O que é timoma?
Timoma é um tumor derivado das células epiteliais que formam o estroma do timo, glândula linfoide localizada no mediastino cranial, entre o coração e o esterno. É o tumor mediastinal mais comum em cães e gatos, embora sua frequência absoluta seja baixa.
A importância clínica do timoma vai além das manifestações locais: o tumor pode secretar substâncias que causam disfunção imunológica e neuromuscular à distância, as chamadas síndromes paraneoplásicas. Miastenia gravis e megaesôfago são as mais frequentes e clinicamente relevantes em veterinária.
Localização e sinais locais
O timoma localiza-se no mediastino cranial e pode comprimir estruturas adjacentes à medida que cresce: compressão traqueal causa tosse e dispneia; compressão esofágica contribui para disfagia; síndrome da veia cava cranial causa edema de cabeça, pescoço e membros anteriores (edema de hipertensão venosa).
- Massa mediastinal cranial ao coração
- Compressão traqueal: tosse, dispneia
- Quilotórax: efusão pleural de aspecto leitoso
- Síndrome da veia cava: edema de cabeça e membros anteriores
- Derrame pericárdico
Síndromes paraneoplásicas
A miastenia gravis paraneoplásica associada a timoma é mediada por anticorpos contra receptores de acetilcolina, causando fraqueza muscular generalizada, megaesôfago e disfagia. Em gatos, a exfoliative dermatitis (dermatite esfoliativa) é síndrome paraneoplásica específica associada a timoma.
O megaesôfago é consequência da miastenia gravis ou de efeito paraneoplásico direto. Causa regurgitação, aspiração e pneumonia por aspiração — complicação grave e frequente.
Diagnóstico
Radiografia torácica mostra massa em mediastino cranial. A tomografia computadorizada caracteriza melhor a massa, avalia a invasão de estruturas adjacentes e orienta o planejamento cirúrgico. A aspiração citológica guiada por ultrassom pode fornecer diagnóstico citológico. O diagnóstico definitivo é histopatológico.
Pesquisa de anticorpos anti-receptor de acetilcolina confirma miastenia gravis paraneoplásica. Eletroneuromiografia (EMG) e teste de edrofônio auxiliam no diagnóstico funcional da miastenia.
Tratamento
A timectomia (remoção cirúrgica do timo com o tumor) é o tratamento de eleição. Em tumores benignos (cápsula intacta), a ressecção completa é curativa. Tumores invasivos podem requerer quimioterapia adjuvante ou radioterapia. A miastenia gravis frequentemente melhora ou resolve após a timectomia.
Enquanto aguarda ou como tratamento paliativo, piridostigmina melhora a transmissão neuromuscular na miastenia gravis. O manejo do megaesôfago com alimentação vertical é fundamental para prevenir pneumonia por aspiração.
Prognóstico
Timomas não invasivos ressecados completamente têm excelente prognóstico com sobrevida longa. Tumores invasivos e os associados a síndromes paraneoplásicas graves têm prognóstico mais reservado. O manejo da miastenia e do megaesôfago é desafio importante no pós-operatório.