelhante ao tipo 1 humano (dependência de insulina); em gatos, assemelha-se ao tipo 2 (resistência periférica, com possibilidade de remissão). A obesidade é o principal fator de risco em felinos.

Causas e tipos

Em cães, o DM resulta geralmente da destruição das células beta pancreáticas por pancreatite crônica, doença autoimune ou resistência hormonal (diestro, progesterona exógena, hiperadrenocorticismo). Em gatos, a obesidade e dietas ricas em carboidratos criam resistência à insulina progressiva. Outras causas incluem uso crônico de corticosteroides e acromegalia felina.

  • DM tipo 1 (canino): dependência permanente de insulina.
  • DM tipo 2 (felino): resistência insulínica; remissão possível com controle de peso e dieta low-carb.
  • DM secundário: causado por outras doenças (hiperadrenocorticismo, acromegalia).

Sintomas

Os quatro sinais clássicos formam o quadro inicial: poliúria (muita urina), polidipsia (muita sede), polifagia (muita fome) e perda de peso apesar do apetite aumentado. Em estágios avançados surgem letargia, vômitos, cetoacidose (hálito de acetona), catarata (cães) e neuropatia periférica com fraqueza dos membros posteriores (gatos).

  • Sede e urina excessivas
  • Perda de peso progressiva
  • Apetite aumentado
  • Catarata bilateral rápida (cães)
  • Andar cambaleante nos membros traseiros (gatos)

Diagnóstico

O diagnóstico é confirmado pela combinação de hiperglicemia persistente (>200 mg/dL em cães; >300 mg/dL em gatos) e glicosúria. Hemograma completo, bioquímica sérica, urinálise com cultura e dosagem de frutosamina compõem a investigação inicial. A frutosamina reflete o controle glicêmico das últimas 2 a 3 semanas, diferentemente da glicemia pontual — importante em gatos que apresentam hiperglicemia por estresse.

Tratamento

A insulinoterapia é obrigatória em cães e na maioria dos gatos. As insulinas mais utilizadas são a insulina glargina (gatos) e a insulina NPH ou lente (cães), aplicadas por via subcutânea 1 a 2 vezes ao dia. A dieta deve ser padronizada: refeições nos mesmos horários, com baixo teor de carboidratos simples para gatos e alta fibra para cães. Monitoramento da glicemia em casa com glicosímetro reduz idas ao veterinário e permite ajustes mais rápidos.

Prevenção

Manter o peso ideal do pet é a principal medida preventiva, sobretudo em gatos. Evitar o uso prolongado de corticosteroides sem necessidade, tratar precocemente pancreatites e realizar exames anuais de sangue e urina em animais com mais de 7 anos são estratégias que permitem detectar a resistência insulínica antes de o diabetes se instalar. Castração de cadelas elimina o risco associado ao diestro.

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Perguntas frequentes

Cão diabético precisa tomar insulina para sempre?

Na grande maioria dos casos caninos, sim. O diabetes em cães é geralmente permanente devido à destruição das células beta pancreáticas. Raramente há remissão, ao contrário do que ocorre em gatos.

Gatos diabéticos podem entrar em remissão?

Sim, especialmente se tratados precocemente com insulina glargina e dieta muito pobre em carboidratos. A remissão ocorre em até 40% dos gatos diabéticos recém-diagnosticados que atingem controle glicêmico adequado.

Como aplicar insulina no pet em casa?

A aplicação subcutânea é feita com seringa de insulina U-100 ou caneta, na prega de pele do pescoço ou flancos, alternando os lados. O veterinário treinará o tutor antes da alta, e a técnica é rapidamente aprendida.

O que é cetoacidose diabética e é uma emergência?

Sim, é uma emergência. Ocorre quando a falta grave de insulina força o corpo a queimar gordura em excesso, produzindo corpos cetônicos que acidificam o sangue. Sinais: vômitos, prostração, hálito adocicado e desidratação grave. Requer hospitalização imediata.

Qual é a dieta ideal para um pet diabético?

Para gatos, dieta úmida com alto teor de proteína e baixo teor de carboidratos é a mais indicada. Para cães, dieta com fibra moderada a alta e consistência calórica nas refeições. A mudança dietética deve ser orientada pelo veterinário.

Catarata é comum em cães diabéticos?

Sim, muito. Cerca de 75% dos cães diabéticos desenvolvem catarata nos primeiros 12 meses após o diagnóstico. A glicose elevada no humor aquoso é convertida em sorbitol, que se acumula no cristalino e opacifica a lente. Cirurgia é o único tratamento.

Quanto custa tratar um pet diabético?

O custo mensal envolve insulina, seringas ou caneta, fitas de glicosímetro, dieta específica e consultas de monitoramento. Varia muito conforme o porte do animal e a insulina utilizada. O veterinário pode ajudar a otimizar o protocolo dentro do orçamento disponível.

Posso usar glicosímetro humano para medir a glicose do meu pet?

Glicosímetros humanos podem ser usados, mas apresentam variação de até 15% em gatos e 10% em cães em relação aos valores reais. Glicosímetros veterinários calibrados para cada espécie são mais precisos e cada vez mais acessíveis.

Com que frequência devo retornar ao veterinário com um pet diabético?

Na fase de ajuste inicial, retornos semanais ou quinzenais são comuns. Após estabilização, consultas a cada 3 meses com curva glicêmica e frutosamina são suficientes. O monitoramento domiciliar reduz a frequência de visitas.

A obesidade realmente causa diabetes em gatos?

É o principal fator de risco modificável. Gatos obesos têm resistência à insulina; com a progressão, as células beta entram em exaustão e o diabetes se instala. Manter o gato em peso ideal é a medida preventiva mais eficaz.

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