O que é giardíase em animais?
Giardíase é a infestação pelo protozoário flagelado Giardia duodenalis (também chamado G. intestinalis), que parasita o intestino delgado. O parasita existe em duas formas: o trofozoíto, ativo e responsável pela infecção no hospedeiro, e o cisto, resistente no ambiente e responsável pela transmissão. Cães e gatos jovens em ambientes coletivos são os mais afetados.
A doença pode ser subclínica (sem sintomas aparentes) ou causar diarreia crônica com má absorção de nutrientes, comprometendo o crescimento e a imunidade de filhotes. Alguns genótipos de Giardia têm potencial zoonótico, ou seja, podem infectar humanos.
Causas e tipos
A infecção ocorre pela ingestão de cistos presentes em água de poços, lagos, rios contaminados, fezes de animais infectados ou superfícies sujas. Ambientes com muitos animais — canis, petshops, gatis e abrigos — favorecem a disseminação. A Giardia pode coexistir com outros parasitas intestinais e com infecções bacterianas, complicando o quadro clínico.
- Ingestão de água contaminada com cistos
- Contato com fezes de animais infectados
- Ingestão de presas ou carniça
- Ambiente coletivo (canis, gatis, abrigos)
Sintomas
O principal sinal é diarreia de intestino delgado: fezes pastosas, amolecidas, esbranquiçadas ou esverdeadas, com odor muito fétido e, ocasionalmente, muco ou gordura visível. O animal pode apresentar flatulência, desconforto abdominal e perda de peso gradual. Vômitos ocasionais também ocorrem.
Em filhotes, a giardíase pode causar comprometimento significativo do estado geral, retardo de crescimento e, nos casos mais graves, desidratação e hipoproteinemia. Adultos frequentemente são portadores assintomáticos que eliminam cistos pelas fezes e contaminam o ambiente.
Diagnóstico
O diagnóstico laboratorial é essencial pois os sintomas são inespecíficos. O exame coproparasitológico com flutuação em sulfato de zinco ou sacarose identifica os cistos nas fezes, mas pode apresentar resultados negativos se a coleta for feita em dia sem eliminação (a eliminação é intermitente). Recomenda-se coleta em três dias consecutivos para aumentar a sensibilidade.
Testes de ELISA e imunocromatografia rápidos para antígenos de Giardia nas fezes são mais sensíveis e práticos. A PCR fecal permite a genotipagem do parasita, relevante para avaliar o risco zoonótico.
Tratamento
O fenbendazol é o antiparasitário de escolha para cães e gatos, administrado por 5 a 10 dias. O metronidazol também é muito utilizado, isoladamente ou em associação. Durante o tratamento, é fundamental descontaminar o ambiente, pois os cistos são resistentes: lavar a cama e utensílios com água fervente, higienizar pisos com solução de hipoclorito e banhar o animal para remover cistos do pelo.
Animais assintomáticos que vivem com humanos imunodeprimidos devem ser tratados mesmo sem sintomas. O controle de reinfecção é o maior desafio, pois cistos persistem no ambiente por semanas.
Prevenção
Oferecer água filtrada ou fervida, evitar que o animal beba de fontes abertas, recolher fezes imediatamente, desinfetar ambientes regularmente e manter consultas parasitológicas periódicas são as principais medidas preventivas. Em ambientes coletivos, o monitoramento sistemático e o tratamento de grupos são fundamentais para controlar surtos.