O que é filariose cardiopulmonar?
A filariose cardiopulmonar ou dirofilariose é causada pelo parasita Dirofilaria immitis, um nematoide que em sua fase adulta pode medir de 15 a 30 cm de comprimento. Os vermes adultos se alojam no coração direito, artéria pulmonar e seus ramos, causando obstrução mecânica ao fluxo sanguíneo e resposta inflamatória crônica grave.
A doença pode levar meses a anos para manifestar sinais clínicos. Quanto mais vermes adultos presentes (carga parasitária), maior a gravidade. Casos com alta carga parasitária podem evoluir para síndrome da veia cava, emergência com mortalidade elevada.
Causas e tipos
A transmissão se dá pela picada de mosquitos do gênero Culex e Aedes infectados com larvas de D. immitis (microfilárias). As larvas percorrem o organismo do cão por meses até atingir o coração e as artérias pulmonares como vermes adultos. O ciclo completo dura cerca de 6 a 7 meses após a picada infectante.
- Classe 1: assintomática — achado incidental
- Classe 2: sintomas leves a moderados — tosse e intolerância ao exercício
- Classe 3: sintomas graves — insuficiência cardíaca direita
- Classe 4: síndrome da veia cava — emergência com alta mortalidade
Sintomas
Os sinais dependem da classe clínica: tosse crônica progressiva, intolerância ao exercício, fadiga fácil, perda de peso, distensão abdominal por ascite (acúmulo de líquido), sincope e, em casos avançados, sinais de insuficiência cardíaca direita como edema e ingurgitamento das jugulares.
Na síndrome da veia cava, o cão apresenta colapso agudo, hemoglobinúria (urina escura), anemia grave e choque. Sem intervenção cirúrgica emergencial para retirada dos vermes, o óbito ocorre em poucos dias.
Diagnóstico
O diagnóstico é realizado por teste de antígeno (detecta fêmeas adultas no sangue — método mais sensível e específico), pesquisa de microfilárias no sangue periférico e exames complementares como radiografia torácica, ecocardiografia e hemograma. A combinação de antigenemia positiva e achados ecocardiográficos confirma o diagnóstico e estadiamento.
Em gatos, o diagnóstico é mais difícil pois a carga parasitária é menor e os testes de antígeno são menos sensíveis. Testes de anticorpos e ecocardiografia são importantes nessa espécie.
Tratamento
O tratamento adulticida em cães usa melarsamina (arsênico orgânico), administrada em protocolo específico com períodos de restrição rigorosa de atividade física para evitar embolia pulmonar pelos vermes mortos. O protocolo de três doses (adulticida lento) é o mais seguro e recomendado atualmente.
Nos meses que antecedem o adulticida, a doxiciclina é usada para enfraquecer os vermes adultos (atuando sobre a bactéria endossimbionte Wolbachia) e macrocíclicos mensais para eliminar larvas. Em gatos, o tratamento adulticida é contraindicado pelo alto risco; o manejo é de suporte.
Prevenção
A prevenção é altamente eficaz e acessível com antiparasitários mensais contendo ivermectina, milbemicina, moxidectina ou selamectina, administrados durante todo o ano em regiões endêmicas. O teste de antígeno anual é recomendado antes de iniciar a profilaxia e para monitorar animais em risco. Controle de mosquitos no ambiente complementa a prevenção.