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O que é Arritmia cardíaca?

Publicado em 01 de janeiro de 2025

Arritmia cardíaca é qualquer alteração no ritmo, frequência ou condução dos impulsos elétricos do coração, fazendo-o bater de forma irregular, muito rápida (taquiarritmia) ou muito lenta (bradiarritmia). Em cães e gatos, pode ser um achado isolado ou indicar doença cardíaca, sistêmica ou eletrolítica subjacente. A gravidade varia amplamente: algumas arritmias são benignas e transitórias, enquanto outras causam síncope, insuficiência cardíaca ou morte súbita. O diagnóstico é feito por eletrocardiograma e o tratamento depende do tipo, da causa e dos sinais clínicos presentes.

O que é arritmia cardíaca em animais?

O coração bate de forma coordenada graças a um sistema elétrico preciso. Qualquer alteração na geração ou condução desses impulsos elétricos resulta em arritmia. O coração pode bater muito rápido (taquicardia), muito devagar (bradicardia), de forma irregular (fibrilação) ou apresentar batimentos extras (extrassístoles), comprometendo em graus variáveis o bombeamento do sangue.

Em cães, as arritmias mais comuns incluem fibrilação atrial (associada à cardiomiopatia dilatada em raças grandes), extrassístoles ventriculares (especialmente em Boxers e Dobermans com cardiomiopatia arritmogênica do ventrículo direito) e bloqueio atrioventricular. Em gatos, a taquicardia ventricular e as bradiarritmias por cardiomiopatia hipertrófica são as mais prevalentes.

Causas e tipos

As causas de arritmia são numerosas e incluem doenças cardíacas primárias, doenças sistêmicas que afetam o coração secundariamente, desequilíbrios eletrolíticos, intoxicações e estímulos do sistema nervoso autônomo. O reconhecimento da causa é essencial para o tratamento adequado.

  • Cardíacas: cardiomiopatia, endocardite, tumor cardíaco
  • Sistêmicas: splênicas (síndrome de baço hemangiosarcoma), hipotireoidismo
  • Eletrolíticas: hipocalemia, hiperkalemia, hipocalcemia
  • Tóxicas: digital, alguns anestésicos, chocolete
  • Autonômicas: vagotonia excessiva, estimulação simpática por dor ou ansiedade

Sintomas

Muitas arritmias são assintomáticas e descobertas ao acaso durante a ausculta cardíaca de rotina. Quando sintomáticas, causam intolerância ao exercício, fraqueza episódica, síncope (desmaio súbito com recuperação espontânea), tonteira aparente e colapso. Animais com síncope recorrente necessitam de investigação cardiológica urgente.

Arritmias graves causam sinais de baixo débito cardíaco: mucosas pálidas, pulso fraco e irregular, extremidades frias, dispneia e colapso. A morte súbita pode ocorrer em alguns tipos de arritmia ventricular maligna, especialmente em raças predispostas como o Doberman e o Boxer.

Diagnóstico

O eletrocardiograma (ECG) é o exame fundamental para identificar e classificar o tipo de arritmia. O ECG de 24 horas (Holter) é indicado para arritmias intermitentes que não aparecem no ECG de consultório. A ecocardiografia avalia a estrutura e função do coração. Exames laboratoriais completam a investigação das causas sistêmicas.

Em Boxers e Dobermans, o Holter anual faz parte do rastreamento de cardiomiopatia arritmogênica, permitindo diagnóstico precoce antes do aparecimento dos sintomas. Radiografia torácica avalia o tamanho cardíaco e a presença de edema pulmonar associado.

Tratamento

O tratamento depende do tipo de arritmia, da frequência e da presença de sinais clínicos. Arritmias benignas e assintomáticas podem apenas ser monitoradas. Arritmias sintomáticas são tratadas com antiarrítmicos como sotalol, mexiletina, atenolol ou digoxina, conforme o tipo e a causa. A correção de desequilíbrios eletrolíticos e o tratamento da doença de base são prioritários.

