O que é rinorreia?
Rinorreia é a produção excessiva e o extravasamento de secreção nasal pelas narinas. Normalmente, a mucosa nasal produz pequenas quantidades de muco que umedece, filtra e aquece o ar inspirado. Quando há inflamação, infecção, alergia ou lesão estrutural, a produção aumenta e a secreção se torna visível externamente — podendo ser aquosa, mucosa, espessa, purulenta ou com sangue.
Em gatos, a rinorreia é especialmente comum por causa da alta prevalência de herpesvírus felino (rinotraqueíte) e calicivírus — agentes que causam infecção respiratória superior crônica em muitos animais. Em cães, infecções respiratórias, alergias e doenças como a cinomose são causas frequentes.
Causas e tipos
As causas são divididas por localização da lesão (unilateral sugere problema local; bilateral sugere causa sistêmica ou infecciosa) e tipo de secreção. Secreção serosa (aquosa e clara) aponta para alergia ou início de infecção viral. Secreção mucopurulenta (espessa e amarelada) indica infecção bacteriana secundária. Secreção hemorrágica levanta suspeita de trauma, coagulopatia ou neoplasia.
- Infecciosa: herpesvírus felino, calicivírus, cinomose canina, aspergilose nasal
- Alérgica: rinite alérgica por pólen, ácaros ou outros alérgenos
- Corpo estranho: espiga de capim, sementes, fios
- Estrutural: pólipo nasal, coana, fístula oronasal
- Neoplásica: adenocarcinoma nasal, linfoma
Sintomas associados
A rinorreia raramente ocorre isoladamente. Em infecções respiratórias virais, vem acompanhada de espirros frequentes, conjuntivite, lacrimejamento, tosse, febre e inapetência. Em gatos com herpesvírus, os episódios podem ser recorrentes ao longo da vida, desencadeados por estresse. Corpos estranhos nasais causam espirros violentos e unilaterais de início súbito.
Neoplasias nasais causam secreção unilateral progressiva que pode se tornar hemorrágica, associada à deformação da face, espirros com sangue e dificuldade respiratória. A avaliação cuidadosa de todos os sinais associados é fundamental para o diagnóstico.
Diagnóstico
O diagnóstico começa pelo histórico detalhado (início, progressão, unilateral ou bilateral, vacinação) e exame físico com avaliação das narinas, linfonodos regionais e olhos. A rinoscopia permite visualização direta da cavidade nasal. Exames complementares incluem citologia e cultura de secreção nasal, radiografia e tomografia computadorizada das cavidades nasais e sinusais, e biópsia de lesões suspeitas.
Em gatos jovens não vacinados com sinais de infecção respiratória superior, a presença de ulcerações orais sugere calicivírus, enquanto úlceras corneanas apontam para herpesvírus felino.
Tratamento
O tratamento é específico para cada causa. Infecções virais recebem suporte com nebulização, limpeza das narinas, suplemento de lisina (em gatos com herpesvírus) e antibióticos quando há infecção bacteriana secundária. Aspergilose nasal é tratada com antifúngicos. Corpos estranhos são removidos por rinoscopia. Pólipos e neoplasias exigem intervenção cirúrgica ou quimioterapia.
A vacinação contra os principais agentes infecciosos (vacina quádrupla felina para herpesvírus e calicivírus; vacina polivalente canina para cinomose) é a base da prevenção.
Prevenção
Manter o calendário vacinal atualizado é a principal medida preventiva das causas infecciosas. Evitar ambientes com alta concentração de animais não vacinados, controlar alérgenos domésticos e realizar check-ups regulares permitem identificar precocemente alterações nasais estruturais antes da progressão para formas graves.