O que é doença de Addison?
A doença de Addison, ou hipoadrenocorticismo primário, resulta da destruição das glândulas adrenais, normalmente por processo imunomediado. As adrenais deixam de produzir cortisol (glicocorticoide essencial para o metabolismo e resposta ao estresse) e aldosterona (mineralocorticoide que regula sódio, potássio e volume circulante). A deficiência crônica desses hormônios gera desequilíbrios metabólicos progressivos.
O hipoadrenocorticismo secundário, causado por deficiência de ACTH hipofisário (frequentemente após supressão por uso crônico de corticosteroides), afeta apenas o cortisol — a aldosterona permanece relativamente preservada, tornando as crises eletrolíticas menos prováveis.
Causas e tipos
A forma primária mais comum é imunomediada (destruição autoimune das adrenais). Outras causas incluem infecções fúngicas adrenais, hemorragia adrenal, metástases neoplásicas e adrenalectomia bilateral. A forma iatrogênica (retirada abrupta de corticosteroides após uso prolongado) é a principal causa da forma secundária em cães.
- Hipoadrenocorticismo primário típico: deficiência de glico e mineralocorticoides.
- Hipoadrenocorticismo primário atípico: só deficiência de glicocorticoide — diagnóstico mais difícil sem alteração eletrolítica.
- Hipoadrenocorticismo secundário: deficiência isolada de cortisol por falha hipofisária ou iatrogênica.
Sintomas
Os sinais são waxing and waning (aparecem e somem): letargia intermitente, vômitos, diarreia, anorexia, perda de peso e fraqueza. Muitos tutores relatam que o cão "parece melhorar com soro" — o que é uma pista diagnóstica importante. A crise addisoniana manifesta-se com colapso, bradicardia, hipotensão grave e risco de parada cardiorrespiratória por hipercalemia severa.
- Letargia e fraqueza episódicas
- Vômitos e diarreia recorrentes
- Perda de peso e apetite
- Melhora dramática com fluidoterapia
- Colapso em situações de estresse (crise addisoniana)
Diagnóstico
O diagnóstico é confirmado pelo teste de estimulação com ACTH: cortisol pré e pós-estimulação com ACTH sintético — valores muito baixos em ambas as coletas confirmam hipoadrenocorticismo. O eletrolítograma revela hiponatremia e hipercalemia (relação sódio:potássio abaixo de 27:1) na forma típica. Hemograma, bioquímica e urinálise são parte da investigação inicial.
Tratamento
A crise addisoniana é tratada com fluidoterapia agressiva (SF 0,9%) e dexametasona intravenosa em emergência. O tratamento de manutenção da forma típica inclui mineralocorticoide (desoxicorticosterona — DOCP injetável mensal, ou fludrocortisona oral diária) e glicocorticoide (prednisolona em dose fisiológica). Em situações de estresse (viagens, cirurgias, doenças), a dose de glicocorticoide deve ser dobrada ou triplicada — regra do "stress dosing".
Prevenção
Não há prevenção para a forma imunomediada. A forma iatrogênica é prevenida com retirada gradual de corticosteroides após uso prolongado — nunca interromper abruptamente. Donos de cães addisonianos devem ser treinados para reconhecer sinais de crise, portar dexametasona injetável em emergências e informar qualquer veterinário sobre o diagnóstico do animal antes de qualquer procedimento.