O que é Brucelose Canina
A brucelose canina é uma infecção bacteriana sistêmica causada por Brucella canis, uma bactéria intracelular facultativa que infecta principalmente as células do sistema reprodutivo, linfonodos e baço. A doença tem distribuição mundial e é endêmica no Brasil, sendo especialmente problemática em canis e criadouros de cães de raça.
A B. canis possui a capacidade de persistir dentro das células do sistema imune, dificultando a erradicação pelo organismo e pelos antibióticos. Por isso, a doença pode tornar-se crônica, com o animal permanecendo portador e disseminador por anos.
Causas e tipos
A transmissão entre cães ocorre principalmente por contato sexual (monta), ingestão ou contato com fetos abortados, placenta, corrimento vaginal e sêmen de animais infectados. A bactéria penetra pelas mucosas e se dissemina pelo sistema linfático. A urina de animais infectados também é uma via de transmissão, especialmente em machos.
- Transmissão venérea: principal via em criadouros.
- Transmissão por fômites: secreções contaminam o ambiente por semanas.
- Transmissão vertical: fêmeas infectadas transmitem para filhotes in utero ou durante o parto.
Sintomas
Em fêmeas, o sinal mais característico é o aborto tardio (entre 45 e 59 dias de gestação), frequentemente com fetos macerados. Podem ocorrer também natimortalidade, nascimento de filhotes fracos e corrimento vaginal persistente. Em machos, observa-se aumento escrotal doloroso (epididimite/orquite), dermatite escrotal, atrofia testicular e infertilidade. Sinais sistêmicos como letargia, perda de peso e linfadenopatia são comuns em ambos os sexos.
- Aborto tardio em fêmeas
- Orquite e epididimite em machos
- Infertilidade em ambos os sexos
- Linfadenomegalia (linfonodos aumentados)
Diagnóstico
O diagnóstico sorológico é feito pelo teste de aglutinação rápida em lâmina (RSAT) como triagem, confirmado por imunoeletrotransferência (AGID) ou culturas bacterianas. O hemocultivo é o método confirmatório mais específico, mas a bacteremia pode ser intermitente, exigindo coletas repetidas. PCR em sangue ou tecidos também está disponível em laboratórios especializados.
Todos os animais de um criadouros devem ser testados quando um caso é identificado, pois a doença se dissemina rapidamente em populações fechadas.
Tratamento
O tratamento é longo e de eficácia limitada; a erradicação bacteriana completa é difícil devido à localização intracelular da bactéria. A combinação de doxiciclina e aminoglicosídeos (gentamicina ou estreptomicina) por 4 a 8 semanas é o protocolo mais utilizado. Minociciclina associada a rifampicina é uma alternativa oral. Recaídas são frequentes.
Em machos, a castração é altamente recomendada para reduzir a carga bacteriana e a eliminação. Animais positivos devem ser isolados de outros cães. A eutanásia pode ser discutida em criadouros com infecção generalizada, sob orientação veterinária e dos proprietários.
Prevenção
Testagem sorológica obrigatória de todos os cães antes de incluí-los em criadouros ou programas de reprodução é a principal medida preventiva. Não há vacina disponível para cães. Exigir teste negativo para brucelose antes de qualquer acasalamento é indispensável. O controle zoonótico exige que tutores e funcionários de canis usem equipamentos de proteção individual ao manejar animais suspeitos ou produtos de aborto.