O que é íleo paralítico em pets?
O íleo paralítico ocorre quando os movimentos peristálticos do intestino — responsáveis pelo transporte do conteúdo digestivo — cessam, mesmo sem nenhuma barreira física obstruindo o lúmen intestinal. Com o movimento cessado, gases e líquidos se acumulam, causando distensão progressiva das alças intestinais e dor abdominal crescente.
Distingue-se da obstrução mecânica (por corpo estranho, intussuscepção ou torção), na qual há um impedimento físico ao trânsito. No íleo paralítico, a causa é funcional: o músculo liso intestinal perde temporariamente sua capacidade de se contrair de forma coordenada, geralmente como resposta a um insulto sistêmico grave.
Causas e tipos
As causas mais comuns em pequenos animais incluem cirurgias abdominais extensas (íleo pós-operatório), peritonite séptica, pancreatite grave, hipocalemia (deficiência de potássio), uso de opioides e anticolinérgicos, e trauma abdominal. Doenças sistêmicas graves como sépsis e endotoxemia também podem paralisar o intestino.
- Íleo pós-operatório: após cirurgias digestivas ou abdominais
- Íleo inflamatório: por peritonite, pancreatite ou enterite grave
- Íleo metabólico: hipocalemia, hipomagnesemia
- Íleo medicamentoso: opioides, anticolinérgicos, anestésicos
Sintomas
O quadro clínico inclui distensão abdominal progressiva, ausência ou redução dos sons intestinais (hipoborborismo) à ausculta, vômitos com conteúdo bilioso ou fecaloide, anorexia total e dor abdominal que piora com a palpação. O animal pode adotar postura de "oração" (anteparte abaixada) para aliviar o desconforto.
Com a progressão, surgem desidratação grave, desequilíbrio eletrolítico, choque e, nos casos mais avançados, sinais de isquemia intestinal com mucosas pálidas ou cianóticas, taquicardia e hipotermia — quadro de emergência absoluta.
Diagnóstico
O diagnóstico baseia-se no exame físico (ausência de ruídos intestinais, distensão) e nos exames de imagem. A radiografia abdominal simples revela alças intestinais dilatadas e cheias de gás, sem o "corte abrupto" típico da obstrução mecânica. A ultrassonografia permite avaliar a motilidade intestinal em tempo real e excluir outras causas.
Exames laboratoriais (hemograma, eletrólitos, lactato, bioquímica sérica) identificam causas subjacentes como hipocalemia, sépsis ou pancreatite e orientam a reposição eletrolítica. Dosagem de lipase pancreática específica é indicada quando há suspeita de pancreatite.
Tratamento
O tratamento é essencialmente de suporte e correção da causa subjacente. Fluidoterapia intravenosa com reposição eletrolítica (especialmente potássio e magnésio) é fundamental. Pró-cinéticos como metoclopramida, eritromicina (em doses subantimicrobianas) ou cisaprida estimulam a motilidade e aceleram a recuperação do peristaltismo.
O manejo da dor com analgésicos adequados (evitando opioides quando possível, pois agravam o íleo) e a resolução da causa primária — antibióticos para peritonite, tratamento da pancreatite, correção eletrolítica — são a base terapêutica. Nos casos graves com isquemia, cirurgia de urgência com ressecção intestinal pode ser necessária.
Quando ir ao veterinário
Leve seu pet imediatamente ao veterinário se notar abdômen inchado, ausência de defecação por mais de 48 horas associada a vômitos, ou sinais de dor abdominal intensa. Animais que passaram por cirurgia abdominal recente e param de apresentar movimentos intestinais normais nas primeiras 48 horas merecem reavaliação urgente.