O que é Bordetella
Bordetella é o nome popular dado à infecção causada pela bactéria Bordetella bronchiseptica, agente central do complexo tosse dos canis (também chamado de traqueobronquite infecciosa canina). A bactéria adere ao epitélio das vias aéreas superiores e produz toxinas que paralisam os cílios protetores, facilitando a infecção e causando inflamação intensa da traqueia e brônquios.
Em gatos, a B. bronchiseptica pode causar doença respiratória severa, especialmente em ambientes com muitos felinos. A infecção raramente afeta humanos, mas pode ser um risco em pessoas imunocomprometidas.
Causas e tipos
A transmissão ocorre por contato direto com secreções respiratórias de animais infectados ou por aerossóis produzidos pela tosse e espirros. Fômites contaminados (comedouros, brinquedos, grades) também transmitem a bactéria. O período de incubação é de 3 a 10 dias.
- Infecção simples: apenas B. bronchiseptica, geralmente autolimitada.
- Infecção mista: associação com vírus como coronavírus canino, parainfluenza e adenovírus tipo 2, tornando o quadro mais grave.
- Bordetella em gatos: pode causar pneumonia em felinos jovens.
Sintomas
O sinal mais característico é uma tosse seca e áspera, frequentemente descrita como um "engasgamento". O animal tosse em acessos, especialmente ao se agitar ou ao puxar a guia. Outros sinais incluem coriza, espirros, olhos lacrimejantes e, em casos mais leves, o animal permanece ativo e com bom apetite.
- Tosse seca e persistente ("engasgamento")
- Espirros e corrimento nasal
- Febre (nos casos mais graves)
- Prostração e anorexia em filhotes
Diagnóstico
O diagnóstico é frequentemente clínico, baseado nos sinais respiratórios e histórico de exposição a ambientes coletivos. Para confirmação laboratorial, realiza-se cultura de swab nasal ou de orofaringe. PCR de secreção respiratória é o método mais sensível e específico. Radiografia torácica é indicada quando há suspeita de pneumonia secundária.
O veterinário também avalia se há coinfecção com outros agentes do complexo tosse dos canis, pois isso altera o prognóstico e o tratamento.
Tratamento
Casos leves e sem complicações geralmente se resolvem em 1 a 3 semanas sem antibióticos, apenas com repouso e evitando irritantes respiratórios. Quando há secreção nasal purulenta, febre ou piora do estado geral, indica-se antibioticoterapia com doxiciclina, azitromicina ou amoxicilina com clavulanato. Nebulização com soro fisiológico pode aliviar a irritação das vias aéreas.
Antitussígenos são usados com cautela; em animais que produzem secreção, suprimir a tosse pode ser prejudicial. Broncodilatadores auxiliam em casos de broncoespasmo associado.
Prevenção
A vacina intranasal contra bordetella e parainfluenza é altamente recomendada para cães que frequentam ambientes coletivos. A imunidade é estabelecida em 3 a 4 dias após a aplicação intranasal, enquanto vacinas injetáveis levam mais tempo. Higienização rigorosa de ambientes e isolamento de animais doentes são medidas complementares indispensáveis.