O que é encefalite?
Encefalite é a inflamação do tecido cerebral propriamente dito, diferenciando-se da meningite (inflamação das meninges) e da meningoencefalite (inflamação simultânea de ambas as estruturas). O processo inflamatório provoca edema cerebral, necrose neuronal e disfunção progressiva do sistema nervoso central, podendo comprometer de forma irreversível funções vitais.
Em medicina veterinária, a encefalite é mais frequentemente diagnosticada em cães do que em gatos. Certas raças têm predisposição genética para formas autoimunes, como o Pug, o Yorkshire Terrier e o Maltês. A encefalite necrosante e a encefalite granulomatosa são as formas autoimunes mais estudadas em cães.
Causas e tipos
As causas são amplamente divididas em infecciosas e não infecciosas. Entre as infecciosas, destacam-se cinomose viral (causa mais comum em cães não vacinados no Brasil), toxoplasmose, criptococose, neosporose, erliquiose e raiva. As encefalites não infecciosas incluem formas autoimunes como meningoencefalite granulomatosa (MEG), encefalite necrosante do Pug e meningoencefalite necrosante do Yorkshire.
- Viral: cinomose, raiva, herpesvírus
- Parasitária: toxoplasmose, neosporose, larva migrans
- Fúngica: criptococose (especialmente em gatos)
- Autoimune: MEG, encefalite necrosante racial
- Bacteriana: secundária a otite média, sinusite ou sepse
Sintomas
Os sinais neurológicos dependem da localização e extensão da inflamação. Convulsões são frequentes quando o córtex cerebral é afetado. Alterações de marcha como ataxia, circling (andar em círculos) e queda para um lado indicam comprometimento cerebelar ou vestibular. Alterações comportamentais — agressividade súbita, desorientação ou letargia profunda — sugerem acometimento cortical difuso.
Sinais sistêmicos como febre, anorexia e depressão acompanham as formas infecciosas. Nas formas autoimunes, os sinais neurológicos tendem a ser a única manifestação, com piora progressiva ao longo de semanas. Hiperestesia cervical (dor ao mover o pescoço) é um sinal clássico de meningoencefalite.
Diagnóstico
A ressonância magnética é o exame de imagem de escolha, revelando áreas de inflamação, edema e necrose com grande detalhamento. A análise do líquido cefalorraquidiano (LCR) obtido por punção é fundamental: revela pleocitose (aumento de células), tipo celular predominante e proteínas elevadas, orientando a diferenciação entre causas infecciosas e autoimunes. PCR no LCR permite identificar agentes virais e fúngicos específicos.
Sorologias sanguíneas para cinomose, toxoplasma e cryptococcus, além de teste de antigênio criptocócico no LCR, complementam a investigação. Em formas suspeitas de autoimunidade, a biópsia cerebral pode ser necessária para confirmação definitiva.
Tratamento
O tratamento direciona-se à causa específica. Encefalites virais por cinomose não têm tratamento antiviral eficaz disponível; o suporte clínico com anticonvulsivantes, corticosteroides para controle do edema e antibióticos para prevenir infecções secundárias é a abordagem padrão. Toxoplasmose e neosporose respondem à combinação de clindamicina ou sulfonamidas. Criptococose é tratada com antifúngicos como fluconazol ou itraconazol por meses.
Nas formas autoimunes, imunossupressão com prednisolona em doses elevadas é a base do tratamento, frequentemente combinada com citarabina, ciclosporina ou procarbazina nos casos refratários. O tratamento é vitalício na maioria dos casos autoimunes, com ajustes periódicos conforme a resposta clínica.
Prevenção
A vacinação contra cinomose é a medida preventiva mais importante para encefalite viral em cães. A vacina antirrábica é obrigatória por lei. Controle de carrapatos previne erliquiose e outras infecções que podem atingir o SNC. Evitar contato com fezes de gatos e ambiente contaminado reduz o risco de toxoplasmose. Em gatos, a vacinação e o controle de FIV e FeLV contribuem para reduzir infecções oportunistas.