O que é yersiniose?
Yersiniose é a infecção causada por bactérias do gênero Yersinia, que inclui três espécies de relevância médica: Yersinia pestis (causadora da peste bubônica, praticamente erradicada), Yersinia enterocolitica e Yersinia pseudotuberculosis — estas duas últimas sendo as de maior importância em medicina veterinária de pequenos animais por causarem enterite e doença sistêmica em cães, gatos e seus tutores.
A bactéria é um patógeno entérico que se multiplica em temperaturas baixas (inclusive em geladeiras a 4°C), contamina alimentos de origem animal, água e solo, e é eliminada nas fezes de animais infectados. Cães e gatos podem ser portadores assintomáticos ou desenvolver doença clínica, constituindo reservatórios com potencial de transmissão humana.
Causas e tipos
A transmissão ocorre principalmente pela via fecal-oral: ingestão de alimentos ou água contaminados com fezes de animais infectados, contato direto com animais portadores, ou consumo de carne crua ou mal cozida de animais infectados. Roedores são reservatórios naturais importantes de Y. pseudotuberculosis. Suínos são a principal fonte de Y. enterocolitica. Cães que caçam e consomem roedores têm risco aumentado.
- Y. enterocolitica: gastroenterite aguda com diarreia mucoide ou hemorrágica, febre, vômitos
- Y. pseudotuberculosis: quadro sistêmico com linfadenite mesentérica, abscessos, sepse
- Forma assintomática: portadores saudáveis que eliminam a bactéria nas fezes
- Forma sistêmica grave: mais comum em animais jovens, debilitados ou imunossuprimidos
Sintomas
Na forma entérica por Y. enterocolitica, os sinais incluem diarreia aguda (podendo ser sanguinolenta ou mucoide), vômitos, febre, anorexia, dor abdominal e desidratação. Os sintomas costumam durar de 3 a 14 dias em animais com sistema imunológico competente. Em filhotes e animais imunossuprimidos, a doença pode ser mais intensa e prolongada.
Na infecção por Y. pseudotuberculosis, o quadro pode ser mais grave: além dos sinais digestivos, ocorre aumento dos linfonodos mesentéricos (linfadenite mesentérica), formação de granulomas e abscessos no mesentério e órgãos abdominais, febre persistente e perda de peso. Em casos de septicemia, o animal apresenta prostração grave, mucosas pálidas e colapso circulatório.
Diagnóstico
O diagnóstico definitivo requer o isolamento de Yersinia por cultura bacteriológica de fezes em meios específicos e temperaturas adequadas (a bactéria cresce melhor a 25–28°C, diferente da maioria dos enteropatógenos). A cultura de fezes convencional pode não detectar Yersinia a menos que o laboratório seja alertado para investigá-la especificamente. Testes sorológicos e PCR em fezes são métodos alternativos mais sensíveis disponíveis em laboratórios de referência.
A ultrassonografia abdominal pode revelar linfadenomegalia mesentérica e abscessos em casos de Y. pseudotuberculosis sistêmica. O hemograma geralmente mostra leucocitose com neutrofilia. O histórico de contato com roedores, aves ou consumo de carne crua orienta a suspeita clínica.
Tratamento
Nos casos leves a moderados sem comprometimento sistêmico, o tratamento é de suporte: fluidoterapia para correção da desidratação, dieta de fácil digestão e, quando indicado, antieméticos. A antibioticoterapia é reservada para casos moderados a graves, sistêmicos ou em animais imunossuprimidos. As fluoroquinolonas (enrofloxacina), trimetoprim-sulfadiazina e aminoglicosídeos apresentam boa atividade contra Yersinia; a duração usual é de 7 a 14 dias.
Nos casos de linfadenite supurativa ou abscessos por Y. pseudotuberculosis, a drenagem cirúrgica das coleções pode ser necessária em associação ao tratamento antibiótico. O prognóstico é geralmente favorável em animais adultos hígidos com tratamento adequado, mas grave em filhotes com septicemia.
Prevenção
A prevenção envolve impedir o acesso dos pets a roedores e aves silvestres (fontes de Y. pseudotuberculosis), não oferecer carne crua ou alimentos de origem animal sem processamento adequado, garantir higiene rigorosa dos utensílios de alimentação e água, e controle regular de parasitas e higiene do ambiente. Como é uma zoonose, tutores devem lavar as mãos após manusear fezes do pet e após contato com animais doentes.