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O que é Piometra?

Publicado em 01 de janeiro de 2025

Piometra é o acúmulo de pus no interior do útero, causado por infecção bacteriana que ocorre geralmente após o cio em fêmeas inteiras. A condição resulta da ação da progesterona no endométrio uterino, criando um ambiente propício para proliferação bacteriana, especialmente por Escherichia coli. É uma emergência cirúrgica que, sem tratamento, pode evoluir para septicemia e morte. A doença afeta principalmente cadelas de meia-idade a idosas, entre 4 e 8 semanas após o término do cio. Gatas também são afetadas, embora com menor frequência. A castração eletiva (ovário-histerectomia) é a forma mais eficaz de prevenção e também o tratamento de escolha nos casos agudos.

O que é piometra?

Piometra é a infecção bacteriana do útero com acúmulo de secreção purulenta no seu interior. Ocorre na fase do diestro (pós-cio), quando a progesterona mantém o endométrio espessado e suprime a resposta imune uterina local, criando condições ideais para o crescimento bacteriano. Em muitos casos, o histórico de uso de hormônios contraceptivos (anticoncepcionais injetáveis) acelera o processo.

Existem duas formas: piometra aberta, onde o colo uterino permanece dilatado e a secreção escorre pela vagina (sinal visível para o tutor), e piometra fechada, onde o colo está fechado e o pus acumula-se no útero sem saída, sendo mais grave e com risco maior de ruptura uterina e peritonite.

Causas e tipos

A bactéria mais frequentemente isolada é Escherichia coli, proveniente do próprio trato intestinal da fêmea. Outros agentes incluem Staphylococcus, Streptococcus e Pseudomonas. O uso de hormônios progestágenos (contraceptivos veterinários) é um fator de risco importante e frequente no Brasil.

  • Piometra aberta: colo dilatado, secreção purulenta visível na vulva
  • Piometra fechada: colo fechado, maior risco de ruptura e peritonite
  • Piometra de coto: infecção no coto uterino residual após castração incompleta
  • Fatores de risco: uso de progestágenos, hiperestrogenismo, nulíparidade

Sintomas

Os sinais variam conforme a forma. Na piometra aberta, o tutor pode observar secreção purulenta, sanguinolenta ou leitosa na vulva da cadela, acompanhada de lambedura excessiva da região. Outros sinais gerais incluem polidipsia (beber muito), poliúria, anorexia, vômito, letargia e distensão abdominal.

A piometra fechada tem apresentação mais grave e menos óbvia: sem secreção visível, o animal apresenta depressão intensa, vômito, desidratação, febre ou hipotermia e abdômen distendido. A evolução para septicemia e choque é mais rápida, tornando o diagnóstico precoce ainda mais crítico.

Diagnóstico

O diagnóstico baseia-se no histórico (fêmea inteira, período pós-cio ou uso de anticoncepcionais), exame clínico e exames complementares. A ultrassonografia abdominal é o exame de escolha para visualizar o útero distendido e preenchido por conteúdo hipoecogênico e confirmar o diagnóstico.

O hemograma mostra leucocitose intensa com desvio à esquerda. Bioquímica sérica pode revelar comprometimento renal (decorrente de toxemia por endotoxinas bacterianas), alteração hepática e distúrbios eletrolíticos. Esses exames são essenciais para avaliar o estado geral antes da cirurgia.

Tratamento

O tratamento definitivo é cirúrgico: ovário-histerectomia de emergência (castração) para remover o útero infectado. A cirurgia é realizada mesmo em animais instáveis, após estabilização inicial com fluidoterapia e antibióticos. O risco cirúrgico é maior que em uma castração eletiva, mas é o único tratamento confiável.

Tratamento clínico (prostaglandinas e antibióticos) é reservado para fêmeas de alto valor reprodutivo, casos selecionados de piometra aberta e animais jovens com doença leve. A taxa de recidiva é alta (em torno de 70%) e essa abordagem não é recomendada na maioria dos casos.

Prevenção

A castração eletiva antes do primeiro cio ou no início da vida adulta é a forma mais eficaz de prevenir piometra. Evitar o uso de hormônios contraceptivos (progestágenos injetáveis como o acetato de medroxiprogesterona) é fundamental. Fêmeas inteiras devem ter acompanhamento veterinário regular com ultrassonografia uterina anual após os 5 anos de idade.

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Perguntas frequentes

Minha cadela está com secreção na vulva após o cio. Pode ser piometra?

Sim, é um sinal de alerta importante. Secreção purulenta, amarelada ou sanguinolenta na vulva de cadela inteira entre 1 e 8 semanas após o cio deve ser avaliada imediatamente pelo veterinário.

Piometra fechada é mais grave que aberta?

Sim. Na forma fechada, o pus acumula-se sem saída, aumentando o risco de ruptura uterina, peritonite e septicemia fulminante. Os sinais clínicos são menos óbvios, o que pode atrasar o diagnóstico e piorar o prognóstico.

Cadela que usou anticoncepcional tem mais risco de piometra?

Sim. Progestágenos injetáveis (como acetato de medroxiprogesterona) estimulam o endométrio e suprimem a imunidade uterina local, aumentando significativamente o risco de piometra. Essa prática é fortemente desaconselhada.

Gatas também têm piometra?

Sim, embora com menor frequência que cadelas. Em gatas, a piometra também ocorre na fase pós-cio e tem as mesmas formas (aberta e fechada). O tratamento e a prevenção são os mesmos: castração eletiva.

Cadela com piometra pode morrer?

Sem tratamento, a piometra é fatal. A septicemia causada pelas bactérias e endotoxinas pode levar ao choque séptico e falência de múltiplos órgãos. Com cirurgia de emergência oportuna, a maioria das cadelas se recupera.

Posso tratar piometra sem cirurgia?

O tratamento clínico existe, mas é reservado a casos selecionados e tem alta taxa de recidiva (cerca de 70%). A maioria dos especialistas recomenda a cirurgia como tratamento definitivo e seguro para a vida do animal.

Minha cadela tem piometra mas eu quero que ela tenha filhotes. O que fazer?

Em fêmeas jovens com piometra aberta e doença leve, o tratamento clínico pode ser tentado para preservar a fertilidade, mas deve ser discutido detalhadamente com o veterinário especialista em reprodução. O risco de recidiva é alto.

A cirurgia de piometra é perigosa?

O risco é maior que em uma castração eletiva por conta do estado inflamatório e da instabilidade clínica do animal. Porém, com estabilização pré-operatória adequada, a maioria das cadelas tolera bem o procedimento e se recupera em 7 a 14 dias.

Quanto custa a cirurgia de piometra?

O custo é maior que uma castração eletiva porque envolve uma emergência, hospitalização prévia e antibioticoterapia. Esse fato reforça a importância de castrar as fêmeas eletivamente, que é mais seguro, mais barato e definitivamente preventivo.

Após a cirurgia de piometra, minha pet fica bem?

Sim. A maioria das cadelas e gatas se recupera completamente após a ovário-histerectomia de emergência. O período de convalescença é de 7 a 14 dias. Após a alta, a fêmea está castrada e livre do risco de piometra para sempre.

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