Em emergências como taquicardia ventricular com colapso, cardioversão elétrica ou administração intravenosa de lidocaína pode ser necessária. Bradicardias severas por bloqueio atrioventricular completo podem requerer implante de marcapasso cardíaco, procedimento realizado em centros de referência em cardiologia veterinária.

Quando ir ao veterinário

Leve seu pet ao veterinário imediatamente se ele desmaiar, colapsar ou apresentar fraqueza súbita com recuperação espontânea — esses são sinais de arritmia potencialmente grave. Consulte regularmente, pois muitas arritmias graves são assintomáticas por longo período e podem ser detectadas precocemente em consultas de rotina com ausculta cuidadosa.

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Perguntas frequentes

Meu cão desmaiou e se recuperou sozinho. É arritmia?

Síncope — desmaio com recuperação espontânea — é um dos sinais mais comuns de arritmia cardíaca grave. Leve ao veterinário com urgência, mesmo que o animal pareça completamente normal após o episódio. Anote a duração, o contexto e se houve convulsão para auxiliar no diagnóstico.

Arritmia cardíaca tem cura em pets?

Depende da causa. Arritmias secundárias a desequilíbrios eletrolíticos ou doenças tratáveis se resolvem com o tratamento da causa. Arritmias por cardiomiopatia são controladas com medicamentos, mas não curadas. Bradicardias por bloqueio AV completo podem ser tratadas com marcapasso com excelentes resultados.

Raças grandes têm mais risco de arritmia?

Sim. Boxer e Doberman têm predisposição genética à cardiomiopatia arritmogênica do ventrículo direito, que causa arritmias ventriculares malignas e morte súbita. Golden Retriever e Irish Wolfhound têm maior risco de cardiomiopatia dilatada com fibrilação atrial. Rastreamento anual com Holter é recomendado nessas raças.

O que é um Holter para cão?

Holter é um eletrocardiograma contínuo de 24 horas realizado com um aparelho pequeno fixado ao animal enquanto ele segue sua rotina normal. Permite registrar arritmias que ocorrem espontaneamente e que não aparecem no ECG de consultório de poucos minutos.

Chocolate realmente causa arritmia em cães?

Sim. A teobromina presente no chocolate é um estimulante cardíaco que em doses suficientes provoca taquicardia, hipertensão e arritmias ventriculares potencialmente fatais. A toxicidade depende do peso do cão e da quantidade e tipo de chocolate ingerido. Chocolate amargo é o mais perigoso.

Meu gato tem batimento cardíaco irregular. É grave?

Em gatos, batimento irregular detectado na ausculta pode ser arritmia sinusal, que é benigna, ou algo mais sério. O veterinário realizará ECG para classificar o tipo. Gatos com cardiomiopatia hipertrófica têm maior risco de arritmias graves — avaliação cardiológica é importante.

Marcapasso para cachorro é viável no Brasil?

Sim. Implante de marcapasso cardíaco é realizado em centros de cardiologia veterinária de referência em cidades como São Paulo, Rio de Janeiro e Curitiba. É indicado principalmente para bloqueio atrioventricular de terceiro grau com bradicardia grave e síncopes frequentes.

Meu pet pode fazer exercício tendo arritmia?

Depende do tipo de arritmia. Algumas arritmias benignas não restringem o exercício. Arritmias ventriculares graves contraindicam esforço físico intenso, pois o exercício pode desencadear eventos fatais. O veterinário cardiologista orientará sobre as restrições adequadas para cada caso.

Com que frequência devo levar meu pet ao cardiologista se ele tem arritmia?

Em geral, pets com arritmia diagnosticada e em tratamento devem ser reavaliados a cada 3 a 6 meses, com ECG, Holter quando indicado e exames laboratoriais para monitorar os efeitos dos antiarrítmicos. Animais com doença progressiva podem precisar de acompanhamento mais frequente.

Anestesia é segura para cão com arritmia?

Cães com arritmia podem ser anestesiados com segurança quando há planejamento adequado. O anestesista veterinário usará protocolos específicos, monitoramento contínuo do ECG durante o procedimento e terá antiarrítmicos disponíveis. Informe sempre sobre a arritmia antes de qualquer procedimento cirúrgico.

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