O que é meningite?
As meninges são três membranas — dura-máter, aracnoide e pia-máter — que envolvem e protegem o sistema nervoso central. A meningite ocorre quando essas membranas se inflamam, seja por infecção ou por reação imunomediada. A inflamação pode se estender ao parênquima cerebral (meningoencefalite) ou à medula espinhal (meningomielite), agravando o quadro neurológico.
Nos cães, a forma imunomediada, conhecida como Meningite-Arterite Responsiva a Esteróides (MARE), é uma das causas mais frequentes em cães jovens adultos das raças Beagle, Boxer, Nova Escócia, Weimaraner e Bernese. Em gatos, as causas infecciosas, especialmente a meningoencefalite por Cryptococcus neoformans (fungo), são as mais relevantes.
Causas e tipos
A meningite infecciosa pode ser causada por bactérias (disseminação de infecções locais como otite, sinusite ou hematogênica), vírus (cinomose em cães, peritonite infecciosa felina — PIF — em gatos), fungos (Cryptococcus, Aspergillus) e protozoários (Toxoplasma, Neospora). A forma imunomediada ocorre por reatividade autoimune contra as meninges, sem agente infeccioso identificável.
- Meningite bacteriana: grave, associada a infecções sistêmicas ou locais
- Meningoencefalite fúngica: criptococose é a mais comum em gatos
- Meningoencefalite viral: cinomose (cão), PIF (gato)
- MARE (Meningite-Arterite Responsiva a Esteróides): imunomediada, em cães jovens
- Meningoencefalite de origem desconhecida (MOD): grupo de doenças imunomediadas em cães
Sintomas
O sinal mais característico é a dor cervical intensa — o animal reluta em mover o pescoço, apresenta postura cifótica (costas arqueadas) e chora ao ser manipulado. Febre alta, hiperestesia generalizada, rigidez de nuca e relutância em se movimentar completam o quadro meníngeo clássico. Na MARE, a dor é o sinal predominante com poucos déficits neurológicos iniciais.
Quando há extensão ao parênquima cerebral (meningoencefalite), surgem sinais neurológicos mais graves: convulsões, ataxia, déficits posturais, alteração do nível de consciência, cegueira e inclinação de cabeça. Meningomielite causa paraparesia ou tetraparesia progressiva.
Diagnóstico
A análise do líquido cefalorraquidiano (LCR), obtido por punção da cisterna magna ou espaço lombossacro, é o exame fundamental. Alterações no LCR — aumento de proteínas, pleocitose (aumento de células) com predomínio de neutrófilos (bacteriana) ou mononucleares (viral/fúngica/imunomediada) — orientam o diagnóstico. Cultura bacteriana e fungos do LCR são solicitadas nos casos infecciosos.
Ressonância magnética (RM) e tomografia computadorizada (TC) avaliam a extensão da inflamação e excluem lesões obstrutivas. Sorologias para Toxoplasma, Neospora, Cryptococcus e testes para cinomose e PIF complementam a investigação etiológica.
Tratamento
O tratamento depende da causa. Meningite bacteriana exige antibioticoterapia parenteral de amplo espectro por períodos prolongados (4 a 6 semanas). A MARE responde dramaticamente à imunossupressão com corticosteroides, geralmente com resolução dos sintomas em 24 a 48 horas, mas o tratamento deve ser mantido por meses para evitar recidiva.
Meningoencefalites fúngicas são tratadas com antifúngicos sistêmicos (fluconazol, anfotericina B). Doenças virais como cinomose e PIF não têm tratamento curativo específico, sendo o manejo suportivo e de controle dos sintomas. Analgesia, corticosteroides em doses anti-inflamatórias e suporte neurológico são partes do cuidado intensivo.
Prevenção
A vacinação adequada contra cinomose e PIF (onde disponível) reduz o risco das formas virais. Tratamento precoce de infecções dentárias, otites e sinusites evita a disseminação bacteriana para o sistema nervoso central. Não há prevenção conhecida para as formas imunomediadas, mas o diagnóstico e tratamento precoces minimizam sequelas neurológicas permanentes.