O que é torção gástrica?
A síndrome da dilatação e vólvulo gástrico (GDV) é uma das emergências mais dramáticas da medicina veterinária. O estômago se distende com gás, líquido e alimento e, em seguida, gira 90 a 360 graus sobre seu eixo, prendendo o conteúdo e comprimindo os vasos sanguíneos — principalmente a veia porta e a veia cava caudal.
A compressão vascular causa hipotensão grave, choque distributivo e cardiogênico, arritmias cardíacas (especialmente ventricular), necrose do estômago por isquemia e liberação de toxinas. Sem intervenção cirúrgica de emergência, o animal morre em 4 a 6 horas.
Raças predispostas e fatores de risco
Raças de grande porte com peito profundo e estreito (relação comprimento/largura do tórax elevada) têm risco muito maior. Grande Dinamarquês, Irish Wolfhound, Pastor Alemão, Labrador, Dobermann, Setter Irlandês e São Bernardo são as mais afetadas. Cães mais velhos e machos têm risco aumentado.
- Raças predispostas: Grande Dinamarquês, Irish Wolfhound, São Bernardo, Pastor Alemão
- Fatores precipitantes: refeição única grande, exercício intenso pós-refeição
- Deglutição de ar (aerofagia) durante a alimentação
- Estômago cheio no período noturno (risco aumentado)
- Histórico familiar de GDV
Sintomas
O início é súbito. Distensão abdominal progressiva visível (barriga inchada e dura), tentativas improdutivas de vomitar (seca, sem eliminar conteúdo), agitação extrema e desconforto, hipersalivação, respiração difícil e rápida, fraqueza progressiva e colapso são os sinais clássicos.
O abdômen à percussão emite som timpânico (como tambor). À medida que o choque progride, as mucosas ficam pálidas ou cinzas, o pulso fica fraco e o animal não consegue ficar em pé.
Diagnóstico
O diagnóstico é clínico e radiográfico. Radiografia abdominal em decúbito lateral direito mostra o estômago dilatado com compartimentalização (sinal de "dupla bolha" ou aspecto de pires) que indica a torção. A estabilização do choque precede o diagnóstico radiográfico nos casos mais graves.
Eletrocardiograma é realizado para monitorar arritmias ventriculares frequentes. Hemograma e lactato sérico orientam a gravidade e o prognóstico.
Tratamento
Tratamento de emergência: acesso venoso imediato, fluidoterapia agressiva (10 a 20 ml/kg bolus de cristaloide), descompressão gástrica com trocarterização ou passagem de sonda orogástrica. Após estabilização mínima, cirurgia de emergência para detorção, avaliação da viabilidade gástrica, esplenectomia se necessário e gastropexia.
A gastropexia fixa o estômago à parede abdominal, prevenindo a recorrência do vólvulo. Sem gastropexia, mais de 70% dos casos recidivam. O acompanhamento pós-operatório por 48 a 72 horas em UTI é fundamental para monitorar arritmias e complicações.
Prevenção
Para raças de alto risco: distribuir a ração em 2 a 3 refeições menores por dia, evitar exercício intenso por 2 horas antes e após as refeições, usar comedouros antienglutição. A gastropexia preventiva durante a castração é fortemente recomendada para Great Danes, Irish Wolfhounds e outras raças de risco muito alto.