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O que é Doença de Addison?

Publicado em 01 de janeiro de 2025

A doença de Addison, ou hipoadrenocorticismo, é uma endocrinopatia causada pela produção insuficiente de hormônios do córtex adrenal — principalmente cortisol e aldosterona. Em cães, a doença é mais prevalente em fêmeas jovens a adultas e em algumas raças como Poodle Standard, Beagle e Nova Scotia Duck Tolling Retriever. O diagnóstico é desafiador porque os sinais são inespecíficos e episódicos — motivo pelo qual é chamada de 'o grande imitador'. Uma crise addisoniana (hipotensão e hipercalemia graves) é uma emergência que pode ser fatal sem tratamento imediato, mas o prognóstico com tratamento adequado é excelente.

O que é doença de Addison?

A doença de Addison, ou hipoadrenocorticismo primário, resulta da destruição das glândulas adrenais, normalmente por processo imunomediado. As adrenais deixam de produzir cortisol (glicocorticoide essencial para o metabolismo e resposta ao estresse) e aldosterona (mineralocorticoide que regula sódio, potássio e volume circulante). A deficiência crônica desses hormônios gera desequilíbrios metabólicos progressivos.

O hipoadrenocorticismo secundário, causado por deficiência de ACTH hipofisário (frequentemente após supressão por uso crônico de corticosteroides), afeta apenas o cortisol — a aldosterona permanece relativamente preservada, tornando as crises eletrolíticas menos prováveis.

Causas e tipos

A forma primária mais comum é imunomediada (destruição autoimune das adrenais). Outras causas incluem infecções fúngicas adrenais, hemorragia adrenal, metástases neoplásicas e adrenalectomia bilateral. A forma iatrogênica (retirada abrupta de corticosteroides após uso prolongado) é a principal causa da forma secundária em cães.

  • Hipoadrenocorticismo primário típico: deficiência de glico e mineralocorticoides.
  • Hipoadrenocorticismo primário atípico: só deficiência de glicocorticoide — diagnóstico mais difícil sem alteração eletrolítica.
  • Hipoadrenocorticismo secundário: deficiência isolada de cortisol por falha hipofisária ou iatrogênica.

Sintomas

Os sinais são waxing and waning (aparecem e somem): letargia intermitente, vômitos, diarreia, anorexia, perda de peso e fraqueza. Muitos tutores relatam que o cão "parece melhorar com soro" — o que é uma pista diagnóstica importante. A crise addisoniana manifesta-se com colapso, bradicardia, hipotensão grave e risco de parada cardiorrespiratória por hipercalemia severa.

  • Letargia e fraqueza episódicas
  • Vômitos e diarreia recorrentes
  • Perda de peso e apetite
  • Melhora dramática com fluidoterapia
  • Colapso em situações de estresse (crise addisoniana)

Diagnóstico

O diagnóstico é confirmado pelo teste de estimulação com ACTH: cortisol pré e pós-estimulação com ACTH sintético — valores muito baixos em ambas as coletas confirmam hipoadrenocorticismo. O eletrolítograma revela hiponatremia e hipercalemia (relação sódio:potássio abaixo de 27:1) na forma típica. Hemograma, bioquímica e urinálise são parte da investigação inicial.

Tratamento

A crise addisoniana é tratada com fluidoterapia agressiva (SF 0,9%) e dexametasona intravenosa em emergência. O tratamento de manutenção da forma típica inclui mineralocorticoide (desoxicorticosterona — DOCP injetável mensal, ou fludrocortisona oral diária) e glicocorticoide (prednisolona em dose fisiológica). Em situações de estresse (viagens, cirurgias, doenças), a dose de glicocorticoide deve ser dobrada ou triplicada — regra do "stress dosing".

Prevenção

Não há prevenção para a forma imunomediada. A forma iatrogênica é prevenida com retirada gradual de corticosteroides após uso prolongado — nunca interromper abruptamente. Donos de cães addisonianos devem ser treinados para reconhecer sinais de crise, portar dexametasona injetável em emergências e informar qualquer veterinário sobre o diagnóstico do animal antes de qualquer procedimento.

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Perguntas frequentes

A doença de Addison em cães tem cura?

A forma imunomediada é permanente e exige tratamento contínuo pelo resto da vida. Com medicação adequada e monitoramento regular, os cães addisonianos têm expectativa de vida normal e excelente qualidade de vida.

Como reconhecer uma crise addisoniana?

O cão apresenta fraqueza súbita intensa, pode não conseguir se levantar, tem pulso fraco e lento, mucosas pálidas e extremidades frias. É uma emergência — leve imediatamente a um hospital veterinário e informe sobre o diagnóstico de Addison.

O que é o 'stress dosing' na doença de Addison?

É o aumento da dose de glicocorticoide (2 a 3 vezes a dose habitual) em situações de estresse físico ou emocional: cirurgias, doenças, viagens longas, shows. Sem esse ajuste, o animal pode entrar em crise por insuficiência de cortisol.

Qual a diferença entre DOCP e fludrocortisona?

Ambos são mineralocorticoides. A DOCP (desoxicorticosterona pivalato) é injetável mensal, sem atividade glicocorticoide, e geralmente requer suplementação adicional de prednisolona. A fludrocortisona tem ação mista, mas pode ser insuficiente como glicocorticoide em alguns cães.

Raças de cães têm mais predisposição para Addison?

Sim. Poodle Standard, Beagle, Nova Scotia Duck Tolling Retriever, Labrador, Springer Spaniel Inglês e West Highland White Terrier têm maior prevalência relatada. Fêmeas jovens a adultas são mais frequentemente afetadas.

A doença de Addison pode ser confundida com outras doenças?

Sim, e muito. Por isso é chamada de 'o grande imitador'. Vômito e letargia crônicos podem levar a suspeita de doença gastrointestinal, renal ou hepática. A resposta dramática à fluidoterapia deve levantar suspeita de Addison.

Quanto custa tratar a doença de Addison em cães?

O custo principal é a injeção mensal de DOCP, que varia conforme o peso do cão. A prednisolona oral tem custo muito baixo. Exames de eletrólitos e cortisol a cada 3 a 6 meses são necessários. É uma doença tratável dentro de um orçamento planejável.

Gatos podem ter doença de Addison?

Sim, mas é muito rara em felinos. Quando ocorre, os sinais e tratamento são semelhantes aos caninos. O diagnóstico em gatos costuma ser mais tardio por menor suspeita clínica.

O cão com Addison pode levar vida normal?

Absolutamente. Com medicação regular e monitoramento semestral, cães addisonianos brincam, se exercitam e têm vida plena. O maior cuidado é não esquecer as medicações e aplicar o stress dosing quando necessário.

É possível retirar o tratamento depois de algum tempo?

Na forma primária imunomediada, não. A destruição das adrenais é permanente e a dependência de mineralocorticoides e glicocorticoides é vitalícia. Na forma iatrogênica (após supressão por corticosteroides), a recuperação do eixo hipofisário-adrenal pode ocorrer gradualmente.

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