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O que é Endocardite?

Publicado em 01 de janeiro de 2025

Endocardite é a inflamação do endocárdio — a camada interna do coração que reveste as câmaras e as válvulas cardíacas. Em cães e gatos, a forma infecciosa bacteriana é a mais comum e ocorre quando bactérias circulantes na corrente sanguínea se depositam e colonizam as válvulas cardíacas, formando vegetações que comprometem o fluxo sanguíneo. A condição é grave, frequentemente associada a bacteremia de focos distantes como dentes, boca, próstata ou pele infectada. O diagnóstico requer ecocardiografia e hemocultura, e o tratamento exige antibioticoterapia prolongada com monitoramento cardiológico rigoroso.

O que é endocardite?

Endocardite é a inflamação da superfície interna do coração, mais especificamente das válvulas cardíacas. Na forma infecciosa bacteriana — a mais relevante em medicina veterinária —, microrganismos que entram na corrente sanguínea aderem às válvulas, formando massas chamadas vegetações. Essas vegetações interferem no fechamento correto das válvulas, causando regurgitação e comprometendo progressivamente a função cardíaca.

Em cães, as válvulas aórtica e mitral são as mais frequentemente acometidas. A endocardite é menos comum em gatos do que em cães. Cães de raças grandes e médias, machos e de meia-idade são os mais afetados, especialmente aqueles com histórico de doenças que predispõem à bacteremia.

Causas e tipos

A endocardite infecciosa resulta de bacteremia — presença de bactérias no sangue — que pode originar-se de focos como doença periodontal grave, infecção urinária, prostatite, piodermite ou procedimentos cirúrgicos sem cobertura antibiótica adequada. As bactérias mais isoladas incluem Staphylococcus, Streptococcus, Bartonella e Escherichia coli. Bactérias do gênero Bartonella têm associação especialmente forte com endocardite em cães.

  • Endocardite bacteriana: causa mais comum — Staphylococcus, Streptococcus, Bartonella
  • Endocardite não infecciosa: depósitos estéreis associados a neoplasias ou uremia
  • Predisposição: doença periodontal, infecção prostática, corpo estranho implantado
  • Válvulas mais acometidas: aórtica (cão) e mitral (cão e gato)

Sintomas

Os sinais clínicos podem ser sutis no início e confundidos com outras doenças sistêmicas. Febre intermitente, letargia, perda de peso, anorexia e relutância ao exercício são os achados mais comuns. Sopro cardíaco novo ou mudança em sopro pré-existente, detectado pelo veterinário durante auscultação, é um achado altamente sugestivo.

Sinais de insuficiência cardíaca — tosse, taquipneia, intolerância ao exercício e distensão abdominal — surgem à medida que a válvula comprometida perde a função. Embolização das vegetações pode causar sinais neurológicos agudos, claudicação ou sinais renais, dependendo do órgão atingido pelos êmbolos sépticos.

Diagnóstico

A ecocardiografia (ultrassom do coração) é o exame de escolha para visualizar as vegetações valvares, avaliar o grau de regurgitação e monitorar a função cardíaca. A hemocultura — coleta de sangue em diferentes momentos para identificar a bactéria causadora — é essencial para guiar a antibioticoterapia, embora os resultados demorem dias. Sorologia para Bartonella é indicada em casos suspeitos.

Hemograma revela leucocitose com neutrofilia, indicando processo inflamatório ativo. Bioquímica sérica avalia disfunção renal e hepática. Ecocardiografia transesofágica, disponível em centros especializados, oferece imagens de maior resolução para vegetações menores.

Tratamento

O tratamento baseia-se em antibioticoterapia prolongada — geralmente de 6 a 8 semanas — guiada pelo resultado da hemocultura e antibiograma. Enquanto os resultados da cultura não estão disponíveis, inicia-se antibioticoterapia empírica de amplo espectro com combinações que cubram Staphylococcus e organismos gram-negativos. Nos casos com Bartonella confirmada, a doxiciclina é parte do esquema.

