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O que é Vesícula biliar — Colecistite?

Publicado em 01 de janeiro de 2025

A colecistite é a inflamação da vesícula biliar, órgão responsável pelo armazenamento e liberação da bile produzida pelo fígado. Em cães e gatos, a colecistite pode ser aguda ou crônica, e frequentemente está associada a colelitiase (presença de cálculos biliares), mucocele biliar, infecções bacterianas ascendentes ou doenças inflamatórias intestinais. A condição varia de quadros leves e tratáveis clinicamente até emergências cirúrgicas quando ocorre ruptura da vesícula biliar com peritonite biliar resultante. O diagnóstico precoce por ultrassonografia abdominal é fundamental para definir a gravidade e o plano terapêutico mais adequado.

O que é colecistite?

A vesícula biliar é um pequeno saco muscular localizado na face visceral do fígado. Ela armazena e concentra a bile produzida pelos hepatócitos e a libera no duodeno durante a digestão, principalmente de gorduras. Na colecistite, a parede da vesícula torna-se inflamada, comprometendo sua função e podendo levar a complicações graves.

Em cães, a mucocele biliar — acúmulo de muco espesso que obstrói a vesícula — é uma apresentação cada vez mais diagnosticada com o uso rotineiro da ultrassonografia. Certas raças, como Cocker Spaniel, Shetland Sheepdog e Border Collie, têm predisposição genética para esta condição.

Causas e tipos

A colecistite bacteriana resulta de infecção ascendente por bactérias intestinais (E. coli, Enterococcus) ou por disseminação hematogênica. Doenças que alteram a motilidade da vesícula, como hipotireoidismo e hiperadrenocorticismo, predispõem à estase biliar e infecção secundária.

  • Colecistite aguda: início súbito; dor abdominal aguda, febre, anorexia e vômito.
  • Colecistite crônica: evolução gradual; sinais inespecíficos de doença digestiva.
  • Mucocele biliar: acúmulo de muco espesso; risco de ruptura espontânea.
  • Colelitíase: cálculos biliares; podem ser assintomáticos ou obstruir o ducto biliar.
  • Colecistite enfisematosa: produção de gás por bactérias anaeróbias; forma grave com alta mortalidade.

Sintomas

Os sinais clínicos incluem anorexia, vômito, letargia, dor abdominal cranial direita, febre e icterícia (coloração amarelada das mucosas e pele). Em casos de mucocele ou ruptura biliar, o animal apresenta deterioração rápida com sinais de peritonite: abdômen rígido, dor intensa à palpação e choque.

Icterícia associada a vômito e dor abdominal em cão de meia-idade ou idoso deve ser considerada problema biliar ou hepático até prova em contrário, justificando ultrassonografia de urgência.

Diagnóstico

A ultrassonografia abdominal é o exame de eleição e permite visualizar a parede da vesícula, presença de cálculos, sedimento ou muco espesso, e sinais de derramamento biliar. Exames laboratoriais revelam elevação de enzimas hepáticas (ALT, FA, GGT), bilirrubina e, em casos infecciosos, leucocitose.

Cultura bacteriana da bile obtida por colecistocentese ecoguiada ou durante cirurgia orienta o tratamento antibiótico direcionado. Radiografias abdominais podem revelar cálculos radiopacos ou gás na vesícula (colecistite enfisematosa).

Tratamento

Casos leves sem complicações respondem a antibióticos de amplo espectro, suporte nutricional e ácido ursodesoxicólico (para fluidificar a bile). Mucocele biliar e colecistite grave com risco de ruptura são indicações cirúrgicas para colecistectomia (retirada da vesícula).

Prevenção

Manutenção de peso saudável, dieta equilibrada com teor adequado de gordura, controle de doenças metabólicas como hipotireoidismo e hiperadrenocorticismo e exames de imagem periódicos em raças predispostas contribuem para a detecção precoce e prevenção de complicações da doença biliar.

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Perguntas frequentes

Colecistite é comum em cães?

É diagnosticada com crescente frequência à medida que a ultrassonografia abdominal é usada rotineiramente. Algumas raças, como Cocker Spaniel e Shetland Sheepdog, têm predisposição hereditária para mucocele biliar.

O que é mucocele biliar?

É o acúmulo de muco espesso e imóvel dentro da vesícula biliar, que perde a capacidade de se contrair normalmente. Pode levar à ruptura espontânea da vesícula com peritonite biliar grave se não tratada.

Todo cálculo biliar precisa de cirurgia?

Não necessariamente. Cálculos assintomáticos pequenos podem ser monitorados. Quando causam obstrução do ducto biliar, colecistite aguda ou risco de ruptura, a colecistectomia é indicada.

O que é icterícia e quando aparece na colecistite?

Icterícia é a coloração amarelada das mucosas, pele e esclera causada pelo acúmulo de bilirrubina. Aparece quando a obstrução biliar impede o escoamento normal da bile para o intestino.

Cão pode viver sem vesícula biliar?

Sim. Após colecistectomia, o fígado continua produzindo bile, que passa diretamente para o ducto biliar comum. A digestão pode ser levemente afetada no início, mas a maioria dos cães se adapta bem.

Colecistite pode ser confundida com pancreatite?

Sim. Ambas causam dor abdominal cranial, vômito e letargia. As duas condições podem coexistir (triadite felina em gatos). A ultrassonografia e os exames laboratoriais ajudam a diferenciar e identificar o envolvimento de cada órgão.

Gatos também têm doenças da vesícula biliar?

Sim. Em gatos, a colangiohepatite (inflamação simultânea dos ductos biliares e do fígado) é mais comum do que a colecistite isolada. A condição conhecida como triadite felina envolve pâncreas, intestino e sistema biliar simultaneamente.

Que alimentos evitar em pets com doença biliar?

Dietas com alto teor de gordura devem ser evitadas, pois estimulam a contração da vesícula e podem agravar a dor e a inflamação. O veterinário nutricionista pode prescrever dieta específica para cada caso.

Qual é o risco de ruptura da vesícula biliar?

A ruptura causa peritonite biliar, com bile extravasando na cavidade abdominal. É uma emergência cirúrgica com alta mortalidade mesmo com intervenção imediata. A detecção precoce da mucocele é fundamental para evitar essa complicação.

Com que frequência devo fazer ultrassom abdominal em cão predisposto?

Para raças predispostas como Cocker Spaniel e Shetland Sheepdog, ultrassonografia abdominal anual é recomendada a partir dos 5 a 6 anos para detecção precoce de alterações biliares.

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