O que é anemia em animais?
Anemia é definida como a diminuição da massa eritrocitária circulante abaixo dos valores de referência para a espécie. O resultado é uma redução na capacidade de oxigenação dos tecidos, o que afeta o funcionamento de todos os órgãos. Não é uma doença em si, mas um sinal clínico que indica algum problema subjacente que precisa ser investigado.
Em cães, considera-se anemia quando o hematócrito é inferior a 37%; em gatos, abaixo de 24%. A gravidade varia de leve, com sinais discretos, a grave, com risco imediato à vida e necessidade de transfusão sanguínea de emergência.
Causas e tipos
As anemias são classificadas em três grandes grupos conforme o mecanismo causador. As anemias por perda de sangue resultam de hemorragias externas ou internas. As anemias hemolíticas ocorrem quando as hemácias são destruídas mais rapidamente do que produzidas. As anemias por falha de produção surgem quando a medula óssea não consegue fabricar hemácias suficientes.
- Hemorragia: trauma, parasitas hematófagos, intoxicação por warfarina
- Hemolítica imunomediada: o sistema imune ataca as próprias hemácias
- Infecciosa: erliquiose, babesiose, hemoplasmose
- Por doença crônica: insuficiência renal, câncer, hepatopatia
- Nutricional: deficiência de ferro, vitamina B12 ou ácido fólico
Sintomas
O sinal mais característico e de fácil verificação pelo tutor é a palidez das mucosas — gengivas, conjuntiva e palato que normalmente são rosados ficam esbranquiçados ou acinzentados. Outros sinais incluem fraqueza progressiva, cansaço rápido, respiração acelerada mesmo em repouso, batimento cardíaco acelerado e perda de apetite.
Em anemias graves de instalação rápida, o animal pode apresentar desmaio, extremidades frias, pulso fraco e colapso. Em anemias hemolíticas, a urina pode ficar amarronzada (hemoglobinúria) e o animal pode apresentar icterícia — coloração amarelada das mucosas e pele.
Diagnóstico
O hemograma completo é o exame básico para confirmar a anemia e avaliar sua gravidade. O veterinário analisa o hematócrito, a contagem de hemácias, a hemoglobina, o volume corpuscular médio e a contagem de reticulócitos para classificar o tipo de anemia. Outros exames como bioquímica sérica, urinálise, esfregaço sanguíneo e pesquisa de parasitas sanguíneos complementam a investigação.
Em casos suspeitos de anemia imunomediada, o teste de Coombs é solicitado. Aspirado de medula óssea pode ser necessário quando há suspeita de falha na produção. O diagnóstico da causa é tão importante quanto o da anemia em si, pois determina o tratamento.
Tratamento
O tratamento depende inteiramente da causa. Anemias por hemorragia requerem controle do sangramento e, em casos graves, transfusão de sangue total ou concentrado de hemácias. Anemias imunomediadas são tratadas com imunossupressores como prednisolona e azatioprina. Infecções como erliquiose e babesiose são tratadas com antibióticos e antiparasitários específicos.
Anemias por doença crônica melhoram com o controle da doença de base. Deficiências nutricionais são corrigidas com suplementação. Em casos de insuficiência renal, eritropoetina sintética pode ser indicada para estimular a produção de hemácias. A transfusão é reservada para anemias graves com risco à vida e serve como suporte enquanto o tratamento definitivo age.
Quando ir ao veterinário
Leve seu pet ao veterinário com urgência se observar gengivas pálidas, brancas ou acinzentadas, fraqueza súbita, respiração difícil, colapso ou urina escura. Esses são sinais de anemia grave que exige atendimento imediato. Consultas regulares com hemograma anual ajudam a detectar anemias leves antes que se tornem uma emergência.