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O que é Rinorreia?

Publicado em 01 de janeiro de 2025

Rinorreia é o fluxo ou descarga anormal de secreção pelas narinas, popularmente conhecido como "coriza" ou "nariz escorrendo". Em cães e gatos, é um sinal clínico frequente que pode indicar desde infecções respiratórias simples até doenças graves como cinomose, calicivirose, rinotraqueíte felina, pólipos nasais, corpos estranhos ou neoplasias nasais. A caracterização da secreção — unilateral ou bilateral, serosa, mucosa, mucopurulenta ou hemorrágica — é fundamental para orientar o diagnóstico diferencial. O tratamento depende da causa subjacente e pode variar de cuidados de suporte a cirurgia ou quimioterapia nos casos mais graves.

O que é rinorreia?

Rinorreia é a produção excessiva e o extravasamento de secreção nasal pelas narinas. Normalmente, a mucosa nasal produz pequenas quantidades de muco que umedece, filtra e aquece o ar inspirado. Quando há inflamação, infecção, alergia ou lesão estrutural, a produção aumenta e a secreção se torna visível externamente — podendo ser aquosa, mucosa, espessa, purulenta ou com sangue.

Em gatos, a rinorreia é especialmente comum por causa da alta prevalência de herpesvírus felino (rinotraqueíte) e calicivírus — agentes que causam infecção respiratória superior crônica em muitos animais. Em cães, infecções respiratórias, alergias e doenças como a cinomose são causas frequentes.

Causas e tipos

As causas são divididas por localização da lesão (unilateral sugere problema local; bilateral sugere causa sistêmica ou infecciosa) e tipo de secreção. Secreção serosa (aquosa e clara) aponta para alergia ou início de infecção viral. Secreção mucopurulenta (espessa e amarelada) indica infecção bacteriana secundária. Secreção hemorrágica levanta suspeita de trauma, coagulopatia ou neoplasia.

  • Infecciosa: herpesvírus felino, calicivírus, cinomose canina, aspergilose nasal
  • Alérgica: rinite alérgica por pólen, ácaros ou outros alérgenos
  • Corpo estranho: espiga de capim, sementes, fios
  • Estrutural: pólipo nasal, coana, fístula oronasal
  • Neoplásica: adenocarcinoma nasal, linfoma

Sintomas associados

A rinorreia raramente ocorre isoladamente. Em infecções respiratórias virais, vem acompanhada de espirros frequentes, conjuntivite, lacrimejamento, tosse, febre e inapetência. Em gatos com herpesvírus, os episódios podem ser recorrentes ao longo da vida, desencadeados por estresse. Corpos estranhos nasais causam espirros violentos e unilaterais de início súbito.

Neoplasias nasais causam secreção unilateral progressiva que pode se tornar hemorrágica, associada à deformação da face, espirros com sangue e dificuldade respiratória. A avaliação cuidadosa de todos os sinais associados é fundamental para o diagnóstico.

Diagnóstico

O diagnóstico começa pelo histórico detalhado (início, progressão, unilateral ou bilateral, vacinação) e exame físico com avaliação das narinas, linfonodos regionais e olhos. A rinoscopia permite visualização direta da cavidade nasal. Exames complementares incluem citologia e cultura de secreção nasal, radiografia e tomografia computadorizada das cavidades nasais e sinusais, e biópsia de lesões suspeitas.

Em gatos jovens não vacinados com sinais de infecção respiratória superior, a presença de ulcerações orais sugere calicivírus, enquanto úlceras corneanas apontam para herpesvírus felino.

Tratamento

O tratamento é específico para cada causa. Infecções virais recebem suporte com nebulização, limpeza das narinas, suplemento de lisina (em gatos com herpesvírus) e antibióticos quando há infecção bacteriana secundária. Aspergilose nasal é tratada com antifúngicos. Corpos estranhos são removidos por rinoscopia. Pólipos e neoplasias exigem intervenção cirúrgica ou quimioterapia.

A vacinação contra os principais agentes infecciosos (vacina quádrupla felina para herpesvírus e calicivírus; vacina polivalente canina para cinomose) é a base da prevenção.

