O que é síndrome vestibular?
O sistema vestibular é responsável por manter o equilíbrio, coordenar os movimentos oculares com os movimentos da cabeça e fornecer informações sobre a posição do corpo no espaço. É composto por receptores no ouvido interno (labirinto) e por vias centrais no tronco encefálico e cerebelo.
Quando qualquer parte desse sistema é afetada, o animal perde a referência de equilíbrio e apresenta os sinais característicos da síndrome vestibular: inclinação da cabeça, ataxia (marcha cambaleante), nistagmo e, nos casos mais graves, rolamentos e quedas.
Causas: periférica vs. central
A distinção entre origem periférica e central é o passo mais importante da avaliação. A causa periférica afeta o labirinto ou o nervo vestibular e tem geralmente prognóstico melhor. A causa central afeta o tronco encefálico ou cerebelo e indica doença mais grave.
- Periférica idiopática: mais comum em cães idosos, resolução espontânea
- Otite interna: infecção que se estende ao labirinto
- Hipotireoidismo: causa vestibular periférica em cães
- Pólipos nasofaríngeos: gatos jovens
- Central: encefalite, neoplasia, acidente vascular cerebral (AVC), cinomose
Sintomas
Inclinação da cabeça para o lado afetado, ataxia (andar cambaleante como se estivesse bêbado), nistagmo (olhos se movendo involuntariamente para os lados, vertical ou rotatório), náusea e vômito por enjoo e, nos casos graves, rolamentos constantes para o lado da lesão são os sinais clássicos.
Sinais que indicam causa central e pior prognóstico incluem: nistagmo vertical, déficits de nervos cranianos além do vestibulococlear, paresia de membros, alteração da consciência e síndrome de Horner bilateral.
Diagnóstico
O exame neurológico detalhado distingue a origem periférica da central. Exame otoscópico avalia o conduto auditivo e a membrana timpânica. Hemograma e dosagem de T4 identificam causas sistêmicas. Tomografia ou ressonância magnética são indicadas quando há suspeita de causa central.
O diagnóstico de síndrome vestibular idiopática é de exclusão — após afastar outras causas, o início súbito em cão idoso sem outros sinais neurológicos graves orienta para esse diagnóstico.
Tratamento e prognóstico
A síndrome vestibular idiopática do cão velho não tem tratamento específico — a recuperação é espontânea em 1 a 4 semanas, com inclinação da cabeça residual possível. Suporte sintomático com antiemético (maropitant) e sedação leve (diazepam) aliviam o desconforto e a náusea.
Causas identificáveis são tratadas especificamente: otite com antibióticos e lavagem auricular, hipotireoidismo com levotiroxina, encefalite com imunossupressores ou antibióticos conforme a etiologia. O prognóstico das causas centrais é mais reservado e depende da extensão e reversibilidade da lesão.