O que é FIV?
O Vírus da Imunodeficiência Felina (FIV) é um retrovírus que integra seu material genético ao DNA das células do hospedeiro, tornando a infecção permanente e sem cura. A doença progride em três fases: fase aguda (sinais brandos transitórios), fase de portador assintomático (pode durar anos) e fase de imunodeficiência terminal, quando surgem infecções oportunistas graves.
Diferente do FeLV, o FIV raramente é transmitido pela convivência pacífica entre gatos. A principal via de transmissão é a mordida profunda durante brigas.
Causas e tipos
A transmissão ocorre principalmente por mordeduras profundas entre gatos, pois o vírus está concentrado na saliva. Transmissão vertical (mãe para filhote) durante o parto e amamentação é possível, mas menos frequente. Gatos machos não castrados e errantes têm maior risco por se envolverem em brigas territoriais.
- FIV subtipo A: mais comum no Brasil
- FIV subtipo B: distribuição variável por região
- Coinfecção FIV + FeLV: pior prognóstico
Sintomas
Na fase aguda (2 a 4 semanas após infecção): febre, linfadenomegalia, letargia e anorexia transitórios. Na fase crônica, as infecções oportunistas dominam o quadro: estomatite ulcerativa grave, infecções respiratórias recorrentes, diarreia persistente, dermatites e infecções oculares.
Sinais neurológicos como convulsões, ataxia e alterações comportamentais podem ocorrer em estágios avançados. Perda de peso progressiva e caquexia indicam comprometimento grave.
Diagnóstico
O diagnóstico é feito por testes sorológicos que detectam anticorpos contra o FIV. O teste rápido (ELISA) é o mais utilizado na prática clínica, com resultado em minutos. Resultados positivos em filhotes menores de 6 meses devem ser interpretados com cautela pois podem refletir anticorpos maternos passivos.
Western blot ou PCR são realizados para confirmação em casos duvidosos. Hemograma e bioquímica sérica avaliam o grau de comprometimento imunológico e orgânico.
Tratamento
Não existe tratamento curativo para o FIV. O manejo visa controlar as infecções oportunistas, melhorar a qualidade de vida e retardar a progressão. Antibióticos, antifúngicos, antivirais e tratamento sintomático são usados conforme a necessidade. A alimentação de alta qualidade e ambiente protegido são fundamentais.
Gatos FIV positivos podem viver muitos anos com boa qualidade de vida quando mantidos em ambiente interno, sem estresse e com acompanhamento veterinário regular semestral.
Prevenção
A castração de gatos machos reduz comportamento de luta e diminui a exposição ao vírus. Manter o gato em ambiente interno, evitar contato com felinos desconhecidos e testar novos animais antes da introdução no lar são medidas preventivas essenciais. Existe vacina disponível em alguns países, mas não é amplamente recomendada no Brasil.