O que é faringite?
Faringite é a inflamação aguda ou crônica da mucosa faríngea, estrutura tubular que conecta a boca e as cavidades nasais ao esôfago e à laringe. É parte das vias aéreas superiores e desempenha papel importante tanto na deglutição quanto na respiração e fonação.
Em medicina veterinária, a faringite raramente ocorre de forma isolada — frequentemente acompanha laringite, traqueíte, amigdalite ou rinotraqueíte, especialmente em infecções virais. O diagnóstico diferencial com corpo estranho faríngeo é sempre necessário.
Causas e tipos
As causas infecciosas incluem vírus (herpesvírus canino, adenovírus, coronavírus respiratório), bactérias (Streptococcus, Bordetella) e, em gatos, herpesvírus felino e calicivírus. Causas não infecciosas incluem inalação de irritantes, refluxo gastroesofágico, corpo estranho e neoplasias faríngeas.
- Faringite viral: mais comum — frequentemente associada a rinotraqueíte
- Faringite bacteriana: secundária ou primária por Streptococcus
- Faringite por corpo estranho: osso, espinhos, sementes
- Faringite crônica: associada a refluxo ou doença sistêmica
Sintomas
Os principais sinais incluem disfagia (dificuldade para engolir), salivação excessiva, deglutição repetitiva ou engasgos, tosse produtiva ou seca, relutância em comer ou mastigar, vocalização alterada e, eventualmente, febre. O animal pode apresentar a cabeça em posição baixa e esticar o pescoço ao tentar engolir.
Em casos graves ou com corpo estranho, pode haver regurgitação, dificuldade respiratória e sinais de dor intensa à manipulação da região cervical e à abertura da boca.
Diagnóstico
O diagnóstico inicia com a inspeção oral e faríngea, geralmente sob sedação para melhor visualização e para afastar corpo estranho. Radiografias de coluna cervical e tórax auxiliam a identificar corpos estranhos radiopacos e avaliar o trato respiratório. Culturas de swab faríngeo identificam o agente bacteriano.
Em casos crônicos ou refratários, endoscopia é indicada para visualização direta da faringe e esôfago proximal. Biópsia pode ser necessária quando se suspeita de neoplasia.
Tratamento
O tratamento varia conforme a causa. Faringites bacterianas respondem a antibióticos (amoxicilina-clavulanato, enrofloxacino). Anti-inflamatórios aliviam a dor e o edema. Quando há corpo estranho, sua remoção imediata é obrigatória, geralmente por via endoscópica ou cirúrgica.
Dieta pastosa ou úmida facilita a deglutição durante a fase aguda. Nebulização pode ajudar em casos com componente respiratório associado. A causa subjacente (refluxo, doença viral) deve ser tratada concomitantemente.
Prevenção
Manter o calendário vacinal em dia (cinomose, traqueobronquite infecciosa, calicivírus e herpesvírus felino), evitar que o animal acesse ossos e objetos com risco de fragmentação, não oferecer ossos de frango cozidos e realizar check-ups anuais são as principais medidas preventivas.