O que é úlcera gástrica em animais?
Úlcera gástrica é uma lesão aberta que se forma na mucosa do estômago quando o equilíbrio entre os fatores agressores (ácido clorídrico, pepsina, bile) e os fatores protetores (muco, bicarbonato, prostaglandinas) é rompido. A lesão pode ser superficial, atingindo apenas a mucosa, ou profunda, comprometendo a submucosa e a muscular — situação que representa risco de perfuração.
Em cães e gatos, a condição é subdiagnosticada porque muitos tutores confundem os sinais com simples distúrbios digestivos. O diagnóstico definitivo requer endoscopia digestiva alta, que permite visualizar e biopsiar a lesão com precisão.
Causas e tipos
A principal causa iatrogênica é o uso de anti-inflamatórios não esteroidais (AINEs) como meloxicam, carprofeno e cetoprofeno sem proteção gástrica adequada. Corticosteroides também predispõem à formação de úlceras, especialmente quando combinados com AINEs. Doenças que aumentam a secreção de gastrina, como o gastrinoma pancreático, causam hipersecreção ácida grave.
- Uso de AINEs e corticosteroides sem protetor gástrico
- Estresse cirúrgico, trauma ou doenças graves (úlcera de estresse)
- Insuficiência renal ou hepática crônica
- Gastrinoma e outras neoplasias gástricas
- Corpo estranho gástrico com lesão mecânica da mucosa
Sintomas
Os sinais clínicos incluem vômito com ou sem presença de sangue (hematêmese), fezes escuras e alcatroadas (melena — indicativo de sangramento digestivo alto), perda de apetite, dor abdominal manifestada por curvatura do dorso ou relutância ao toque no abdome, e perda de peso progressiva.
Em casos graves, o animal pode apresentar anemia, fraqueza intensa, taquicardia e palidez de mucosas por perda de sangue. A perfuração gástrica causa peritonite aguda com abdome rígido, dor extrema, febre e rápida deterioração do estado geral, constituindo emergência cirúrgica.
Diagnóstico
A endoscopia digestiva alta é o exame padrão-ouro, permitindo visualização direta da lesão, coleta de biópsias e exclusão de neoplasias. A ultrassonografia abdominal pode evidenciar espessamento da parede gástrica e presença de líquido livre em casos de perfuração. Exames laboratoriais como hemograma completo, bioquímica sérica e dosagem de gastrina sérica auxiliam na identificação da causa subjacente.
A radiografia contrastada com bário é uma alternativa quando a endoscopia não está disponível, mas tem menor sensibilidade para lesões superficiais. O histórico de uso de medicamentos anti-inflamatórios é informação fundamental para o diagnóstico.
Tratamento
O tratamento medicamentoso baseia-se em inibidores da bomba de prótons (omeprazol, pantoprazol) para reduzir a secreção ácida, associados a protetores de mucosa como sucralfato. Em casos de sangramento ativo, a fluidoterapia e possível transfusão sanguínea são necessárias. A suspensão imediata dos medicamentos causadores é obrigatória.
A perfuração gástrica exige cirurgia de urgência para limpeza da cavidade abdominal e fechamento da lesão. A dieta durante a recuperação deve ser composta de alimentos de fácil digestão, oferecidos em pequenas quantidades e com maior frequência. O prognóstico é favorável quando o diagnóstico é precoce e a causa identificada e eliminada.
Prevenção
Nunca administrar AINEs por período prolongado sem prescrição veterinária e sem associar protetores gástricos como omeprazol. Em animais com doenças crônicas (renal, hepática), monitorar regularmente a mucosa gástrica. Reduzir situações de estresse intenso e manter alimentação regular evitam a formação de úlceras de estresse. Consultar o veterinário diante de qualquer sinal de distúrbio digestivo persistente.