O que é piometra?
Piometra é a infecção bacteriana do útero com acúmulo de secreção purulenta no seu interior. Ocorre na fase do diestro (pós-cio), quando a progesterona mantém o endométrio espessado e suprime a resposta imune uterina local, criando condições ideais para o crescimento bacteriano. Em muitos casos, o histórico de uso de hormônios contraceptivos (anticoncepcionais injetáveis) acelera o processo.
Existem duas formas: piometra aberta, onde o colo uterino permanece dilatado e a secreção escorre pela vagina (sinal visível para o tutor), e piometra fechada, onde o colo está fechado e o pus acumula-se no útero sem saída, sendo mais grave e com risco maior de ruptura uterina e peritonite.
Causas e tipos
A bactéria mais frequentemente isolada é Escherichia coli, proveniente do próprio trato intestinal da fêmea. Outros agentes incluem Staphylococcus, Streptococcus e Pseudomonas. O uso de hormônios progestágenos (contraceptivos veterinários) é um fator de risco importante e frequente no Brasil.
- Piometra aberta: colo dilatado, secreção purulenta visível na vulva
- Piometra fechada: colo fechado, maior risco de ruptura e peritonite
- Piometra de coto: infecção no coto uterino residual após castração incompleta
- Fatores de risco: uso de progestágenos, hiperestrogenismo, nulíparidade
Sintomas
Os sinais variam conforme a forma. Na piometra aberta, o tutor pode observar secreção purulenta, sanguinolenta ou leitosa na vulva da cadela, acompanhada de lambedura excessiva da região. Outros sinais gerais incluem polidipsia (beber muito), poliúria, anorexia, vômito, letargia e distensão abdominal.
A piometra fechada tem apresentação mais grave e menos óbvia: sem secreção visível, o animal apresenta depressão intensa, vômito, desidratação, febre ou hipotermia e abdômen distendido. A evolução para septicemia e choque é mais rápida, tornando o diagnóstico precoce ainda mais crítico.
Diagnóstico
O diagnóstico baseia-se no histórico (fêmea inteira, período pós-cio ou uso de anticoncepcionais), exame clínico e exames complementares. A ultrassonografia abdominal é o exame de escolha para visualizar o útero distendido e preenchido por conteúdo hipoecogênico e confirmar o diagnóstico.
O hemograma mostra leucocitose intensa com desvio à esquerda. Bioquímica sérica pode revelar comprometimento renal (decorrente de toxemia por endotoxinas bacterianas), alteração hepática e distúrbios eletrolíticos. Esses exames são essenciais para avaliar o estado geral antes da cirurgia.
Tratamento
O tratamento definitivo é cirúrgico: ovário-histerectomia de emergência (castração) para remover o útero infectado. A cirurgia é realizada mesmo em animais instáveis, após estabilização inicial com fluidoterapia e antibióticos. O risco cirúrgico é maior que em uma castração eletiva, mas é o único tratamento confiável.
Tratamento clínico (prostaglandinas e antibióticos) é reservado para fêmeas de alto valor reprodutivo, casos selecionados de piometra aberta e animais jovens com doença leve. A taxa de recidiva é alta (em torno de 70%) e essa abordagem não é recomendada na maioria dos casos.
Prevenção
A castração eletiva antes do primeiro cio ou no início da vida adulta é a forma mais eficaz de prevenir piometra. Evitar o uso de hormônios contraceptivos (progestágenos injetáveis como o acetato de medroxiprogesterona) é fundamental. Fêmeas inteiras devem ter acompanhamento veterinário regular com ultrassonografia uterina anual após os 5 anos de idade.