Prevenção

Manter o calendário vacinal atualizado é a principal medida preventiva das causas infecciosas. Evitar ambientes com alta concentração de animais não vacinados, controlar alérgenos domésticos e realizar check-ups regulares permitem identificar precocemente alterações nasais estruturais antes da progressão para formas graves.

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Perguntas frequentes

É normal meu pet ter um pouco de secreção nasal?

Uma pequena quantidade de secreção clara e transparente pode ser normal. Torna-se preocupante quando é abundante, persistente, espessa, amarelada, com sangue, ou acompanhada de espirros frequentes, tosse, febre ou inapetência. Nesses casos, avaliação veterinária é indicada.

Rinorreia unilateral é mais grave que bilateral?

Rinorreia unilateral (apenas uma narina) sugere problema local como corpo estranho, pólipo ou neoplasia nasal e deve ser investigada com maior urgência. A bilateral costuma indicar infecção sistêmica ou alergia. Contudo, qualquer persistência de secreção nasal merece atenção veterinária.

Meu gato espirra e tem olhos lacrimejando. O que pode ser?

Esse quadro é típico da infecção pelo herpesvírus felino (rinotraqueíte) ou calicivírus — as principais causas de infecção respiratória superior em gatos. Gatos não vacinados são mais suscetíveis. Ulcerações na boca indicam calicivírus; lesões nos olhos (ceratite) apontam para herpesvírus. Consulte o veterinário.

Rinite alérgica existe em cães e gatos?

Sim. Cães e gatos podem desenvolver rinite alérgica a pólen, ácaros, mofo e outros alérgenos ambientais. A secreção costuma ser aquosa e bilateral, acompanhada de espirros. O diagnóstico diferencial com infecção é importante. O tratamento inclui anti-histamínicos, corticosteroides e controle ambiental dos alérgenos.

Como limpar o nariz do meu pet com rinorreia?

Use gaze ou algodão umedecido em soro fisiológico para remover a secreção com cuidado. Em gatos, a nebulização com soro fisiológico amolece crostas e facilita a respiração. Nunca use cotonetes dentro das narinas. Mantenha o ambiente úmido e bem ventilado para facilitar a respiração.

Cinomose causa rinorreia?

Sim. A cinomose canina é uma das causas mais graves de rinorreia em cães não vacinados. A doença começa com secreção nasal aquosa que rapidamente se torna purulenta, associada a febre, conjuntivite, tosse, diarreia e, nos estágios avançados, convulsões. É fatal em muitos casos e prevenível pela vacinação.

Aspergilose nasal pode causar rinorreia em cães?

Sim. A aspergilose nasal é uma infecção fúngica que acomete principalmente cães de focinho longo (dolicocefálicos) como Pastores Alemães. Causa secreção nasal mucopurulenta crônica frequentemente hemorrágica, úlceras nas narinas e dor ao toque nasal. O diagnóstico requer tomografia e rinoscopia com biópsia.

Corpo estranho nasal — como suspeitar?

O sinal característico é início súbito de espirros violentos e rinorreia unilateral após o animal farejar vegetação, gramado ou ambientes externos. O animal pode esfregar a focinho no chão. A remoção do corpo estranho por rinoscopia é necessária — nunca tente remover com pinças em casa, pois pode aprofundá-lo.

Sangue pelo nariz em pets é sempre grave?

Sangramento nasal (epistaxe) associado à rinorreia pode ter causas diversas: trauma nasal leve até neoplasias malignas, coagulopatias, hipertensão arterial ou doença de Addison. Todo sangramento nasal persistente ou recorrente deve ser avaliado com urgência pelo veterinário, pois as causas graves exigem tratamento precoce.

Vacinação previne rinorreia em gatos?

Parcialmente. A vacina quádrupla felina protege contra herpesvírus e calicivírus — os dois principais agentes de infecção respiratória superior em gatos. Animais vacinados podem se infectar, mas desenvolvem formas mais leves da doença. Gatos que já tiveram herpesvírus permanecem portadores latentes e podem ter recidivas ao longo da vida.

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