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O que é Pancreatite?

Publicado em 01 de janeiro de 2025

Pancreatite é a inflamação do pâncreas, órgão responsável pela produção de enzimas digestivas e hormônios reguladores da glicose, como a insulina. Em cães e gatos, a doença pode se manifestar de forma aguda — com início súbito e sintomas intensos — ou crônica, com episódios recorrentes que causam dano progressivo ao tecido pancreático. A condição é considerada uma das emergências abdominais mais frequentes na clínica de pequenos animais. O tratamento precoce reduz o risco de complicações graves como necrose pancreática, diabetes secundária e insuficiência pancreática exócrina. Dieta equilibrada e evitar alimentos gordurosos são pilares da prevenção.

O que é pancreatite?

Pancreatite é a inflamação do pâncreas causada pela ativação precoce das enzimas digestivas dentro do próprio órgão, levando à autodigestão do tecido. Em cães é uma das causas mais comuns de dor abdominal aguda, enquanto em gatos costuma ter apresentação mais discreta e crônica.

O pâncreas exerce funções exócrinas (produção de lipase, amilase e tripsina para digestão) e endócrinas (secreção de insulina e glucagon). Quando inflamado, essas enzimas escapam para a cavidade abdominal, podendo danificar estruturas vizinhas como fígado, intestino e baço.

Causas e tipos

Em cães, a ingestão de refeições gordurosas (como restos de churrasco) é a causa mais documentada. Outras causas incluem obesidade, uso de certos medicamentos (corticosteroides, potassio brometo), hiperlipidemia, trauma abdominal e doenças endócrinas como hipotireoidismo e hiperadrenocorticismo.

  • Pancreatite aguda: início súbito, potencialmente fatal
  • Pancreatite crônica: episódios repetidos com fibrose progressiva
  • Pancreatite necrosante: forma grave com destruição do tecido pancreático
  • Causas secundárias: doenças inflamatórias intestinais e colangite em gatos

Sintomas

Em cães, os sinais clássicos incluem vômito intenso, dor abdominal (o animal assume posição de "prece" — cabeça baixa e posterior elevado), prostração, anorexia e febre. A desidratação instala-se rapidamente em casos moderados a graves.

Gatos frequentemente apresentam sintomas mais inespecíficos: letargia, anorexia, perda de peso e icterícia leve. Vômito pode estar ausente ou ser pouco frequente, dificultando o diagnóstico clínico.

Diagnóstico

O diagnóstico combina exame clínico, histórico alimentar e exames laboratoriais. A dosagem de lipase pancreática imunorreativa (cPL em cães e fPL em gatos) é o exame mais sensível e específico disponível. Hemograma e bioquímica sérica avaliam complicações sistêmicas e o estado geral do animal.

A ultrassonografia abdominal é fundamental para visualizar o pâncreas, avaliar edema, presença de líquido peritoneal e descartar outras causas de dor abdominal. Em casos graves, a tomografia computadorizada pode ser indicada.

Tratamento

O tratamento baseia-se em suporte intensivo: fluidoterapia intravenosa para combater a desidratação, analgesia potente (pois a dor é intensa), antieméticos e repouso digestivo. Contrariamente ao que se acreditava, o jejum prolongado não é mais recomendado — a alimentação precoce e com baixo teor de gordura auxilia a recuperação.

Casos graves podem exigir internação por vários dias, nutrição enteral por sonda e antibióticos se houver suspeita de infecção secundária. Após a recuperação, dieta permanente com baixo teor de gordura é essencial para evitar recidivas.

Prevenção

Evitar oferecer alimentos gordurosos ou restos de comida humana é a medida preventiva mais importante em cães. Manter peso corporal ideal, realizar check-ups anuais com dosagem de triglicerídeos em raças predispostas (como Schnauzer e Cocker Spaniel) e revisão periódica de medicamentos em uso são estratégias eficazes para reduzir o risco de novos episódios.

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Perguntas frequentes

Meu cão comeu churrasco e está vomitando. Pode ser pancreatite?

Sim, a ingestão de alimentos gordurosos é uma das causas mais comuns de pancreatite aguda em cães. Se houver vômito repetido, prostração e dor abdominal, leve ao veterinário com urgência para avaliação e exames.

Pancreatite tem cura?

Episódios agudos geralmente se resolvem com tratamento adequado, mas animais que tiveram um episódio têm risco aumentado de recidivas. A adoção permanente de dieta com baixo teor de gordura é fundamental para controlar a doença.

Quais raças de cães têm mais risco de pancreatite?

Schnauzer Miniatura, Cocker Spaniel, Yorkshire Terrier e raças propensas à hiperlipidemia têm maior predisposição. Animais obesos também compõem grupo de risco independente da raça.

Gatos também têm pancreatite?

Sim, e frequentemente é subdiagnosticada porque os sintomas são vagos — letargia e anorexia sem vômito evidente. Em gatos, a pancreatite costuma ocorrer junto com colangite e doença inflamatória intestinal, uma tríade chamada de 'triadite felina'.

Qual exame confirma pancreatite?

A dosagem de lipase pancreática imunorreativa (cPL para cães, fPL para gatos) é o exame laboratorial mais específico. A ultrassonografia abdominal complementa o diagnóstico ao visualizar alterações no pâncreas e na cavidade abdominal.

Preciso mudar a alimentação do meu pet após um episódio de pancreatite?

Sim. Dieta permanente com baixo teor de gordura é a principal estratégia para evitar recidivas. O veterinário indicará a ração terapêutica mais adequada e orientará sobre alimentos proibidos.

Pancreatite pode causar diabetes?

Sim. Episódios repetidos destroem progressivamente as células beta do pâncreas, responsáveis pela produção de insulina. A pancreatite crônica é uma das causas de diabetes mellitus secundária em cães e gatos.

Quanto tempo dura a internação por pancreatite?

Em casos leves a moderados, 2 a 4 dias de internação costumam ser suficientes. Formas graves ou necrosantes podem exigir internação de 1 a 2 semanas com suporte intensivo e nutrição enteral.

Posso dar medicamentos para dor em casa enquanto levo ao veterinário?

Não. Anti-inflamatórios e analgésicos humanos como ibuprofeno e dipirona são tóxicos para cães e gatos. Leve o animal ao veterinário o quanto antes sem administrar medicamentos por conta própria.

A pancreatite pode matar meu pet?

Formas graves, especialmente a pancreatite necrosante, têm mortalidade significativa mesmo com tratamento. Por isso o diagnóstico precoce e o início imediato do suporte são cruciais. Animais tratados rapidamente têm bom prognóstico na maioria dos casos.

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