O que é leptospirose?
Leptospirose é uma zoonose bacteriana causada por Leptospira interrogans e outras espécies patogênicas do gênero. Os cães são altamente suscetíveis à doença, ao contrário dos gatos, que raramente adoecem. Os roedores (ratos) são os principais reservatórios, eliminando a bactéria na urina de forma crônica e contaminando solos, água e alimentos.
A infecção é mais frequente em períodos de chuva intensa, quando a bactéria se espalha com as enchentes. Cães que frequentam áreas com acúmulo de água, caçam roedores ou vivem próximos a esgoto têm risco elevado.
Causas e tipos
Existem mais de 200 sorovares patogênicos de Leptospira. Os mais comuns em cães no Brasil incluem os sorovares Icterohaemorrhagiae, Copenhageni, Canicola, Pomona e Grippotyphosa. A transmissão ocorre por contato direto com urina de animal infectado, agua ou solo contaminados, ou pelo consumo de alimentos infectados.
- Forma renal: insuficiência renal aguda, o quadro mais comum em cães
- Forma hepática ou ictérica (doença de Weil): icterícia intensa, hemorragias
- Forma hemorrágica: sangramento em múltiplos órgãos, alta mortalidade
- Forma subclínica: infecção sem sinais evidentes, mas com seroconversão detectável
Sintomas
Os sinais surgem após período de incubação de 2 a 20 dias e incluem febre, apatia, inapetência, vômitos, diarreia (com ou sem sangue), dor abdominal e muscular intensa. A urina pode ficar escura (hematúria ou hemoglobinúria), e o animal pode apresentar icterícia (amarelamento de pele e mucosas).
Nos casos graves ocorre oligúria ou anúria (diminuição ou ausência de urina), indicando insuficiência renal aguda. Hemorragias espontâneas em mucosas, pulmões e trato digestivo são sinais de gravidade extrema que exigem internação imediata.
Diagnóstico
O diagnóstico definitivo é feito pela soroaglutinação microscópica (SAM), que detecta anticorpos contra sorovares específicos. O PCR em sangue ou urina identifica o DNA bacteriano na fase aguda antes da seroconversão. Exames de bioquímica sérica revelam elevação de ureia, creatinina (lesão renal) e bilirrubinas (lesão hepática).
O hemograma mostra leucocitose com neutrofilia e trombocitopenia. A urinálise evidencia proteinúria, cilindrúria e hematúria. O diagnóstico precoce é crucial, pois o tratamento iniciado nos primeiros dias reduz significativamente a mortalidade.
Tratamento
O tratamento inclui antibioticoterapia com penicilina G (fase aguda) seguida de doxiciclina ou ampicilina. A fluidoterapia intensiva é fundamental para restaurar a função renal e corrigir desequilíbrios eletrolíticos. Em casos de insuficiência renal oligúrica pode ser necessária diálise peritoneal.
Animais graves necessitam de internação com suporte intensivo: controle da pressão arterial, transfusão de sangue ou plasma em casos hemorrágicos, proteção gástrica e suporte nutricional. A recuperação renal pode levar semanas e alguns animais desenvolvem doença renal crônica como sequela.
Prevenção
A vacinação anual com vacina polivalente (que inclui os principais sorovares) é a medida preventiva mais importante para cães. O controle de roedores no ambiente, evitar contato com água de enchentes ou poças, não deixar o animal caçar ratos e manter o ambiente limpo complementam a proteção. Em humanos, a prevenção passa pelo uso de botas e luvas em áreas alagadas e pelo controle de roedores.