O que é mastite?
Mastite é a inflamação das glândulas mamárias causada principalmente por infecção bacteriana. Acomete com mais frequência cadelas e gatas no período pós-parto, durante a lactação, mas pode ocorrer em fêmeas com pseudociese ou em qualquer fase do ciclo reprodutivo. A mama afetada fica quente, avermelhada, dolorosa e pode produzir leite com aparência alterada — amarelado, sanguinolento ou com grumos.
Existem duas formas principais: a mastite aguda, que evolui rapidamente e pode causar septicemia se não tratada, e a mastite crônica, de progressão lenta e com formação eventual de nódulos. Filhotes que mamam em glândulas infectadas podem ingerir toxinas bacterianas e adoecer, por isso o manejo do ninho é parte do tratamento.
Causas e tipos
A maioria dos casos é causada por bactérias gram-positivas ou gram-negativas que colonizam o ducto mamário. Fatores predisponentes incluem higiene precária do ambiente de parição, traumas nas tetas causados por filhotes, acúmulo de leite por filhotes fracos ou mortos, e imunidade reduzida no pós-parto.
- Mastite aguda: início súbito, febre, prostração, mama muito inflamada
- Mastite crônica: evolução lenta, nódulos firmes, sem sinais sistêmicos evidentes
- Abscesso mamário: acúmulo de pus com flutuação à palpação
- Mastite gangrenosa: forma grave com necrose tecidual, emergência clínica
Sintomas
Os sinais clínicos variam com a gravidade. Na forma aguda observam-se uma ou mais mamas aumentadas de volume, quentes, endurecidas e dolorosas ao toque. O animal pode recusar alimentação, apresentar febre, letargia e rejeitar os filhotes. O leite pode ter coloração anormal, odor fétido ou conter pus.
Na mastite crônica os sinais locais são discretos, mas há persistência de nódulos que podem evoluir para fibrose ou, raramente, degeneração neoplásica. Filhotes que mamam em glândulas infectadas tendem a apresentar baixo ganho de peso, choro excessivo e diarreia.
Diagnóstico
O diagnóstico é essencialmente clínico. O veterinário palpa todas as mamas, avalia a cor e textura do leite e verifica o estado geral da mãe e dos filhotes. A citologia do leite revela aumento de neutrófilos e bactérias intracelulares, confirmando a infecção. A cultura e antibiograma orientam a escolha do antibiótico mais eficaz.
Exames de sangue como hemograma e proteínas de fase aguda são indicados nas formas sistêmicas. A ultrassonografia mamária diferencia mastite de abscesso e de neoplasia, auxiliando no planejamento cirúrgico quando necessário.
Tratamento
O tratamento de base é a antibioticoterapia sistêmica por 7 a 14 dias, escolhida de acordo com o antibiograma ou com antibióticos de amplo espectro enquanto se aguarda o resultado. Anti-inflamatórios não esteroidais aliviam a dor e a inflamação. A ordenha manual gentil das mamas afetadas a cada 6 a 8 horas ajuda a eliminar o leite contaminado e estimular a drenagem.
Abscessos requerem drenagem cirúrgica e lavagem da cavidade. Em casos graves ou de gangrenosa, pode ser necessária a mastectomia. Os filhotes devem ser avaliados individualmente; se a mãe não puder amamentá-los com segurança, indica-se substituto lácteo específico para a espécie.
Prevenção
Manter o ambiente de parição limpo e seco, verificar diariamente todas as mamas durante a lactação, garantir que todos os filhotes mamem regularmente e evitar traumas nas tetas são as principais medidas preventivas. A castração eletiva elimina os episódios ligados ao ciclo reprodutivo e reduz drasticamente o risco de mastite e de neoplasias mamárias.