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O que é Epilepsia?

Publicado em 01 de janeiro de 2025

Epilepsia é um distúrbio neurológico crônico caracterizado pela ocorrência de crises convulsivas recorrentes causadas por atividade elétrica anormal no cérebro. É uma das condições neurológicas mais comuns em cães e pode ocorrer também em gatos, afetando animais de qualquer idade e raça. A epilepsia pode ser idiopática — sem causa identificável, com forte componente genético — ou secundária a doenças metabólicas, infecções, tumores ou lesões cerebrais. O diagnóstico correto é fundamental para definir o tratamento mais adequado e melhorar a qualidade de vida do animal.

O que é epilepsia em animais?

Epilepsia é uma condição neurológica definida pela predisposição do cérebro a gerar crises epilépticas recorrentes. Durante uma crise, neurônios disparam de forma sincronizada e excessiva, causando manifestações que vão de tremores localizados a convulsões generalizadas com perda de consciência, queda, movimentos de pedalagem e salivação intensa.

Em cães, a epilepsia idiopática é a forma mais frequente, com prevalência estimada entre 0,5% e 5,7% da população canina. Certas raças apresentam predisposição genética marcada, incluindo Beagle, Golden Retriever, Labrador e Border Collie. Em gatos, a epilepsia secundária é mais comum do que a idiopática.

Causas e tipos

A epilepsia é classificada conforme a origem das crises. A epilepsia idiopática não tem lesão cerebral identificável e é presumida genética. A epilepsia estrutural resulta de lesões cerebrais como tumores, encefalite, hidrocefalia ou malformações. A epilepsia reativa não é verdadeira epilepsia: as crises são consequência de distúrbios metabólicos como hipoglicemia, insuficiência hepática ou intoxicação.

  • Idiopática: genética, sem lesão identificável — mais comum em cães jovens
  • Estrutural: tumores, malformações, sequelas de trauma craniano
  • Reativa: hipoglicemia, uremia, toxinas, encefalopatia hepática
  • Por doenças infecciosas: cinomose, toxoplasmose, criptococose

Sintomas

A crise epiléptica clássica passa por três fases: pródromo (comportamento anormal horas antes), ictal (a crise em si, com convulsão, salivação, perda de consciência e movimentos involuntários) e pós-ictal (desorientação, cegueira transitória e letargia que podem durar minutos a horas). Nem todas as crises são convulsivas: crises focais podem se manifestar como mastigação no vazio, piscar excessivo ou sacudidas de um membro.

Status epilepticus — crise com duração superior a cinco minutos ou duas crises sem recuperação entre elas — é uma emergência médica que pode causar dano cerebral permanente e óbito.

Diagnóstico

O diagnóstico baseia-se no histórico detalhado das crises fornecido pelo tutor e no exame neurológico. Hemograma, bioquímica sérica e urinálise são solicitados para descartar causas metabólicas. A ressonância magnética (RM) e a análise do líquido cefalorraquidiano (LCR) são essenciais para identificar causas estruturais ou infecciosas. O eletroencefalograma (EEG) tem uso limitado em veterinária, mas pode ser realizado em centros especializados.

A epilepsia idiopática é um diagnóstico de exclusão: só é confirmada após afastar todas as causas identificáveis em animal com crise recorrente entre 6 meses e 6 anos de idade e exame neurológico normal entre as crises.

Tratamento

O tratamento antiepiléptico é indicado quando as crises ocorrem mais de uma vez ao mês, são muito prolongadas ou ocorrem em grupos. Fenobarbital é o anticonvulsivante de primeira escolha em cães, com eficácia comprovada e custo acessível. Brometo de potássio é frequentemente associado em casos refratários. Em gatos, o fenobarbital também é o fármaco de eleição, mas o brometo é contraindicado.

