O que é policitemia?
Policitemia é a elevação do número de eritrócitos e do hematócrito além dos limites normais. O aumento na viscosidade sanguínea que resulta dessa condição reduz o fluxo nos vasos menores, podendo causar hipóxia tecidual paradoxal — o sangue transporta mais oxigênio por célula, mas o fluxo reduzido compromete a entrega eficiente aos tecidos.
A diferenciação entre policitemia relativa e absoluta é fundamental para o tratamento. A relativa é transitória e resolve com reidratação. A absoluta exige investigação aprofundada para identificar a causa primária, que pode incluir desde doenças respiratórias crônicas até neoplasias renais e da medula óssea.
Causas e tipos
A policitemia relativa é a mais comum e resulta da contração do volume plasmático por desidratação, redistribuição de fluidos ou esplenomegalia (baço aumentado que retém eritrócitos). A policitemia absoluta secundária ocorre em resposta a estímulos que aumentam a produção de eritropoetina, como hipoxemia crônica (doenças pulmonares, cardiopatias congênitas) ou produção ectópica do hormônio por tumores renais.
- Policitemia relativa: desidratação, contração esplênica (excitação intensa)
- Policitemia absoluta secundária fisiológica: altitude elevada, hipoxemia crônica
- Policitemia absoluta secundária patológica: carcinoma renal, cistos renais produtores de eritropoetina
- Policitemia vera (primária): distúrbio mieloproliferativo da medula óssea
Sintomas
Os sinais clínicos resultam do aumento da viscosidade sanguínea e da hiperperfusão tecidual. Mucosas avermelhadas (hiperemia), intolerância ao exercício, fraqueza, desorientação, convulsões e comprometimento neurológico são os principais achados. Epistaxe (sangramento nasal) pode ocorrer por distensão dos capilares nasais.
Em casos graves, a trombose de vasos cerebrais e renais pode causar acidente vascular encefálico, deficit neurológico focal e insuficiência renal aguda. O quadro pode ter evolução insidiosa em formas crônicas ou aguda em policitemia vera avançada.
Diagnóstico
O hemograma com hematócrito e contagem de eritrócitos é o ponto de partida. Proteínas plasmáticas totais ajudam a distinguir policitemia relativa (proteínas elevadas por hemoconcentração) de absoluta (proteínas normais). Gasometria arterial e oximetria avaliam hipoxemia. Ultrassonografia abdominal rastreia massas renais e alterações esplênicas.
A dosagem de eritropoetina sérica diferencia a forma primária (policitemia vera — eritropoetina baixa) das formas secundárias (eritropoetina normal ou elevada). A biópsia de medula óssea é necessária para confirmar policitemia vera e definir o protocolo de tratamento.
Tratamento
O tratamento depende da causa. Policitemia relativa por desidratação resolve com fluidoterapia. Formas secundárias exigem tratamento da doença de base — cirurgia em tumores renais, manejo da cardiopatia ou doença pulmonar subjacente.
Policitemia vera é tratada com flebotomia periódica (remoção de sangue) para reduzir o hematócrito a valores seguros (abaixo de 55% em cães), associada a hidroxiureia para suprimir a produção medular excessiva. O acompanhamento regular com hemograma é essencial para ajustar o protocolo de manutenção.
Prevenção
Não há prevenção específica para policitemia vera, que tem origem mieloproliferativa. Manter o animal bem hidratado previne a forma relativa. O diagnóstico precoce de cardiopatias congênitas e doenças pulmonares crônicas, com manejo adequado da hipoxemia, previne a policitemia secundária. Check-ups anuais com hemograma completo auxiliam na detecção precoce de alterações hematológicas.