O que é cinomose?
Cinomose é causada pelo vírus Canine morbillivirus (CDV), altamente contagioso entre carnívoros. A transmissão ocorre principalmente por aerossóis de secreções respiratórias, mas também por contato com urina, fezes e saliva de animais infectados. O vírus tem tropismo por células epiteliais, células do sistema imune (linfócitos) e neurônios, explicando o acometimento multissistêmico.
A cinomose acomete principalmente filhotes de 3 a 6 meses, quando a imunidade materna declina antes da vacinação completa. A doença pode ser aguda e fulminante ou ter progressão mais lenta com complicações neurológicas tardias.
Fases da doença
A cinomose evolui em fases. A fase inicial (1 a 2 semanas) cursa com febre, supressão imune e imunossupressão que predispõe a infecções oportunistas. A fase de invasão sistêmica causa sinais respiratórios (tosse, secreção nasal, pneumonia), gastrointestinais (vômito, diarreia) e oculares (conjuntivite, queratoconjuntivite).
- Fase I: febre, imunossupressão, viremia
- Fase II: sinais respiratórios, GI e oculares
- Fase III: sinais neurológicos — encefalomielite
- Fase IV: sinais crônicos — mioclonia, hiperaqueratose nasal e palmar
Sintomas
Febre bifásica, secreção oculonasal mucopurulenta, tosse, pneumonia, vômito e diarreia são os sinais sistêmicos. Sinais neurológicos — que podem aparecer semanas após a infecção inicial — incluem ataxia, mioclonia (movimentos musculares rítmicos involuntários), convulsões e paralisia. A hiperaqueratose do coxim plantar e do focinho (nariz duro e rachado) é sinal característico em casos crônicos.
A mioclonia (espasmos musculares rítmicos, especialmente dos membros ou face) é sinal patognomônico de cinomose — quando presente, o diagnóstico é praticamente confirmado.
Diagnóstico
O diagnóstico clínico em filhotes não vacinados com sinais multissistêmicos é frequentemente suficiente para iniciar o tratamento de suporte. A PCR no líquido cefalorraquidiano (LCR), conjuntiva, sangue ou urina confirma o diagnóstico. A análise do LCR pode mostrar pleocitose e elevação de proteínas.
O diagnóstico diferencial inclui traqueobronquite infecciosa, leptospirose, parvovirose e doenças neurológicas de outras etiologias.
Tratamento e prognóstico
Não existe antiviral específico. O tratamento é de suporte: antibióticos para infecções bacterianas secundárias, anticonvulsivantes, suporte nutricional, fluidoterapia e fisioterapia. A mortalidade é alta, especialmente nas formas com comprometimento neurológico grave.
Animais que sobrevivem podem ter sequelas permanentes como mioclonia, cegueira, hiperaqueratose e déficits neurológicos. A vacinação com V8 ou V10 a partir de 45 dias, com reforços, é a única medida preventiva eficaz.
Prevenção
A vacinação é a prevenção definitiva. Protocolo: primeira dose aos 45 a 60 dias, reforços a cada 3 a 4 semanas até 16 semanas, depois anualmente. Evitar contato de filhotes não vacinados com cães de procedência desconhecida é fundamental. O vírus é eliminado rapidamente no ambiente (horas a dias), mas animais infectados são altamente contagiosos.