O que é otite externa?
Otite externa é a inflamação do conduto auditivo externo, que pode afetar apenas a porção vertical ou se estender ao canal horizontal e à membrana timpânica. Quando não tratada adequadamente, pode evoluir para otite média, causando comprometimento neurológico. Em cães, é uma das cinco queixas mais comuns nas consultas veterinárias.
O canal auditivo dos cães e gatos tem formato de "L", o que favorece a retenção de umidade, cera e debris. Raças com orelhas pendentes (Cocker Spaniel, Basset Hound) ou com muito pelo no canal (Poodle, Schnauzer) são especialmente predispostas.
Causas e tipos
As causas são classificadas em primárias, secundárias e fatores predisponentes. As causas primárias iniciam a inflamação e incluem alergias (principal causa em cães), parasitas (Otodectes cynotis — sarna otológica, frequente em gatos), corpos estranhos e distúrbios de queratinização. As causas secundárias — infecções por bactérias (Staphylococcus, Pseudomonas) e fungos (Malassezia) — se instalam no ambiente inflamado.
- Alergias: alimentar, atopia ambiental — causa primária mais comum em cães
- Otodectes cynotis: ácaro da orelha, frequente em gatos jovens
- Malassezia pachydermatis: fungo que causa otite marrom-escura e odorosa
- Bacteriana: Staphylococcus e Pseudomonas em infecções crônicas
- Corpo estranho: gramíneas, sementes, algodão no canal auditivo
Sintomas
Os sinais mais evidentes são coçar as orelhas com as patas, sacudir a cabeça repetidamente, inclinar a cabeça para o lado afetado e vocalizar ao ter a orelha tocada. O canal auditivo pode apresentar secreção de cor e consistência variável: amarelada (bacteriana), marrom escura e cerosa (Malassezia ou Otodectes), pus esverdeado (Pseudomonas).
Odor desagradável, eritema e edema do pavilhão auricular, além de hiperplasia do canal em casos crônicos, completam o quadro. Em otites muito dolorosas, o animal pode recusar o toque da cabeça inteiramente.
Diagnóstico
O diagnóstico começa com a otoscopia, que permite visualizar o canal, a membrana timpânica e identificar corpos estranhos. A citologia auricular é fundamental: a análise microscópica da secreção distingue fungos, bactérias e células inflamatórias, orientando o tratamento. Em casos resistentes, a cultura e antibiograma identificam bactérias e guiam a antibioticoterapia.
Tratamento
O tratamento inclui limpeza profissional do canal (otosscopio + fluido de lavagem), seguida de aplicação de produtos otológicos com antibiótico, antifúngico e anti-inflamatório em associação, por 7 a 14 dias. O médico veterinário escolhe o produto com base na citologia. Otites crônicas por Pseudomonas resistente podem exigir lavagem sob sedação e antibioticoterapia sistêmica.
A causa primária deve ser controlada para evitar recorrência. Em animais alérgicos, o manejo da alergia (dieta hipoalergênica, imunoterapia, oclacitinibe) é indispensável. Casos de hiperplasia grave do canal não responsivos ao tratamento médico podem requerer cirurgia (ablação total do conduto auditivo).
Prevenção
Limpar as orelhas regularmente com solução auricular veterinária (especialmente após banho e natação), remover pelos excessivos do canal em raças predispostas, controlar alergias e realizar check-ups periódicos são medidas preventivas eficazes. Nunca use cotonetes dentro do canal auditivo, pois empurram a sujeira para dentro e podem lesionar a membrana timpânica.