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O que é Polidipsia?

Publicado em 01 de janeiro de 2025

Polidipsia é o aumento anormal da ingestão de água, geralmente acompanhado de poliúria (aumento do volume urinário). Em cães e gatos, é considerada polidipsia quando o consumo de água ultrapassa 100 ml/kg/dia em cães e 45 ml/kg/dia em gatos. Representa um sinal clínico importante que pode indicar diversas doenças sistêmicas graves. As causas mais comuns incluem diabetes mellitus, insuficiência renal crônica, síndrome de Cushing (hiperadrenocorticismo), piómetra, hepatopatias e hipertireoidismo felino. O diagnóstico da causa primária é fundamental, pois a polidipsia é um sintoma e não uma doença em si — o tratamento adequado depende da identificação correta da condição subjacente.

O que é polidipsia?

Polidipsia (do grego: poli = muito, dipsia = sede) é a sede excessiva e o consequente aumento na ingestão de líquidos. Está quase sempre associada à poliúria — eliminação de grandes volumes de urina diluída — formando a síndrome PU/PD (poliúria/polidipsia), uma das queixas mais comuns na clínica de pequenos animais.

Quando um tutor percebe que o recipiente de água está sendo esvaziado mais rapidamente que o habitual, que o animal está bebendo de fontes incomuns (vasos, banheiro) ou que precisa urinar com frequência e em grandes volumes, o sinal deve ser investigado com exames laboratoriais direcionados.

Causas e tipos

A polidipsia pode ter origem osmótica (substâncias no sangue atraem água, como na diabetes mellitus não controlada) ou não osmótica (problemas renais que impedem a concentração da urina, hormônios anômalos). Em gatos idosos, o hipertireoidismo e a insuficiência renal crônica são causas muito frequentes.

  • Diabetes mellitus: hiperglicemia causa glicosúria osmótica
  • Insuficiência renal crônica: rins não conseguem concentrar a urina
  • Hiperadrenocorticismo (Cushing): cortisol elevado interfere no ADH
  • Hipertireoidismo felino: metabolismo acelerado aumenta a demanda hídrica
  • Piometra: endotoxinas bacterianas interferem na função renal
  • Hipercalcemia, insuficiência hepática, diabetes insipidus

Sintomas

Além da ingestão aumentada de água e da produção excessiva de urina, outros sinais dependem da causa subjacente. Em diabéticos, observa-se perda de peso apesar do apetite aumentado e opacidade do cristalino em cães. Na síndrome de Cushing, há barriga pendular, alopecia e intolerância ao exercício.

Na insuficiência renal crônica, o animal pode apresentar náuseas, vômito, perda de peso progressiva, hálito urêmico e letargia. Em gatos com hipertireoidismo, há perda de peso apesar do apetite voraz, hiperatividade e palpitação. O contexto de sinais acompanhantes orienta o diagnóstico diferencial.

Diagnóstico

A investigação começa com hemograma completo, bioquímica sérica (ureia, creatinina, glicose, albumina, enzimas hepáticas, cálcio) e urinálise com densidade urinária. A densidade urinária é fundamental: urina muito diluída (densidade abaixo de 1.008) confirma a incapacidade de concentração renal.

Exames adicionais incluem dosagem de T4 em gatos idosos, teste de supressão com dexametasona para Cushing em cães, relação proteína/creatinina urinária e ultrassonografia abdominal. A combinação dos achados permite identificar a causa com precisão em praticamente todos os casos.

Tratamento

O tratamento é da doença de base identificada. Diabetes mellitus exige insulinoterapia e dieta específica. Insuficiência renal recebe manejo nutricional e suporte. Hiperadrenocorticismo é tratado com trilostano ou mitotano. Hipertireoidismo felino responde bem a metimazol ou iodo radioativo. Piometra exige cirurgia de emergência.

Nunca restrinja o acesso à água de um animal com polidipsia sem orientação veterinária — a restrição hídrica em animais com insuficiência renal ou diabetes pode ser fatal. O acompanhamento regular com exames periódicos é essencial para ajuste do tratamento.

Prevenção

A prevenção da polidipsia passa pela prevenção das doenças que a causam: dieta equilibrada para manutenção do peso ideal, castração para evitar piometra, acompanhamento anual com exames laboratoriais a partir dos 7 anos de vida (especialmente para gatos) e controle do uso de corticosteroides a longo prazo. A detecção precoce das doenças subjacentes melhora significativamente o prognóstico.

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Perguntas frequentes

Meu cão está bebendo muito mais água que o normal. Devo me preocupar?

Sim. O aumento repentino ou progressivo na ingestão de água é sempre motivo para consulta veterinária. Várias doenças sérias como diabetes, Cushing e insuficiência renal se manifestam assim, e o diagnóstico precoce muda o prognóstico.

Quanto de água um cão deve beber por dia?

O consumo normal é de aproximadamente 50 a 70 ml por kg de peso corporal por dia. Acima de 100 ml/kg/dia é considerado polidipsia. Um cão de 10 kg que beba mais de 1 litro por dia merece avaliação veterinária.

Gato bebendo muito pode ser sinal de doença?

Sim. Em gatos, especialmente os mais velhos (a partir dos 10 anos), polidipsia associada à perda de peso sugere hipertireoidismo ou insuficiência renal crônica. Ambas são tratáveis quando diagnosticadas precocemente.

Posso restringir a água do meu pet que bebe demais?

Não. Nunca restrinja a água de um animal com polidipsia sem indicação veterinária. A restrição pode causar desidratação grave, especialmente em animais com insuficiência renal, diabetes ou outras doenças subjacentes.

Quais exames o veterinário vai pedir?

Os exames básicos incluem hemograma, bioquímica sérica e urinálise com densidade urinária. Dependendo dos achados iniciais, exames adicionais como T4 (gatos), teste de Cushing (cães) e ultrassonografia abdominal podem ser solicitados.

Polidipsia pode ser causada por calor?

Temperatura ambiente elevada e exercício físico intenso aumentam fisiologicamente a ingestão de água. Porém, se a polidipsia persistir em condições normais de temperatura, deve ser investigada. O veterinário avaliará o contexto e o histórico completo.

Meu cão tem diabetes e bebe muito. O controle da doença vai melhorar isso?

Sim. Com a insulinoterapia adequada e o controle glicêmico, a hiperglicemia diminui, a glicosúria cessa e a polidipsia resolve-se progressivamente. O monitoramento regular da glicemia é fundamental para ajustar as doses de insulina.

Polidipsia tem cura?

A polidipsia em si é um sintoma. Com o tratamento correto da doença de base, a sede excessiva se normaliza na maioria dos casos. Em doenças crónicas como insuficiência renal avançada, algum grau de polidipsia pode persistir.

Corticoide pode causar polidipsia?

Sim. Corticosteroides como prednisona e dexametasona causam polidipsia e poliúria como efeitos colaterais conhecidos. Se seu pet usa corticoide e bebe muito, informe o veterinário para avaliar se é necessário ajustar a dose ou trocar o medicamento.

O que é diabetes insipidus em cães?

Diabetes insipidus é uma causa menos comum de polidipsia intensa causada pela deficiência ou resistência ao hormônio antidiurético (ADH). É diferente do diabetes mellitus (de açúcar). O diagnóstico é feito por teste de privação hídrica com resposta a desmopressina.

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