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O que é Discopatia vertebral?

Publicado em 01 de janeiro de 2025

A discopatia vertebral é a degeneração e herniação do disco intervertebral, resultando em compressão da medula espinhal ou das raízes nervosas. É uma das causas mais comuns de dor e paralisia em cães, especialmente nas raças condrodistróficas como Dachshund, Basset Hound e Beagle. O quadro clínico varia de dor axial isolada até paralisia completa dos membros. O diagnóstico e o tratamento precoces são determinantes para o prognóstico neurológico — em casos graves, cada hora conta para a recuperação da função motora.

O que é discopatia vertebral?

Os discos intervertebrais funcionam como amortecedores entre as vértebras. Na discopatia, o material do disco degenera e pode se deslocar (herniar) para o canal vertebral, comprimindo a medula espinhal ou raízes nervosas adjacentes. A compressão gera inflamação, dor e, dependendo da gravidade e do tempo de evolução, déficit neurológico permanente.

Existem dois tipos principais: Hansen tipo I (extrusão do núcleo pulposo calcificado — mais abrupta e grave, predominante em raças condrodistróficas) e Hansen tipo II (protrusão do anel fibroso em cães mais velhos de raças não condrodistróficas — curso mais crônico e progressivo).

Causas e tipos

A predisposição genética das raças condrodistróficas (membros curtos e coluna longa) acelera a degeneração do disco. Traumas, obesidade e exercícios de impacto repetitivos podem precipitar ou agravar a herniação. A região toracolombar (T11-L3) e a região cervical são os locais mais frequentemente afetados.

  • Hansen I: extrusão aguda do núcleo pulposo calcificado — raças condrodistróficas, início abrupto.
  • Hansen II: protrusão crônica do anel fibroso — raças não condrodistróficas, evolução lenta.
  • Síndrome de Wobbler: forma específica em Doberman e Dogue Alemão, com instabilidade cervical.

Sintomas

O espectro varia amplamente conforme o grau de compressão medular. Dor vertebral (choro ao pegar no colo, postura encurvada, pescoço rígido) representa os estágios iniciais. Com o avanço surgem ataxia (andar cambaleante), paresia (fraqueza) e, nos casos mais graves, paraplegia com perda de sensibilidade profunda — sinal de mau prognóstico.

  • Dor cervical ou lombar com tensão muscular
  • Relutância em subir ou descer escadas
  • Andar cambaleante (ataxia)
  • Fraqueza progressiva dos membros
  • Perda do controle vesical e intestinal nos casos graves

Diagnóstico

Radiografia simples pode sugerir calcificações discais, mas não confirma a compressão medular. A tomografia computadorizada (TC) é o exame de escolha por rapidez e disponibilidade; a ressonância magnética (RM) é superior para avaliar a medula espinhal e tecidos moles. A mielografia por contraste é alternativa quando TC/RM não estão disponíveis. A avaliação neurológica completa (grau de déficit 1 a 5) guia a decisão terapêutica.

Tratamento

Casos leves (grau 1 e 2) podem ser tratados clinicamente com repouso rigoroso em gaiola por 4 a 6 semanas, anti-inflamatórios e analgésicos. Casos de grau 3 a 5 (com déficit motor e, especialmente, com perda de sensibilidade profunda) têm indicação cirúrgica de urgência. As técnicas cirúrgicas mais usadas são hemilaminectomia (toracolombar) e ventral slot (cervical). Fisioterapia e acupuntura são fundamentais na reabilitação pós-cirúrgica.

Prevenção

Em raças predispostas, evitar saltos de altura (sofás, camas), uso de arreio (em vez de coleira de pescoço) e controle rigoroso do peso são medidas preventivas importantes. Exames neurológicos periódicos e raio-X de coluna permitem detectar calcificações discais antes da herniação. A fenestração profilática de múltiplos discos em Dachshunds jovens é discutida mas não é consenso.

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Perguntas frequentes

Meu Dachshund está com dor nas costas — pode ser discopatia?

Dachshunds têm altíssima predisposição a discopatia Hansen tipo I. Qualquer sinal de dor vertebral, rigidez, choro ao ser pego no colo ou dificuldade de locomoção deve ser avaliado com urgência por um veterinário neurologista.

Quando a cirurgia é necessária na discopatia?

A cirurgia é indicada em cães com déficit motor moderado a grave (graus 3 e 4) e é urgente quando há perda de sensibilidade profunda (grau 5). Quanto mais precoce a descompressão cirúrgica, melhor o prognóstico neurológico.

Cão com paraplegia por discopatia pode se recuperar?

Depende do tempo de compressão medular e da presença de sensibilidade profunda. Com sensibilidade profunda preservada e cirurgia em até 24 a 48 horas, a maioria se recupera. Sem sensibilidade profunda e compressão prolongada, o prognóstico é mais reservado.

Qual o tempo de repouso após tratamento clínico de discopatia?

O repouso em gaiola deve ser rigoroso por 4 a 6 semanas. Isso significa restringir completamente o movimento livre, saltos e escadas. A reintrodução da atividade deve ser gradual e supervisionada pelo veterinário.

A fisioterapia ajuda na recuperação de discopatia?

Sim, é parte fundamental do tratamento, especialmente após cirurgia. Hidroterapia, eletroestimulação, laser terapêutico e exercícios de propriocepção aceleram a recuperação neurológica e muscular de forma significativa.

Arreio é melhor que coleira para cães com discopatia?

Sim. Coleiras de pescoço concentram pressão na região cervical, que é local frequente de herniação. Arreios distribuem a força pelo tronco e eliminam esse risco. Para raças condrodistróficas, o arreio é altamente recomendado preventivamente.

Cão operado de discopatia pode ter recidiva?

Sim. O animal tem outros discos que podem herniação futuramente — especialmente em Dachshunds, que têm degeneração difusa dos discos. Monitoramento contínuo, controle de peso e restrição de exercícios de impacto reduzem o risco de novos episódios.

Corticosteroide é bom para tratar discopatia?

O uso de corticosteroides na discopatia aguda é controverso. Doses altas de metilprednisolona nas primeiras horas podem reduzir o edema medular, mas aumentam riscos de complicações gastrointestinais. Sua utilização deve ser criteriosa e decidida pelo especialista.

Gatos têm discopatia vertebral?

É muito menos comum em gatos. Quando ocorre, geralmente afeta gatos mais velhos e tem progressão mais lenta. A abordagem diagnóstica e terapêutica é similar à dos cães.

O peso influencia no risco de discopatia?

Sim. A obesidade aumenta a carga mecânica sobre os discos intervertebrais, acelerando sua degeneração e aumentando o risco de herniação. Manter o peso ideal é uma das medidas preventivas mais eficazes em raças predispostas.

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