O que é síncope?
Síncope é a perda transitória de consciência causada por redução súbita do fluxo sanguíneo para o cérebro. O animal cai, perde o tônus muscular e fica inconsciente por segundos a minutos, recuperando-se espontaneamente sem sequelas imediatas. É diferente do colapso por fraqueza muscular (sem perda de consciência) e das convulsões.
A diferenciação entre síncope e epilepsia é fundamental: a síncope tem recuperação rápida e completa sem confusão pós-ictal; as convulsões geralmente têm movimentos locomotores (pedalagem), micção involuntária e período pós-ictal de confusão e desorientação que pode durar minutos a horas.
Causas
As causas cardíacas são as mais comuns e sérias. Arritmias (bloqueio atrioventricular de 3º grau, taquicardia ventricular, síndrome do sinus doente) interrompem o débito cardíaco momentaneamente. Doenças estruturais como estenose pulmonar, cardiomiopatia e insuficiência cardíaca grave reduzem o fluxo de forma crônica.
- Arritmias cardíacas: bloqueio AV, TV, fibrilação atrial com baixo débito
- Doenças estruturais: estenose pulmonar, miocardiopatia, insuficiência cardíaca
- Vasovagal: estimulação vagal excessiva por tosse, pressão no pescoço
- Hipotensão: desidratação, choque, hipoadrenocorticismo (Addison)
- Hipoglicemia: confundida com síncope, mas é causa metabólica
Sintomas e reconhecimento
O episódio sincopal clássico inicia com fraqueza súbita, o animal cai e perde a consciência. Pode haver tremores musculares breves (não são convulsões), palidez de mucosas, respiração irregular ou apneia. A recuperação ocorre em 10 a 60 segundos, com o animal retornando rapidamente ao comportamento normal.
Fatores desencadeantes incluem exercício, excitação, tosse intensa, pressão sobre o pescoço (coleiras apertadas) e, em alguns casos, defecação. Síncope durante ou imediatamente após exercício sugere causa cardíaca grave.
Diagnóstico
Eletrocardiograma (ECG) e holter (ECG ambulatorial de 24 horas) são essenciais para detectar arritmias. O holter é especialmente valioso para arritmias intermitentes que podem não ser capturadas num ECG de 5 minutos. Ecocardiograma avalia estrutura e função cardíaca. Glicemia, cortisol e hemograma completam a investigação.
O histórico detalhado do episódio — duração, presença de movimentos, velocidade de recuperação, atividade precedente — é fundamental para orientar o diagnóstico diferencial com epilepsia.
Tratamento
O tratamento é direcionado à causa identificada. Arritmias podem ser tratadas com antiarrítmicos (atenolol, mexiletina, sotalol) ou marcapasso (bloqueio AV de 3º grau). Estenose pulmonar pode ser tratada por valvuloplastia por balão. Hipoadrenocorticismo responde a mineralocorticoides e glicocorticoides.
Evitar coleiras apertadas (usar peitoral), minimizar exercício intenso até diagnóstico definitivo e monitorar episódios com vídeo (para mostrar ao cardiologista) são medidas práticas enquanto se aguarda a investigação.