O que é vólvulo gástrico?
No vólvulo gástrico com dilatação (GDV), o estômago se distende com ar, líquido e gás de fermentação. A pressão crescente desencadeia uma rotação do órgão ao redor do eixo esofagogástrico — geralmente no sentido horário quando visto pela direita do animal. Essa rotação oclui as saídas (esôfago e piloro), tornando impossível o alívio da pressão por eructação ou êmese.
A compressão das veias cava caudal e porta reduz drasticamente o retorno venoso ao coração, precipitando choque distributivo. A isquemia da parede gástrica progride rapidamente para necrose, e toxinas absorvidas agravam a instabilidade cardiovascular.
Causas e tipos
A causa exata é multifatorial. Fatores de risco documentados incluem raça de grande porte com tórax profundo e estreito, histórico familiar de GDV, alimentação com uma grande refeição diária, ingestão rápida de alimentos, exercício vigoroso após as refeições e temperamento ansioso.
- Dilatação gástrica simples: estômago distendido sem torção; menos grave, mas pode evoluir para GDV.
- GDV grau I: torção de 90 a 180 graus; vascularização parcialmente comprometida.
- GDV grau II/III: torção superior a 180 graus; isquemia grave, necrose e alto risco de morte.
Sintomas
O início é súbito e dramático. O animal tenta vomitar repetidamente sem conseguir expelir nada (regurgitação improdutiva), apresenta sialorréia intensa, abdômen rapidamente distendido e timpânico, inquietação extrema, postura arqueada e dificuldade para se deitar. Em minutos a horas, progride para fraqueza, colapso e estado de choque com mucosas pálidas e pulso fraco.
Qualquer cão de raça grande com distensão abdominal aguda e tentativas improdutivas de vômito deve ser levado imediatamente a uma clínica veterinária de emergência, pois cada minuto conta para a sobrevivência.
Diagnóstico
O diagnóstico é confirmado por radiografia abdominal que evidencia a clássica imagem de "dupla bolha" ou "estômago compartimentalizado" com grande quantidade de gás. A avaliação inclui exames de sangue para lactato sérico (marcador de isquemia e prognóstico), eletrólitos e função renal.
Avaliação cardiovascular contínua por eletrocardiograma é essencial, pois arritmias ventriculares são comuns durante e após a cirurgia e representam risco de morte súbita.
Tratamento
A estabilização inclui fluidoterapia intravenosa agressiva para combater o choque e descompressão gástrica por sonda orogástrica ou trocarização percutânea. Após estabilização mínima — que muitas vezes ocorre em paralelo ao preparo cirúrgico — realiza-se laparotomia exploradora para desvolvulação, avaliação da viabilidade da parede gástrica e ressecção de segmentos necróticos. A gastropexia (fixação cirúrgica do estômago à parede abdominal) é realizada para prevenir recorrência.
Prevenção
Em raças predispostas, divida a alimentação em duas ou três refeições diárias, use comedouros antiengolimento, evite exercício intenso por duas horas após as refeições e considere a gastropexia profilática durante outros procedimentos cirúrgicos, como castração. O veterinário pode discutir o risco individual com o tutor.