O que é colite?
Colite é a inflamação da mucosa do cólon, a porção final do intestino grosso responsável pela absorção de água e eletrólitos e pela formação e armazenamento das fezes. Quando inflamado, o cólon perde sua capacidade de absorver água adequadamente e produz muco em excesso, resultando em fezes moles a líquidas com muco e frequentemente com estrias de sangue vivo.
A colite pode ser aguda — surgindo subitamente e durando menos de duas semanas — ou crônica, quando persiste por mais de três semanas ou apresenta padrão recorrente. A forma aguda é mais comum e geralmente tem causa identificável e boa resposta ao tratamento. A forma crônica exige investigação mais aprofundada para descartar doenças inflamatórias intestinais (DII).
Causas e tipos
Parasitas intestinais como Trichuris vulpis (verme chicote), Giardia e Entamoeba histolytica são causas comuns de colite, especialmente em animais jovens. Bactérias como Salmonella, Campylobacter e Clostridium perfringens também estão implicadas. A ingestão de alimentos inadequados, lixo ou mudança abrupta de dieta desencadeia colite aguda por estresse osmótico e irritação química.
- Parasitária: Trichuris, Giardia, Ancylostoma
- Bacteriana: Salmonella, Campylobacter, Clostridium
- Alimentar: intolerância, alergia, ingestão de lixo
- Estresse: colite do estresse em animais ansiosos
- Inflamatória: DII, colite linfoplasmocítica, colite eosinofílica
- Histiocítica ulcerativa: específica do Boxer e Bulldog Francês
Sintomas
O sinal mais característico da colite é a diarreia com tenesmo: o animal faz esforço intenso para defecar, produz pequenas quantidades de fezes moles a líquidas contendo muco visível e, frequentemente, estrias de sangue vivo (hematoquezia). Ao contrário da diarreia de intestino delgado, o volume fecal em cada episódio é pequeno, mas a frequência é muito alta — podendo chegar a 10 a 20 vezes por dia.
Vômito, quando presente, costuma ser intermitente. Perda de peso acentuada é incomum na colite pura. Em casos graves com colite hemorrágica, pode haver desidratação e prostração. Animais com colite crônica podem ter períodos de normalidade intercalados com crises.
Diagnóstico
O exame de fezes — coproparasitológico, cultura e PCR fecal — é o ponto de partida para identificar agentes infecciosos. Hemograma e bioquímica sérica avaliam o estado sistêmico. A colonoscopia com biópsia é o método definitivo para diagnóstico de colite crônica, permitindo caracterizar o tipo de infiltrado inflamatório e descartar tumores e úlceras.
A resposta a dieta de eliminação é usada como teste diagnóstico para suspeita de alergia alimentar. Radiografia e ultrassonografia abdominal auxiliam na avaliação da espessura da parede colônica e na identificação de corpos estranhos ou massas.
Tratamento
O tratamento é direcionado à causa subjacente. Parasitas são eliminados com antiparasitários específicos. Colites bacterianas respondem a antibióticos como metronidazol, que também possui propriedades anti-inflamatórias intestinais. A dieta de fácil digestão com alta fibra solúvel (psyllium, abóbora) regula a função colônica e melhora a consistência fecal.
Colites inflamatórias crônicas (DII) exigem imunossupressão com prednisolona e, em casos refratários, ciclosporina ou clorambucil. A colite histiocítica ulcerativa do Boxer tem resposta específica a enrofloxacina. Probióticos e dietas hidrolisadas ou de proteína nova complementam o manejo a longo prazo.
Prevenção
Manter o protocolo de vermifugação em dia, oferecer dieta de qualidade consistente sem variações bruscas, evitar acesso a lixo e alimentos impróprios, reduzir fontes de estresse no ambiente e realizar exame de fezes anual são as principais medidas preventivas. Animais de raças predispostas à colite ulcerativa devem ter acompanhamento gastroenterológico periódico.