O que é gastroenterite em animais?
Gastroenterite é a inflamação concomitante da mucosa do estômago e do intestino. Quando apenas o intestino é afetado, fala-se em enterite; quando somente o estômago, em gastrite. Na gastroenterite, ambos os segmentos estão comprometidos, resultando em quadro clínico mais complexo com vômitos e diarreia simultâneos.
Em cães e gatos, a doença pode ser aguda e autolimitada ou evoluir para formas graves que exigem internação. A síndrome de gastroenterite hemorrágica aguda (AHDS, anteriormente chamada de GEH) é particularmente perigosa por causar queda súbita e intensa do volume sanguíneo.
Causas e tipos
As causas são diversas e frequentemente identificadas pelo histórico clínico. Infecções virais como parvovirose e coronavirose são causas graves em filhotes não vacinados. Bactérias como Salmonella, Campylobacter e Clostridium também estão envolvidas. Parasitas intestinais (giárdia, coccídios, vermes), indiscrição alimentar, intoxicações e reações a medicamentos completam as principais causas.
- Viral: parvovirose, coronavirose, distemper
- Bacteriana: Salmonella, Campylobacter, Clostridium
- Parasitária: Giardia, Isospora, Toxocara
- Alimentar: lixo, alimentos gordurosos, corpos estranhos
- Idiopática: AHDS (síndrome hemorrágica aguda)
Sintomas
Os sinais clássicos são vômitos e diarreia, que podem ser aquosos, mucoides ou hemorrágicos. O animal frequentemente apresenta dor e distensão abdominal, inapetência, letargia e sinais de desidratação como mucosas secas, pele sem elasticidade e olhos fundos. Febre pode estar presente nas formas infecciosas.
Na AHDS, a diarreia é abundante e com aparência de "geleia de framboesa" — muito sanguinolenta — e o animal deteriora rapidamente, podendo entrar em choque hipovolêmico.
Diagnóstico
O histórico, o exame físico e os exames laboratoriais são fundamentais. Hemograma e bioquímica sérica avaliam o estado geral e auxiliam a identificar a causa. Exame de fezes com coproparasitológico busca parasitas. Testes rápidos para parvovirose são realizados em filhotes. Ultrassonografia abdominal complementa a investigação, especialmente em casos com suspeita de corpo estranho ou invaginação intestinal.
O hematócrito elevado com proteínas totais normais é um achado clássico da AHDS, diferenciando-a da parvovirose onde ambos costumam estar reduzidos.
Tratamento
O pilar do tratamento é a fluidoterapia para corrigir a desidratação e restaurar o equilíbrio eletrolítico. Antieméticos, protetores gástricos e antidiarreicos são prescritos conforme o caso. Antibióticos são indicados nas formas bacterianas ou quando há risco de translocação bacteriana pela mucosa intestinal lesada. Nos casos virais, o tratamento é de suporte intensivo.
A alimentação é reiniciada gradualmente com dieta altamente digestível após controle dos vômitos. Casos graves podem requerer transfusão de plasma ou sangue.
Prevenção
A vacinação contra parvovirose, distemper e coronavirose protege contra as formas virais mais graves. O controle parasitário regular, a alimentação equilibrada e a restrição de acesso a lixo e carniça reduzem muito o risco. Animais com episódios recorrentes devem ser investigados para doenças inflamatórias intestinais ou intolerâncias alimentares.