O que é nistagmo?
Nistagmo é o movimento ocular involuntário e rítmico que oscila entre uma fase lenta (deriva) e uma fase rápida de retorno (sacada corretiva). Os olhos se movem de um lado para outro, para cima e para baixo, ou em rotação, sem que o animal consiga controlar esse movimento. A denominação da direção do nistagmo segue a fase rápida por convenção.
Em condições normais, o sistema vestibular coordena a posição dos olhos com a posição da cabeça e do corpo, mantendo a visão estável. Quando este sistema está disfuncionante, os olhos perdem a capacidade de se manter fixos em um alvo, resultando no nistagmo patológico. É um achado neurológico de grande valor localizatório no exame clínico.
Causas e tipos
As causas se dividem em periféricas e centrais. O nistagmo periférico origina-se de disfunção do ouvido interno (labirinto) ou do nervo vestibulococlear (VIII par craniano), sendo causado por otite média/interna, trauma, pólipos nasais que se estendem à orelha média, hipotireoidismo em cães e síndrome vestibular idiopática em gatos idosos.
- Nistagmo periférico: geralmente horizontal ou rotatório, unidirecional
- Nistagmo central: pode ser vertical, variável de direção, indica lesão grave
- Nistagmo de posição: aparece ou piora em certas posições corporais
- Nistagmo fisiológico: resposta normal ao movimento (nistagmo optocinético)
- Nistagmo congênito: presente desde o nascimento, geralmente benigno
Sintomas
O nistagmo raramente ocorre isoladamente. A síndrome vestibular periférica combina nistagmo horizontal ou rotatório, inclinação de cabeça (head tilt) para o lado afetado, síndrome de Horner ipsilateral, ataxia e vômito. Em gatos idosos, a síndrome vestibular idiopática pode ter início dramático com prostração intensa mas resolve espontaneamente em dias a semanas.
Na síndrome vestibular central, causada por lesões no tronco encefálico ou cerebelo, o nistagmo pode ser vertical ou mudar de direção. Sinais como depressão do nível de consciência, déficits de nervos cranianos múltiplos e alterações posturais simétricas indicam doença grave que requer investigação urgente por neuroimagem.
Diagnóstico
O exame neurológico completo é o ponto de partida, avaliando a direção do nistagmo, presença de head tilt, síndrome de Horner, postura e reflexos posturais. Otoscopia e radiografia da bolha timpânica pesquisam otite média como causa periférica. Hemograma, bioquímica sérica e dosagem de T4 livre investigam causas sistêmicas como hipotireoidismo.
Ressonância magnética do encéfalo e da orelha interna é o exame de escolha para diferenciar causa periférica de central e identificar lesões do parênquima encefálico, tumores, infartos e encefalites. Análise do líquor complementa a investigação de processos inflamatórios ou infecciosos do SNC.
Tratamento
O tratamento é direcionado à causa identificada: antibióticos para otite media bacteriana, levotiroxina para hipotireoidismo, corticosteroides para encefalites imunomediadas e cirurgia para remoção de pólipos nasofaríngeos. Na síndrome vestibular idiopática felina, apenas suporte sintomático com antieméticos e fluidos é necessário, pois o quadro se resolve espontaneamente.
Medicamentos anti-enjoo como meclizina e maropitant reduzem náusea e vômito associados à disfunção vestibular. Exercícios de reabilitação vestibular e fisioterapia ajudam na compensação neurológica, especialmente quando o nistagmo persiste por mais de 72 horas.
Prevenção
Tratamento precoce e adequado de otites para evitar progressão para otite média e interna, controle regular de parasitas auriculares, diagnóstico e manejo do hipotireoidismo canino e proteção contra traumas cranianos são as principais medidas preventivas relacionadas ao nistagmo. A síndrome vestibular idiopática, por não ter causa conhecida, não tem medida preventiva específica.