O que é polidipsia?
Polidipsia (do grego: poli = muito, dipsia = sede) é a sede excessiva e o consequente aumento na ingestão de líquidos. Está quase sempre associada à poliúria — eliminação de grandes volumes de urina diluída — formando a síndrome PU/PD (poliúria/polidipsia), uma das queixas mais comuns na clínica de pequenos animais.
Quando um tutor percebe que o recipiente de água está sendo esvaziado mais rapidamente que o habitual, que o animal está bebendo de fontes incomuns (vasos, banheiro) ou que precisa urinar com frequência e em grandes volumes, o sinal deve ser investigado com exames laboratoriais direcionados.
Causas e tipos
A polidipsia pode ter origem osmótica (substâncias no sangue atraem água, como na diabetes mellitus não controlada) ou não osmótica (problemas renais que impedem a concentração da urina, hormônios anômalos). Em gatos idosos, o hipertireoidismo e a insuficiência renal crônica são causas muito frequentes.
- Diabetes mellitus: hiperglicemia causa glicosúria osmótica
- Insuficiência renal crônica: rins não conseguem concentrar a urina
- Hiperadrenocorticismo (Cushing): cortisol elevado interfere no ADH
- Hipertireoidismo felino: metabolismo acelerado aumenta a demanda hídrica
- Piometra: endotoxinas bacterianas interferem na função renal
- Hipercalcemia, insuficiência hepática, diabetes insipidus
Sintomas
Além da ingestão aumentada de água e da produção excessiva de urina, outros sinais dependem da causa subjacente. Em diabéticos, observa-se perda de peso apesar do apetite aumentado e opacidade do cristalino em cães. Na síndrome de Cushing, há barriga pendular, alopecia e intolerância ao exercício.
Na insuficiência renal crônica, o animal pode apresentar náuseas, vômito, perda de peso progressiva, hálito urêmico e letargia. Em gatos com hipertireoidismo, há perda de peso apesar do apetite voraz, hiperatividade e palpitação. O contexto de sinais acompanhantes orienta o diagnóstico diferencial.
Diagnóstico
A investigação começa com hemograma completo, bioquímica sérica (ureia, creatinina, glicose, albumina, enzimas hepáticas, cálcio) e urinálise com densidade urinária. A densidade urinária é fundamental: urina muito diluída (densidade abaixo de 1.008) confirma a incapacidade de concentração renal.
Exames adicionais incluem dosagem de T4 em gatos idosos, teste de supressão com dexametasona para Cushing em cães, relação proteína/creatinina urinária e ultrassonografia abdominal. A combinação dos achados permite identificar a causa com precisão em praticamente todos os casos.
Tratamento
O tratamento é da doença de base identificada. Diabetes mellitus exige insulinoterapia e dieta específica. Insuficiência renal recebe manejo nutricional e suporte. Hiperadrenocorticismo é tratado com trilostano ou mitotano. Hipertireoidismo felino responde bem a metimazol ou iodo radioativo. Piometra exige cirurgia de emergência.
Nunca restrinja o acesso à água de um animal com polidipsia sem orientação veterinária — a restrição hídrica em animais com insuficiência renal ou diabetes pode ser fatal. O acompanhamento regular com exames periódicos é essencial para ajuste do tratamento.
Prevenção
A prevenção da polidipsia passa pela prevenção das doenças que a causam: dieta equilibrada para manutenção do peso ideal, castração para evitar piometra, acompanhamento anual com exames laboratoriais a partir dos 7 anos de vida (especialmente para gatos) e controle do uso de corticosteroides a longo prazo. A detecção precoce das doenças subjacentes melhora significativamente o prognóstico.