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O que é Vólvulo gástrico (Torção do estômago)?

Publicado em 01 de janeiro de 2025

O vólvulo gástrico, popularmente conhecido como torção do estômago, é uma emergência cirúrgica de risco de vida em que o estômago se dilata excessivamente com gás e se torce sobre seu próprio eixo. A rotação compromete o suprimento sanguíneo do estômago, do baço e de outros órgãos abdominais, levando a choque, necrose e morte em poucas horas se não tratado. Afeta principalmente cães de raças grandes e gigantes de tórax profundo, como Gran Dane, Dobermann, Rottweiler e Pastor Alemão. A condição é conhecida pela sigla GDV (Gastric Dilatation-Volvulus) e exige cirurgia de emergência imediata após estabilização clínica.

O que é vólvulo gástrico?

No vólvulo gástrico com dilatação (GDV), o estômago se distende com ar, líquido e gás de fermentação. A pressão crescente desencadeia uma rotação do órgão ao redor do eixo esofagogástrico — geralmente no sentido horário quando visto pela direita do animal. Essa rotação oclui as saídas (esôfago e piloro), tornando impossível o alívio da pressão por eructação ou êmese.

A compressão das veias cava caudal e porta reduz drasticamente o retorno venoso ao coração, precipitando choque distributivo. A isquemia da parede gástrica progride rapidamente para necrose, e toxinas absorvidas agravam a instabilidade cardiovascular.

Causas e tipos

A causa exata é multifatorial. Fatores de risco documentados incluem raça de grande porte com tórax profundo e estreito, histórico familiar de GDV, alimentação com uma grande refeição diária, ingestão rápida de alimentos, exercício vigoroso após as refeições e temperamento ansioso.

  • Dilatação gástrica simples: estômago distendido sem torção; menos grave, mas pode evoluir para GDV.
  • GDV grau I: torção de 90 a 180 graus; vascularização parcialmente comprometida.
  • GDV grau II/III: torção superior a 180 graus; isquemia grave, necrose e alto risco de morte.

Sintomas

O início é súbito e dramático. O animal tenta vomitar repetidamente sem conseguir expelir nada (regurgitação improdutiva), apresenta sialorréia intensa, abdômen rapidamente distendido e timpânico, inquietação extrema, postura arqueada e dificuldade para se deitar. Em minutos a horas, progride para fraqueza, colapso e estado de choque com mucosas pálidas e pulso fraco.

Qualquer cão de raça grande com distensão abdominal aguda e tentativas improdutivas de vômito deve ser levado imediatamente a uma clínica veterinária de emergência, pois cada minuto conta para a sobrevivência.

Diagnóstico

O diagnóstico é confirmado por radiografia abdominal que evidencia a clássica imagem de "dupla bolha" ou "estômago compartimentalizado" com grande quantidade de gás. A avaliação inclui exames de sangue para lactato sérico (marcador de isquemia e prognóstico), eletrólitos e função renal.

Avaliação cardiovascular contínua por eletrocardiograma é essencial, pois arritmias ventriculares são comuns durante e após a cirurgia e representam risco de morte súbita.

Tratamento

A estabilização inclui fluidoterapia intravenosa agressiva para combater o choque e descompressão gástrica por sonda orogástrica ou trocarização percutânea. Após estabilização mínima — que muitas vezes ocorre em paralelo ao preparo cirúrgico — realiza-se laparotomia exploradora para desvolvulação, avaliação da viabilidade da parede gástrica e ressecção de segmentos necróticos. A gastropexia (fixação cirúrgica do estômago à parede abdominal) é realizada para prevenir recorrência.

Prevenção

Em raças predispostas, divida a alimentação em duas ou três refeições diárias, use comedouros antiengolimento, evite exercício intenso por duas horas após as refeições e considere a gastropexia profilática durante outros procedimentos cirúrgicos, como castração. O veterinário pode discutir o risco individual com o tutor.

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Perguntas frequentes

Quais raças têm mais risco de vólvulo gástrico?

Gran Dane, São Bernardo, Dobermann, Rottweiler, Pastor Alemão, Setter Irlandês e Weimaraner são as raças de maior risco. Cães com tórax profundo e estreito têm predisposição anatômica para a torção.

Cães pequenos podem ter torção de estômago?

É muito menos comum, mas raças pequenas como Basset Hound e Dachshund já foram relatadas com GDV. A incidência é significativamente menor do que em raças gigantes.

Qual é a taxa de sobrevivência do vólvulo gástrico?

Com tratamento cirúrgico precoce, a taxa de sobrevivência varia entre 70 e 90%. O prognóstico piora com o tempo de evolução, a presença de necrose gástrica e arritmias cardíacas graves.

É possível tratar GDV sem cirurgia?

Não. A cirurgia é obrigatória para corrigir a torção e realizar a gastropexia. A descompressão por sonda é apenas uma medida temporária de estabilização antes do procedimento cirúrgico.

O que é gastropexia profilática?

É a fixação cirúrgica do estômago à parede abdominal para prevenir a torção. Pode ser realizada por laparoscopia ou laparotomia, frequentemente junto com castração em raças de alto risco.

Como alimentar meu cão Grande para prevenir GDV?

Divida a alimentação em duas ou três porções ao dia, use comedouro antiengolimento para reduzir a velocidade de ingestão, evite exercícios por duas horas após as refeições e evite blocar de água em excesso antes de comer.

Qual é o principal sinal de alerta para GDV?

Tentativas repetidas e improdutivas de vomitar (o cão parece engasgar e nada sai) associadas a distensão rápida e dura do abdômen são os sinais mais característicos. Procure emergência imediatamente.

Meu cão teve GDV uma vez, pode ter de novo?

Sim, a recorrência é alta sem gastropexia. Por isso, a fixação cirúrgica do estômago é sempre recomendada durante a cirurgia de tratamento do primeiro episódio para prevenir novos casos.

Por que o baço também pode ser afetado no GDV?

O baço está intimamente ligado ao estômago pelos ligamentos gastroesplênicos. Durante a torção gástrica, o baço sofre torção simultânea, comprometendo sua irrigação e frequentemente exigindo esplenectomia.

Quanto tempo tenho para chegar à emergência com suspeita de GDV?

Menos de uma hora é o ideal. A cada hora sem tratamento, a isquemia avança e o prognóstico piora. GDV é uma das poucas situações veterinárias em que não se deve aguardar para ver se melhora.

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