O que é tétano em animais?
Tétano é causado pela toxina tetanospasmina produzida pelo Clostridium tetani em condições de anaerobiose (ausência de oxigênio). A bactéria esporula e persiste no solo por anos. Quando introduzida em feridas profundas e hipóxicas, germina e produz a toxina, que migra pelo axônio até o sistema nervoso central.
A toxina inibe a liberação de glicina e GABA — neurotransmissores inibitórios da motricidade — resultando em contração muscular descontrolada e rígida (espasmos tetânicos). O trismo (espasmo dos músculos mastigatórios — "boca travada") e o riso sardônico (espasmo facial) são sinais clássicos.
Causas e fatores de risco
Feridas profundas contaminadas com terra ou fezes são o principal fator de risco. Castração com ligadura sem antissepsia adequada, feridas por anzol, mordeduras profundas e abcessos são situações de risco em cães.
- Feridas perfurantes profundas: mordeduras, estacas, anzóis
- Feridas cirúrgicas contaminadas: castração sem antisepsia adequada
- Corpos estranhos profundos
- Abcessos não drenados com tecido necrótico
- Parturição com contaminação ambiental
Sintomas
Os sinais iniciam próximos ao local da ferida e generalizam-se progressivamente. Rigidez muscular localizada evolui para rigidez generalizada com postura de "cavalo de madeira" — todos os membros estendidos e rígidos, cauda erguida, orelhas em pé e olhos fixos com prolapso da terceira pálpebra. Trismo impede a abertura da boca e a alimentação.
Estimulação luminosa ou sonora provoca espasmos exacerbados. Em casos graves, espasmos do músculo laríngeo causam dificuldade respiratória. A consciência é mantida, o que torna a condição muito estressante para o animal.
Diagnóstico
O diagnóstico é essencialmente clínico: sinais neurológicos característicos associados a histórico de ferida recente em cão. Não há exame laboratorial específico rápido para confirmar o diagnóstico em vida. Cultura anaeróbica da ferida pode isolar o Clostridium, mas raramente muda a conduta.
Tratamento
Antitoxina tetânica (soro antitetânico equino) neutraliza a toxina ainda não ligada aos neurônios — deve ser administrada o mais cedo possível. Penicilina G (benzilpenicilina) ou metronidazol eliminam a bactéria e interrompem a produção de toxina. Limpeza cirúrgica radical da ferida remove o foco.
O suporte intensivo é fundamental: ambiente escuro e silencioso para reduzir estímulos que precipitam espasmos, sedação com diazepam ou midazolam, nutrição via sonda nasogástrica, fluidoterapia e fisioterapia gentil na recuperação. A recuperação completa pode levar semanas a meses.
Prevenção
Em cães, não existe vacina tetânica disponível comercialmente no Brasil como nas equinos. A prevenção centra-se em: limpeza e desbridamento adequados de feridas contaminadas, antibióticos profiláticos em feridas de alto risco e, em casos especiais, uso de soro antitetânico preventivo em feridas graves. Em cirurgias, técnica asséptica rigorosa.