O que é cistite?
Cistite é a inflamação da mucosa vesical que pode ser causada por agentes infecciosos, urólitos (pedras na bexiga), tumores, causas idiopáticas ou, raramente, parasitas. A bexiga inflamada perde sua capacidade de armazenar urina adequadamente, gerando o impulso frequente e urgente de urinar. A condição afeta animais de todas as idades, mas é mais comum em fêmeas adultas por questões anatômicas.
Em gatos, a Doença do Trato Urinário Inferior Felino (DTUIF) engloba a cistite idiopática felina, a urolitíase e o plugue uretral. A cistite idiopática felina responde por cerca de 65% dos casos de DTUIF e está associada a fatores ambientais e emocionais, não a bactérias.
Causas e tipos
A cistite bacteriana em cães é causada principalmente por Escherichia coli, seguida por Staphylococcus, Proteus e Klebsiella. A infecção ascende da uretra até a bexiga e pode chegar aos rins. Em gatos, a bactéria é causa rara de cistite, e o estresse — mudanças no ambiente, conflito com outros gatos, alteração de rotina — é o principal desencadeante da forma idiopática.
- Cistite bacteriana: E. coli, Staphylococcus, Proteus (mais comum em cadelas)
- Cistite idiopática felina: estresse, sedentarismo, dieta seca exclusiva
- Cistite por urólitos: cálculos de estruvita, oxalato de cálcio, urato
- Cistite por tumor: carcinoma de células de transição da bexiga
- Cistite fúngica: rara, ocorre em imunossuprimidos
Sintomas
Os sinais mais comuns são disúria (dificuldade ou dor para urinar), hematúria (sangue na urina), polaciúria (micção em pequenas quantidades com alta frequência), e inapetência ou incontinência em casos graves. O animal pode urinar em locais inadequados, o que frequentemente é confundido com problema comportamental.
Em machos — especialmente gatos — a obstrução uretral é uma complicação grave que se manifesta por esforço intenso sem produção de urina, vocalização de dor, letargia, vômito e, se não tratada em horas, evolui para ruptura de bexiga, uremia e morte.
Diagnóstico
A urinálise (EAS) é o exame inicial mais importante, revelando hematúria, piúria, bacteriúria e alterações no pH. A urocultura com antibiograma é indispensável nos casos bacterianos para identificar o agente e escolher o antibiótico adequado. Exames de imagem — radiografia e ultrassonografia abdominal — identificam urólitos, espessamento de parede vesical e massas.
Em gatos com episódios recorrentes, a cistoscopia e biópsia podem ser necessárias para excluir tumor de bexiga. A pressão abdominal e a palpação cuidadosa da bexiga durante o exame físico ajudam a detectar urólitos e obstruções.
Tratamento
A cistite bacteriana é tratada com antibióticos por 7 a 14 dias, guiados pelo antibiograma. O uso empírico de antibiótico sem cultura pode selecionar bactérias resistentes. Analgésicos e antiespasmódicos melhoram o conforto durante o tratamento. A hidratação adequada, com estímulo ao consumo de água e dieta úmida, é parte fundamental do manejo.
A cistite idiopática felina é tratada com modificação ambiental: enriquecimento do ambiente, redução do estresse, dietas úmidas, fontes de água corrente e, em casos refratários, medicação ansiolítica. Urólitos podem requerer dieta específica para dissolução ou remoção cirúrgica. A obstrução uretral exige desobstrução de emergência e internação.
Prevenção
Oferecer água limpa e fresca em quantidade suficiente, preferir dieta úmida principalmente para gatos, manter caixa de areia limpa e em local tranquilo, evitar mudanças bruscas de rotina e ambiente, e realizar urinálise anual em animais com histórico de cistite são as principais medidas preventivas. Fêmeas com infecções recorrentes devem ser avaliadas para causas predisponentes como vaginite e anomalias anatômicas.