O tratamento é vitalício e requer monitoramento periódico dos níveis séricos do fármaco e da função hepática. Novos antiepilépticos como levetiracetam, zonisamida e imepitoin estão disponíveis para casos refratários ou intolerância aos fármacos convencionais.

Quando consultar

Qualquer crise convulsiva de duração superior a cinco minutos, duas ou mais crises em 24 horas ou primeira crise em animal com mais de seis anos são indicações de atendimento de emergência. Mesmo crises breves e únicas devem ser investigadas com veterinário para descartar causas tratáveis. O tutor deve filmar a crise para mostrar ao médico veterinário, pois o vídeo é um auxílio diagnóstico valioso.

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Perguntas frequentes

O que fazer quando meu pet está tendo uma convulsão?

Mantenha a calma e afaste objetos que possam machucar o animal. Não coloque a mão na boca dele — pets não engolam a língua durante crises. Cronometre a duração e filme se possível. Se a crise ultrapassar cinco minutos, leve imediatamente ao veterinário de emergência.

Epilepsia tem cura em cães?

A epilepsia idiopática não tem cura, mas é controlável com medicação. A maioria dos cães epilépticos leva vida normal com tratamento correto e monitoramento regular. Epilepsias secundárias podem ser curadas se a causa subjacente for eliminada.

Com que frequência o pet epiléptico precisa ir ao veterinário?

Nos primeiros meses de tratamento, consultas a cada 2 a 3 meses são necessárias para ajustar a dose e monitorar efeitos colaterais. Após estabilização, revisões a cada 6 meses são suficientes na maioria dos casos, incluindo coleta de sangue para checar os níveis do fármaco e a função hepática.

Fenobarbital faz mal ao fígado do meu pet?

O fenobarbital pode elevar as enzimas hepáticas e, raramente, causar hepatotoxicidade com o uso prolongado. Por isso, o monitoramento semestral da bioquímica hepática é obrigatório. A maioria dos cães tolera bem o medicamento e o benefício supera amplamente o risco.

Meu gato pode ter epilepsia?

Sim, gatos podem ter epilepsia, embora seja menos comum que em cães. Em felinos, a causa secundária — tumores cerebrais, doenças infecciosas ou metabólicas — é mais frequente do que a forma idiopática. A investigação diagnóstica é essencial para definir o melhor tratamento.

O que é status epilepticus e por que é perigoso?

Status epilepticus é uma crise convulsiva com duração superior a cinco minutos ou crises repetidas sem recuperação da consciência entre elas. É uma emergência porque causa hipertermia, dano neuronal progressivo, hipóxia e pode ser fatal sem tratamento imediato com anticonvulsivantes intravenosos.

Existe relação entre epilepsia e raça do cachorro?

Sim. Beagle, Labrador Retriever, Golden Retriever, Border Collie, Pastor Alemão, Boxer e Dálmata têm predisposição genética documentada para epilepsia idiopática. Isso não significa que todos os animais dessas raças vão desenvolver a doença, mas os tutores devem estar atentos.

Posso dar diazepam em casa durante uma crise?

Sim, mas somente se o veterinário prescrever e orientar a técnica. O diazepam retal ou o midazolam nasal são opções seguras para uso domiciliar em cães com histórico de crises prolongadas. Nunca administre medicamentos sem prescrição veterinária.

A alimentação influencia as crises epilépticas?

Há evidências preliminares de que dietas cetogênicas podem reduzir a frequência de crises em alguns pacientes, mas ainda não há protocolo veterinário padronizado. Hipoglicemia — queda de açúcar no sangue por jejum prolongado — pode desencadear crises reativas, portanto refeições regulares são importantes.

Meu pet epiléptico pode praticar exercícios?

Sim, animais epilépticos bem controlados podem e devem exercitar-se normalmente. O estresse e o cansaço extremo podem ocasionalmente precipitar crises em alguns indivíduos, mas atividade física moderada e regular é benéfica para o bem-estar geral e não deve ser evitada.

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