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O que é Policitemia?

Publicado em 01 de janeiro de 2025

Policitemia é o aumento anormal da massa de glóbulos vermelhos (eritrócitos) no sangue, resultando em hematócrito elevado acima dos valores de referência para a espécie. Em cães, hematócritos superiores a 65% e, em gatos, acima de 55% são geralmente considerados policitemia. Pode ser relativa — causada por desidratação, que concentra as células sanguíneas sem aumentar sua produção — ou absoluta, com aumento real na produção de eritrócitos. A policitemia absoluta pode ser primária (neoplásica, chamada policitemia vera) ou secundária a causas como hipoxemia crônica, doenças renais produtoras de eritropoetina e neoplasias. O espessamento do sangue dificulta a circulação e pode causar trombose, convulsões e comprometimento de múltiplos órgãos.

O que é policitemia?

Policitemia é a elevação do número de eritrócitos e do hematócrito além dos limites normais. O aumento na viscosidade sanguínea que resulta dessa condição reduz o fluxo nos vasos menores, podendo causar hipóxia tecidual paradoxal — o sangue transporta mais oxigênio por célula, mas o fluxo reduzido compromete a entrega eficiente aos tecidos.

A diferenciação entre policitemia relativa e absoluta é fundamental para o tratamento. A relativa é transitória e resolve com reidratação. A absoluta exige investigação aprofundada para identificar a causa primária, que pode incluir desde doenças respiratórias crônicas até neoplasias renais e da medula óssea.

Causas e tipos

A policitemia relativa é a mais comum e resulta da contração do volume plasmático por desidratação, redistribuição de fluidos ou esplenomegalia (baço aumentado que retém eritrócitos). A policitemia absoluta secundária ocorre em resposta a estímulos que aumentam a produção de eritropoetina, como hipoxemia crônica (doenças pulmonares, cardiopatias congênitas) ou produção ectópica do hormônio por tumores renais.

  • Policitemia relativa: desidratação, contração esplênica (excitação intensa)
  • Policitemia absoluta secundária fisiológica: altitude elevada, hipoxemia crônica
  • Policitemia absoluta secundária patológica: carcinoma renal, cistos renais produtores de eritropoetina
  • Policitemia vera (primária): distúrbio mieloproliferativo da medula óssea

Sintomas

Os sinais clínicos resultam do aumento da viscosidade sanguínea e da hiperperfusão tecidual. Mucosas avermelhadas (hiperemia), intolerância ao exercício, fraqueza, desorientação, convulsões e comprometimento neurológico são os principais achados. Epistaxe (sangramento nasal) pode ocorrer por distensão dos capilares nasais.

Em casos graves, a trombose de vasos cerebrais e renais pode causar acidente vascular encefálico, deficit neurológico focal e insuficiência renal aguda. O quadro pode ter evolução insidiosa em formas crônicas ou aguda em policitemia vera avançada.

Diagnóstico

O hemograma com hematócrito e contagem de eritrócitos é o ponto de partida. Proteínas plasmáticas totais ajudam a distinguir policitemia relativa (proteínas elevadas por hemoconcentração) de absoluta (proteínas normais). Gasometria arterial e oximetria avaliam hipoxemia. Ultrassonografia abdominal rastreia massas renais e alterações esplênicas.

A dosagem de eritropoetina sérica diferencia a forma primária (policitemia vera — eritropoetina baixa) das formas secundárias (eritropoetina normal ou elevada). A biópsia de medula óssea é necessária para confirmar policitemia vera e definir o protocolo de tratamento.

Tratamento

O tratamento depende da causa. Policitemia relativa por desidratação resolve com fluidoterapia. Formas secundárias exigem tratamento da doença de base — cirurgia em tumores renais, manejo da cardiopatia ou doença pulmonar subjacente.

Policitemia vera é tratada com flebotomia periódica (remoção de sangue) para reduzir o hematócrito a valores seguros (abaixo de 55% em cães), associada a hidroxiureia para suprimir a produção medular excessiva. O acompanhamento regular com hemograma é essencial para ajustar o protocolo de manutenção.

Prevenção

Não há prevenção específica para policitemia vera, que tem origem mieloproliferativa. Manter o animal bem hidratado previne a forma relativa. O diagnóstico precoce de cardiopatias congênitas e doenças pulmonares crônicas, com manejo adequado da hipoxemia, previne a policitemia secundária. Check-ups anuais com hemograma completo auxiliam na detecção precoce de alterações hematológicas.

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Perguntas frequentes

O que significa hematócrito elevado no hemograma do meu pet?

Hematócrito elevado pode indicar desidratação (causa mais comum e benigna) ou policitemia. O veterinário avaliará o contexto clínico e solicitará exames complementares para determinar se é relativa (desidratação) ou absoluta (produção aumentada de glóbulos vermelhos).

Policitemia é perigosa?

Sim. A policitemia absoluta não tratada pode causar trombose cerebral, convulsões, insuficiência renal e comprometimento de múltiplos órgãos pela hiperviscosidade sanguínea. O diagnóstico e tratamento precoces são essenciais.

O que é policitemia vera?

Policitemia vera é uma neoplasia da medula óssea que causa produção autônoma e excessiva de eritrócitos, independentemente de estímulos externos. É a forma primária da doença e exige tratamento com flebotomia e quimioterapia oral (hidroxiureia).

Mucosas muito vermelhas no meu cão são sinal de policitemia?

Sim. Mucosas hiperemiadas (muito avermelhadas ou tijolosas) são um sinal clínico sugestivo de policitemia. Junto com outros sinais como letargia e convulsões, indicam necessidade de hemograma urgente.

Desidratação pode causar policitemia?

Sim. A policitemia relativa por desidratação é a causa mais comum. A perda de volume plasmático concentra os eritrócitos no sangue, elevando o hematócrito sem aumento real na produção de células. Resolve completamente com reidratação.

Como é feita a flebotomia em cães?

A flebotomia veterinária consiste na retirada de 10 a 20 ml de sangue por kg de peso corporal, substituída por solução salina para manter o volume circulante. É realizada lentamente para evitar hipotensão. O hematócrito é monitorado para atingir o valor alvo seguro.

Tumor renal pode causar policitemia?

Sim. Carcinomas renais e cistos renais podem secretar eritropoetina ectopicamente, estimulando a medula óssea a produzir mais glóbulos vermelhos. A ultrassonografia abdominal é fundamental para rastrear massas renais em cães com policitemia absoluta secundária.

Quanto tempo dura o tratamento de policitemia vera?

Policitemia vera é uma condição crônica que exige tratamento e monitoração ao longo de toda a vida do animal. Flebotomias periódicas e hidroxiureia oral controlam a doença, mas não a curam. A frequência das flebotomias varia conforme a resposta individual.

Cão com cardiopatia congênita pode ter policitemia?

Sim. Cardiopatias congênitas com shunt direita-esquerda (como a Tetralogia de Fallot) causam hipoxemia crônica, que estimula a produção de eritropoetina e, consequentemente, policitemia compensatória. Nesses casos, o tratamento é da cardiopatia de base.

Policitemia pode ser confundida com outra doença?

Sim. Mucosas avermelhadas podem ser confundidas com febre, intoxicação por monóxido de carbono ou reação anafilática. O hemograma com hematócrito elevado é o que distingue a policitemia. A gasometria e a oximetria auxiliam no diagnóstico diferencial.

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