O suporte cardiológico inclui medicamentos para insuficiência cardíaca quando necessário, como furosemida, enalapril e pimobendan. O foco infeccioso primário — dentes, próstata, pele — deve ser tratado ou removido para eliminar a fonte de bacteremia. O prognóstico é reservado, especialmente quando há comprometimento da válvula aórtica ou insuficiência cardíaca estabelecida.

Prevenção

O controle da doença periodontal por meio de escovação dentária regular e limpezas profissionais anuais é a medida preventiva mais importante, pois a boca é o principal foco de bacteremia em cães. A cobertura antibiótica profilática antes de procedimentos cirúrgicos em animais predispostos, o tratamento precoce de infecções urinárias e a manutenção da saúde geral reduzem significativamente o risco de endocardite.

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Perguntas frequentes

Como a endocardite se relaciona com a saúde bucal do meu cão?

A doença periodontal gera bacteremia frequente quando o cão mastiga ou o veterinário realiza procedimentos orais. As bactérias entram na corrente sanguínea e podem se depositar nas válvulas cardíacas. Por isso, a higiene oral é tão importante para a saúde cardíaca quanto para a saúde da boca.

Todo sopro cardíaco indica endocardite?

Não. Sopros cardíacos têm muitas causas, sendo a doença degenerativa da válvula mitral a mais comum em cães idosos. A endocardite é uma causa menos frequente, mas grave. O veterinário distinguirá as causas com base no contexto clínico, histórico e ecocardiografia.

Endocardite pode ser curada completamente?

Em alguns casos, sim. Com antibioticoterapia adequada e prolongada e controle do foco primário, a infecção pode ser erradicada. No entanto, o dano valvar causado pelas vegetações frequentemente é permanente, exigindo manejo cardiológico contínuo mesmo após a cura da infecção.

Por que a endocardite aórtica é mais grave?

A válvula aórtica controla a saída de sangue do ventrículo esquerdo para a circulação sistêmica. Quando comprometida, o ventrículo trabalha sob sobrecarga de pressão, evoluindo rapidamente para insuficiência cardíaca grave. A válvula mitral, quando afetada, causa sobrecarga de volume, geralmente com progressão mais lenta.

Quanto tempo dura o tratamento antibiótico da endocardite?

O tratamento mínimo é de 6 semanas, podendo se estender por 8 a 12 semanas em casos graves ou com organismos de difícil erradicação como Bartonella. A suspensão precoce do antibiótico leva à recidiva com organismos frequentemente mais resistentes.

Preciso fazer ecocardiografia de acompanhamento?

Sim. A ecocardiografia é repetida após 4 a 6 semanas de tratamento para avaliar a resposta — redução das vegetações, melhora da função valvar — e ao fim do tratamento para confirmar a erradicação. Monitoramento a cada 3 a 6 meses pode ser necessário para animais com sequelas valvares.

Bartonella é transmitida por pulgas para cães?

Sim. Bartonella henselae e outras espécies são transmitidas por pulgas e carrapatos. Em cães, a Bartonella é uma causa importante de endocardite, miocardite e outras doenças sistêmicas. O controle eficaz de ectoparasitas é essencial para prevenção.

Gatos também têm endocardite?

Sim, mas é bem menos comum do que em cães. Em gatos, a endocardite pode estar associada a Bartonella, microrganismos opportunistas em imunossuprimidos e bacteremia de diversas origens. O diagnóstico e tratamento seguem princípios semelhantes aos aplicados em cães.

Meu cão com endocardite pode se exercitar?

Não durante o tratamento ativo. O repouso é fundamental para reduzir a demanda sobre o coração comprometido e diminuir o risco de embolização. Após a cura confirmada, o nível de atividade permitida dependerá do grau de dano valvar residual avaliado pela ecocardiografia.

Cirurgia de troca de válvula é opção em cães?

A cirurgia cardíaca com circulação extracorpórea para troca de válvula existe em medicina humana, mas é raramente realizada em cães e gatos por questões de viabilidade técnica e custo. O tratamento veterinário baseia-se no manejo médico intensivo com antibióticos e suporte cardiológico.

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