O que é hepatite infecciosa canina?
A hepatite infecciosa canina é uma doença viral sistêmica causada pelo Adenovírus Canino tipo 1 (CAV-1). O vírus tem afinidade especial pelas células hepáticas, endotélio vascular e rim, podendo causar falência orgânica múltipla nos casos graves. Cães de qualquer idade podem ser afetados, mas filhotes sem imunidade são os mais vulneráveis.
A infecção também pode afetar raposas, lobos e outros canídeos selvagens. O vírus é eliminado pela urina do animal infectado por até seis meses após a recuperação, tornando o portador uma fonte de contágio mesmo aparentemente saudável.
Causas e tipos
O CAV-1 é transmitido principalmente por contato direto com secreções corporais de animais infectados — urina, fezes, saliva e secreção nasal. O vírus sobrevive no ambiente por semanas, facilitando a transmissão indireta por objetos contaminados, vasilhas e roupas dos tutores. Cães não vacinados ou com vacinação desatualizada estão em alto risco.
- Forma hiperaguda: morte súbita em menos de 24 horas, sem sinais prévios
- Forma aguda: febre alta, vômito, diarreia, dor abdominal intensa
- Forma subaguda: sinais mais brandos, recuperação possível com tratamento
- Olho azul: opacidade corneana transitória por deposição de complexos imunes
Sintomas
Os sinais clínicos incluem febre acima de 40°C, prostração intensa, vômitos, diarreia (às vezes com sangue), dor à palpação abdominal no quadrante hepático, icterícia (amarelamento de mucosas e pele) e tendência hemorrágica. Pode surgir opacidade azulada na córnea ("olho azul"), especialmente durante a recuperação.
Nos casos graves, aparecem distúrbios de coagulação com petéquias, equimoses e hemorragias espontâneas. Animais hiperagudos podem ser encontrados mortos sem sinais prévios aparentes. Cães que sobrevivem à fase aguda podem desenvolver doença renal crônica.
Diagnóstico
O diagnóstico baseia-se no histórico vacinal, sinais clínicos e exames laboratoriais. O hemograma pode revelar leucopenia e trombocitopenia. A bioquímica sérica mostra elevação de ALT, fosfatase alcalina e bilirrubinas, indicando lesão hepática. O tempo de coagulação pode estar prolongado.
Exames específicos como PCR para CAV-1, sorologia (detecção de anticorpos) e imuno-histoquímica em amostras de tecido confirmam o diagnóstico. A ultrassonografia abdominal pode evidenciar hepatomegalia, ascite e alterações de ecogenicidade hepática.
Tratamento
Não existe antiviral específico para o CAV-1; o tratamento é de suporte. A internação com fluidoterapia intravenosa é fundamental para manter a hidratação e o equilíbrio eletrolítico. Medicamentos hepatoprotetores, antieméticos, protetores gástricos e, quando indicado, plasma fresco congelado para repor fatores de coagulação são utilizados.
Antibióticos de amplo espectro previnem infecções bacterianas secundárias. A nutrição enteral precoce favorece a regeneração hepática. O prognóstico da forma aguda sem tratamento é reservado; com suporte intensivo, muitos animais se recuperam, embora possam desenvolver sequelas renais.
Prevenção
A vacinação é a medida preventiva mais eficaz e está incluída nas vacinas polivalentes V8 ou V10, aplicadas a partir das 6 a 8 semanas de vida com reforços a cada 3 a 4 semanas até os 4 meses, e anualmente após isso. Manter o esquema vacinal atualizado é indispensável, especialmente em filhotes e animais com acesso a ambientes externos.