O que é discopatia vertebral?
Os discos intervertebrais funcionam como amortecedores entre as vértebras. Na discopatia, o material do disco degenera e pode se deslocar (herniar) para o canal vertebral, comprimindo a medula espinhal ou raízes nervosas adjacentes. A compressão gera inflamação, dor e, dependendo da gravidade e do tempo de evolução, déficit neurológico permanente.
Existem dois tipos principais: Hansen tipo I (extrusão do núcleo pulposo calcificado — mais abrupta e grave, predominante em raças condrodistróficas) e Hansen tipo II (protrusão do anel fibroso em cães mais velhos de raças não condrodistróficas — curso mais crônico e progressivo).
Causas e tipos
A predisposição genética das raças condrodistróficas (membros curtos e coluna longa) acelera a degeneração do disco. Traumas, obesidade e exercícios de impacto repetitivos podem precipitar ou agravar a herniação. A região toracolombar (T11-L3) e a região cervical são os locais mais frequentemente afetados.
- Hansen I: extrusão aguda do núcleo pulposo calcificado — raças condrodistróficas, início abrupto.
- Hansen II: protrusão crônica do anel fibroso — raças não condrodistróficas, evolução lenta.
- Síndrome de Wobbler: forma específica em Doberman e Dogue Alemão, com instabilidade cervical.
Sintomas
O espectro varia amplamente conforme o grau de compressão medular. Dor vertebral (choro ao pegar no colo, postura encurvada, pescoço rígido) representa os estágios iniciais. Com o avanço surgem ataxia (andar cambaleante), paresia (fraqueza) e, nos casos mais graves, paraplegia com perda de sensibilidade profunda — sinal de mau prognóstico.
- Dor cervical ou lombar com tensão muscular
- Relutância em subir ou descer escadas
- Andar cambaleante (ataxia)
- Fraqueza progressiva dos membros
- Perda do controle vesical e intestinal nos casos graves
Diagnóstico
Radiografia simples pode sugerir calcificações discais, mas não confirma a compressão medular. A tomografia computadorizada (TC) é o exame de escolha por rapidez e disponibilidade; a ressonância magnética (RM) é superior para avaliar a medula espinhal e tecidos moles. A mielografia por contraste é alternativa quando TC/RM não estão disponíveis. A avaliação neurológica completa (grau de déficit 1 a 5) guia a decisão terapêutica.
Tratamento
Casos leves (grau 1 e 2) podem ser tratados clinicamente com repouso rigoroso em gaiola por 4 a 6 semanas, anti-inflamatórios e analgésicos. Casos de grau 3 a 5 (com déficit motor e, especialmente, com perda de sensibilidade profunda) têm indicação cirúrgica de urgência. As técnicas cirúrgicas mais usadas são hemilaminectomia (toracolombar) e ventral slot (cervical). Fisioterapia e acupuntura são fundamentais na reabilitação pós-cirúrgica.
Prevenção
Em raças predispostas, evitar saltos de altura (sofás, camas), uso de arreio (em vez de coleira de pescoço) e controle rigoroso do peso são medidas preventivas importantes. Exames neurológicos periódicos e raio-X de coluna permitem detectar calcificações discais antes da herniação. A fenestração profilática de múltiplos discos em Dachshunds jovens é discutida mas não é consenso.