O que é vômito crônico?
Vômito crônico é a ocorrência de episódios de vômito com frequência maior do que uma ou duas vezes por semana, por pelo menos três semanas consecutivas. É importante diferenciar vômito verdadeiro — contração ativa do abdômen com expulsão de conteúdo gástrico — de regurgitação passiva, que ocorre sem esforço e indica problema esofágico.
Em gatos, especialmente os de meia-idade e idosos, o vômito crônico pode ser o único sinal de doenças graves como doença inflamatória intestinal, linfoma ou hipertireoidismo. Por isso, qualquer vômito que se repita por semanas merece avaliação veterinária.
Causas e tipos
As causas de vômito crônico são divididas em gastrointestinais e extragastrointestinais. As gastrointestinais incluem gastrite crônica, doença inflamatória intestinal (DII), obstrução parcial por corpo estranho, parasitas intestinais, intolerância ou alergia alimentar e neoplasias do trato digestivo.
- Causas metabólicas: insuficiência renal crônica, doença hepática, pancreatite, hipoadrenocorticismo.
- Causas endócrinas: hipertireoidismo (gatos), diabetes mellitus.
- Causas alimentares: dieta inadequada, mudanças bruscas de ração, ingestão de ossos ou materiais indigeríveis.
- Causas infecciosas: giardíase, helmintos, parvovírus em fase crônica.
Sintomas associados
Além do vômito frequente, o animal pode apresentar perda de peso progressiva, letargia, diminuição do apetite, distensão abdominal, diarreia intermitente e alterações no pelo. A presença de sangue no vômito (hematêmese) ou material que lembra borra de café indica sangramento digestivo alto e exige atendimento urgente.
Gatos com vômito crônico muitas vezes compensam bem o peso inicial, o que pode retardar a busca por tratamento. Atenção ao comportamento alimentar e à consistência das fezes ajudam a identificar o problema precocemente.
Diagnóstico
A investigação começa com histórico detalhado da alimentação, frequência do vômito e aspecto do material vomitado. Exames de sangue completos (hemograma, bioquímica), urinálise, ultrassonografia abdominal e teste de fezes para parasitas fazem parte da triagem inicial.
Quando as causas sistêmicas são descartadas, endoscopia com biópsia do trato gastrointestinal é o padrão-ouro para diagnóstico de DII e linfoma. Em alguns casos, tomografia computadorizada é indicada para avaliar massas ou obstruções.
Tratamento
O tratamento depende inteiramente da causa identificada. Dietas de eliminação são usadas para intolerâncias alimentares. Antiparasitários tratam infestações. Doenças inflamatórias respondem a corticoides e imunossupressores. Neoplasias podem necessitar de cirurgia, quimioterapia ou cuidados paliativos.
Prevenção
Manter uma dieta de qualidade, fazer transições alimentares graduais, evitar que o animal acesse lixo e objetos pequenos, e realizar consultas e exames preventivos anuais são medidas eficazes para reduzir o risco de vômito crônico. Vacinação e desparasitação em dia também contribuem diretamente.