O que é alergia alimentar em pets?
Alergia alimentar é uma hipersensibilidade do sistema imune a componentes específicos da dieta, mais frequentemente proteínas como frango, boi, peixe, soja, trigo e ovo. Diferente da intolerância alimentar, que é uma reação não imunológica, a alergia envolve a produção de anticorpos IgE e a ativação de células de defesa, resultando em inflamação crônica.
Pode se desenvolver a qualquer idade, mesmo após anos consumindo o mesmo alimento sem problemas. O animal precisa de exposição prévia ao alérgeno para desenvolver sensibilização — por isso, a alergia raramente aparece no primeiro contato com um ingrediente novo.
Causas e tipos
As proteínas de origem animal são os alérgenos mais comuns: frango lidera a lista em cães e gatos, seguido por boi, peixe e produtos lácteos. Carboidratos como trigo e soja também podem causar reações. O ingrediente culpado geralmente é um dos componentes principais da dieta habitual do animal, não um ingrediente novo.
- Proteínas animais: frango, boi, peixe, cordeiro, peru
- Proteínas vegetais: soja, glúten de trigo
- Laticínios: leite, queijo, iogurte
- Ovos: clara e gema
Sintomas
O sinal mais marcante é a coceira (prurido) que não responde adequadamente a corticosteroides nas doses habituais. Nos cães, o prurido concentra-se no focinho, ao redor dos olhos, nas patas, nas axilas e na virilha. Em gatos, pode causar dermatite miliar, úlceras eosinofílicas e queda de pelo simétrica.
Sintomas gastrointestinais como diarreia intermitente, vômitos ocasionais, flatulência excessiva e aumento da frequência de defecação acompanham o quadro em até 30% dos casos. Otites externas de repetição, sem causa parasitária identificada, são outro sinal clássico de alergia alimentar.
Diagnóstico
Não existe exame de sangue confiável para diagnosticar alergia alimentar em cães e gatos. O padrão-ouro é a dieta de eliminação: o animal recebe exclusivamente um alimento com proteína hidrolisada ou uma fonte proteica à qual nunca foi exposto (como coelho, javali ou canguru) por 8 a 12 semanas sem nenhuma outra fonte de proteína.
Se os sintomas melhorarem durante a dieta e retornarem ao reintroduzir o alimento original, o diagnóstico é confirmado. A provocação com o alérgeno suspeito permite identificar o ingrediente específico responsável. Esse processo exige disciplina rigorosa, pois qualquer "escapada" alimentar invalida o teste.
Tratamento
O tratamento definitivo é a eliminação permanente do alérgeno da dieta. O veterinário indicará uma ração hipoalergênica comercial com proteína hidrolisada ou uma dieta caseira balanceada por nutricionista veterinário. Alimentos de mesa, petiscos convencionais e suplementos com proteínas devem ser completamente eliminados.
Medicamentos para controle da coceira, como oclacitinibe ou lokivetmab, podem ser usados no período de transição para melhorar o conforto do animal. Antibióticos e antifúngicos tratam infecções secundárias de pele decorrentes do prurido crônico. Com a dieta adequada, a maioria dos animais apresenta melhora significativa em 4 a 6 semanas.
Quando ir ao veterinário
Procure o veterinário se seu pet coça frequentemente sem causa aparente, apresenta otites repetitivas, tem diarreia crônica ou desenvolveu lesões de pele que não melhoram com tratamentos convencionais. Quanto antes o diagnóstico for feito, menor o sofrimento do animal e menor o risco de infecções secundárias graves por arranhadura.